Primeiras Impressões | Charmed 2018

O texto contém spoilers da trama.

Parece que voltamos para 1998 e todas as séries estão no ar – Charmed e Sabrina são as primeiras.

A versão criada por Constance M. Burge foi ao ar em 1998 e contava a história das irmãs Prudence, Piper e Phoebe Halliwell que, após a morte de sua avó, se reencontram para receber uma mansão de herança (e não somente isso). Agora, em 2018, com um remake da CW, as bruxas retornam em Charmed para o horário nobre da TV americana.

Na nova versão de Charmed, conhecemos Maggie (Sarah Jeffery) e Mel Veras (Melonie Diaz), filhas de uma professora que, secretamente, é uma bruxa. Ambas de personalidades muito distintas, se deparam com a morte sem explicação de sua mãe e precisam encarar a descoberta de uma irmã mais velha, Macy (Jennie Snyder Urman). As três precisam decidir juntas se irão seguir o caminho de sua mãe ou irão viver uma vida humana normal.

As irmãs Veras reunidas em Charmed.

O primeiro episódio foi ao ar no dia 14 de outubro, com a direção de Brad Silberling. No piloto somos inseridos naquela família de forma sutil, e da mesma maneira, as personalidades de Maggie e Mel ficam evidentes. Maggie como a aspirante a popular e Mel como a militante e consciente. Macy, mais tarde, entra na história mostrando ser o lado cético daquela família.

Tal qual a série de 1998, a série abusa das tramas adolescentes. Com uma roteiro básico de jornada do herói, Charmed tenta forçar uma barra sobre a descoberta de bruxaria em pleno século 21, ainda mais quando as três personagens são completamente descrentes e mudam de ideia repentinamente – diferentemente de Sabrina que faz isso usando um plano de fundo bem mais coerente e consistente. Como não poderia deixar de ser, Charmed possuí algumas intervenções gráficas que são bem precárias, beirando o tosco. Até o que dá certo, visualmente, soa estranho por ter um ar cômico demais.

A série traz um discurso, como prometido pelos produtores, empoderado. Assuntos discutidos mais abertamente hoje em dia, como assedia, machismo e rivalidade feminina, são colocados em pauta durante todo o piloto. O que é ótimo quando se trata de uma série para adolescentes, para causar a discursão e reforçar debates. Ainda sim, em Charmed, essa militância soa caricata demais em alguns momentos.

Rupert Evans como Harry Greenwood em Charmed.

Para quem viu a série original, o novo ano de Charmed pouco lembra o sucesso daquela versão. Nem mesmo o charme das protagonista ou talento, tendo em vista que o mais experiente ali (no quesito seriado) é Rupert Evans como o caricato mentor de nome Harry.

Além das consternações, o novo ano de Charmed promete um viés muito mais politizado do que sua primeira versão. O primeiro episódio não empolga até os últimos minutos, nos dando uma brecha para algo maior nos próximos capítulos.

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