Perfil Animação | Quem lembra de Os Brasinhas do Espaço?

Equipes ou grupos com crianças foram utilizados amplamente na cultura ficcional. Para lembrar uma série bem antiga Our Gang (1922), ou melhor os Batutinhas, uma série que ganhou remakes ao longo das décadas. As ideias contidas na turminha do Alfafa e do Batatinha podem ter influenciado diferentemente várias outras, mas títulos lançados em quadrinhos como Legião Jovem (1942) ou Boys’ Ranch (1950) levaram o segmento a crescer para títulos mais famosos como os sidekicks de personagens do Superman ou do Shazam. Nas animações de Cave Kids a Get-Along Gang (A nossa turma), de Os Jovens Titãs em Ação a O Mundo de Greg podemos notar que o estilo aventuresco com crianças sempre estiveram em voga. E o estúdio Hanna Barbera não ficou atrás, seguindo sua fórmula de apropriar de uma situação para criar uma nova animação, no caso um sci-fi infantil, com cenário no futuro de naves espaciais, carros voadores e qualquer número de tropos de futurização estilizados, habitado por toons como Jetta of the 21st Century and Magnus, Robot Fighter, 4000 AD.

Histórico da animação

Em 1966, os animadores William Hanna e Joseph Barbera estavam mais consolidados na cena mainstream das produções animadas, pelo sucesso de Zé Colmeia, Os Flinstones, etc. Os desenvolvedores já tinham interpretado o futuro com mais destaque em The Jetsons (1962), um cenário futurístico urbano, orientado para a família e vinculado à superfície do planeta. Sua empresa, a Hanna-Barbera Productions, Inc., desenvolvia já comerciais para a TV com seus personagens e a indústria de brinquedos sabia do nicho que as animações estavam criando no cenário norte-americano. Além disso o estúdio de animação começara seu ciclo de ação-aventura/super-heróis, estava desenvolvendo o Space Ghost (1966), e teriam que fazer uma transição da linha humorística que fez o sucesso dos estúdios. E foi nesse contexto que uma nova série foi apresentada, no caso, The Space Kidettes, ou, como ficou conhecido por aqui, Os Brasinhas do Espaço (o título lembra uma gíria lá do tempo da Jovem Guarda).

A Animação

The Space Kidettes tem como cenário o espaço sideral, onde quatro crianças, três meninos (Escoteiro/Scooter, Sábio/Countdown e Xereta/Snoopy) e uma menina (Jeny) e seu cachorro (Estrelinha/Pup Star), sem conexões familiares, meio como os Meninos Perdidos de Peten Pan, vivem por conta própria, sem adultos, como uma espécie de clube de escoteiros espaciais, que viajam numa nave espacial. Essa nave parecia uma cápsula antiga das missões Mercury ou Gemini da NASA, os únicos modelos da vida real que os americanos da época (pré-Apolo) estavam familiarizados.

Os Brasinhas do Espaço trilham o cosmo atrás de aventuras, confrontando criaturas e perigos diversos, em especial, da perseguição fo vilão, o pirata Capitão Gancho (outra referência ao livro de J. M. Barrie), que quer roubar um mapa do tesouro que os Brasinhas possuem. O ajudante do Capitão Gancho, Estática, sempre queria torturar e mutilar seus inimigos, mas o Capitão fica bravo com ele, dizendo que são apenas crianças (geralmente com um golpe bem colocado na cabeça). Uma crítica à violência infantil, que mostra bem o relacionamento dos dois vilões, que lembra muito O Gordo e o Magro.

O mapa do tesouro é meio antagônico para apresentar os dois grupos de personagens, como também a base narrativa para as aventuras, mas os Brasinhas e os piratas também conhecem outros personagens ao longo do caminho. Os Brasinhas voavam pelo espaço, fazendo boas ações, lidando com outros tipos de malvados como uma criatura toupeira, um dragão que solta laser, uma bruxa malvada e vários outros bandidos. A arte é mais estilizada, diferente das outras animações da Hanna-Barbera até então, mas ainda usando a técnica da animação limitada, os personagens estão equipados com uniformes e capacetes espaciais.

 

A dublagem original tem Chris Allen como Escoteiro; Dom Messick como Sábio, o capanga Estática e o cachorrinho Estrelinha; Lucille Bliss como o caçulinha Xereta; Janet Waldo como Jenny; e Daws Butler como o vilão Capitão Gancho. A Dublasom Guanabara/RJ fez a dublagem brasileira com Luiz Manuel (1942), Nelly Amaral (1938-2002), Glória Ladany (1936-2019), Carmen Sheila (1944), Ribeiro Santos (1933-1991) e Carlos Marques (1933) no elenco de dubladores.

Originalmente transmitido por uma temporada na NBC como um programa de meia hora e patrocinado pela General Mills, uma fabricante de brinquedos, para uma temporada de 1966-67. Uma animação que visava o público pré-escolar, com vinte episódios que foram editados posteriormente para episódios com duração menores para a CBS no The Go-Go Gophers (1968) e depois distribuído como The Space Kidettes & Young Samson.

O desenho estreou no Brasil em 1969 na TV Tupi, onde era exibida às quartas-feiras às 18h; depois já no começo da década de 1970, era exibida juntamente com o outro desenho O Jovem Sansão no programa do Capitão AZA, na mesmo Tupi e seguiu pelos anos 1980 na A Turma do Lambe-Lambe (TV Bandeirantes), no Clube da Criança (TV Manchete) e  foi exibido mais alguns anos na programação do SBT e depois foi esquecida pelas emissoras.


Enfim, a animação mostrava crianças astronautas se virando no espaço, sem explicação de onde estão seus pais ou se eram órfãos, mas não importa. O lance de está no espaço com seus amigos faziam deste cartoon bem aceito pelas crianças. “They’re Just Little Kids!”

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