Review| Os bebês de Auschwitz, de Wendy Holden

A maternidade é uma força poderosa

Priska, Rachel e Anka. Mulheres que foram arrancadas de suas ótimas vidas, do seio de suas famílias, do conforto de seus lares, separadas de seus respectivos e amados cônjuges  e jogadas numa redoma de dor, desespero, tristeza, medo e incerteza. Suas histórias se cruzam nos campos de concentração nazista. O que elas tem em comum? As três estão grávidas enquanto a segunda guerra e a ocupação Nazista acontece no governo Hitler.

Sem seus maridos, privadas de itens básicos como água, boa alimentação e higiene, tendo seus corpos e seu psicológico abalados constantemente por oficiais hostis e de olhar impessoal sem nenhuma compaixão, elas lutam por suas vidas e por seus bens mais preciosos que carregam dentro de si: seus filhos.

A primeira parte relata a vida de cada uma, o que cada uma fazia de sua vida antes de serem aprisionadas e levadas para um lugar de desespero onde roubaram até mesmo sua identidade e feminilidade. Eram pessoas que tinham uma vida, tinham família, sonhos, projetos. Que foram tirados delas covardemente. Fotografias destruídas, cabelos raspados, lembranças apagadas pouco a pouco. Todas sendo mal tratadas, degradadas, envergonhadas, humilhadas, ao ficarem nuas perante umas as outras na frente de oficiais para serem examinadas a avaliadas feito gado.

Lá, no meio de tanta dor e desespero, foram obrigadas a serem fortes. A sobreviver a cada dia , no meio da falta de higiene, piolhos, doenças, subnutridas e desidratadas. Em meio ao caos e o medo que cada uma tinha de algum dia ser convocada para ter sua vida encerrada numa câmara de gás ou num crematório junto a milhares de outros corpos. Sem ter cometido nenhum crime. Apenas por serem judeus. Tentaram fazer delas um solo árido, mas a vida fala mais alto e ali em condições precárias nasceram três milagres. De três mães valentes, símbolos de força e  resistência.

Que livro! Sempre fico muito triste quando o assunto é holocausto. É um tema que não tem como ler sem sentir empatia, sem se sentir tocado e emocionado. A gente vai lendo e lamentando por esses acontecimentos, por todas as atrocidades cometidas contra aquelas pessoas. Pelas que sobreviveram e por aquelas que não tiveram a preciosa oportunidade de retomar e voltar a viver a vida. Sentimos a dor de todas as rupturas pelas quais passaram. maridos e esposas que foram separados, pais e mães que nunca mais viram seus filhos. Irmãos que jamais voltaram a se encontrar. Muitas vidas dizimadas. Muita miséria, humilhação, agressão física e psicológica e degradação humana. Mesmo aqueles que sobreviveram não conseguiram esquecer a dor que lhes foi causada, pesadelos e transtornos psicológicos os acompanham até hoje.

Em condições extremas essas três mulheres foram exemplos de garra, provando que a maternidade é uma força poderosa na terra. O amor e o desejo que seus filhos viessem ao mundo, mesmo em condições tão precárias e tristes foi o que as manteve vivas. Para eles, por eles!

Uma narrativa histórica sobre suas vidas antes e depois do holocausto. Repleto de fotos e fatos que nos aproximam dessas mulheres e as marcas de suas vidas. Relatos minuciosos e impactantes que dão ao leitor toda a visão do sofrimento vivido nesse período. O maior genocídio que o mundo já conheceu.

Um livro de Wendy Holden, lançado no Brasil pela Editora Globo livros que você não pode perder.

 

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here