Crítica | Duna (2021)

A cultuada obra de Frank Herbert influenciou gerações de escritores e diretores e sempre foi considerada inadaptável, mas sabemos o quanto Hollywood pode ser insistente. Depois de uma adaptação um tanto desastrosa, dirigida por David Lynch em 1984, uma minissérie no começo dos anos 2000 e várias tentativas frustradas de novas adaptações, incluindo a famosa tentativa de Alejandro Jodorowsky, que pelo menos rendeu um ótimo documentário, chegamos a essa versão de Denis Villeneuve para o famoso livro.

Na história, acompanhamos o jovem Paul Atreides (Timothée Chalamet), cuja vida está prestes a mudar radicalmente. Ele é obrigado a deixar seu planeta natal para sobreviver ao ambiente árido e severo de Arrakis, o Planeta Deserto.
Envolvido numa intrincada teia política e religiosa, Paul divide-se entre as obrigações de herdeiro e seu treinamento nas doutrinas secretas de uma antiga irmandade, que vê nele a esperança de realização de um plano urdido há séculos.

Visualmente é um triunfo! Com uma fotografia impecável e designs sóbrios, mas chamativos, somos apresentados a um cenário que enche os olhos, ao mesmo tempo que é opressor, ditando o tom que o diretor quer passar ao público.

Outro ponto que chama a atenção é a trilha de Hans Zimmer, que consegue potencializar as sensações que o filme quer passar. Mas, apesar de ser um dos melhores trabalhos do compositor, a trilha não equilibra bem com o som ambiente.

O trabalho do estrelado elenco é competente, ninguém se sobressai nem compromete. Os personagens são razoavelmente bem trabalhados, até porque são muitos, que ainda rivalizam o espaço com as explicações sobre o cenário, indispensáveis para tornar a experiência mais amigável.

A história é capaz de prender a atenção dos espectadores, porém a falha de ritmo é latente. Vale lembrar que esse filme começa com um “Parte 1” e conforme vai se desenvolvendo, percebemos que a estrutura dele está preparando para uma continuação. E isso é prejudicial, pois não há um clímax, sequer há um final satisfatório, pondo em cheque o engajamento do público.

Fica claro que cenas de ação não são o forte do diretor, o roteiro pedia que ele saísse da sua zona de conforto, mas lá ele resolveu ficar. A mais grandiosa cena, que inclusive poderia ser um bom clímax, se passa no escuro com muita coisa acontecendo, muita movimentação de câmera, além de bastante fumaça.

De qualquer maneira Duna é um triunfo que assistida junto com sua, agora confirmada, continuação promete ser algo épico e inesquecível. Mas teremos que esperar até outubro de 2023 (data prevista para o lançamento da segunda parte) para saber.

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