Review | O Balé das Aves Mortas, de Larissa Prado

Review | O Balé das Aves Mortas, de Larissa Prado

O gênero de terror explora temores enraizados em nossa psiquê; é um território onde o próprio inconsciente coletivo moldou e modificou estórias e narrativas ao longo dos séculos. Vários autores trouxeram seu embate entre a realidade e a loucura, entre o que pode ser explicado e um acontecimento impressionante, monstruoso. Podemos citar nomes como Clive Barker, Stephen King, HP Lovecraft, Edgar Allan Poe, Briam Lumley, Ramsey Campbell, Peter Straub, Thomas Ligotti, André Vianco, Cesar Bravo, Rô Mierling, entre outros, que trouxeram de suas mentes absurdos e delírios que nos criaram em nós, leitores, uma atmosfera de medo, agonia e tensão.

A autora Larissa Prado enveredou no terror desde cedo, mais aficionada pelo gênero horror, que se desafia aperfeiçoando os níveis de medo e do bizarro em suas narrativas. A vencedora em 2019 do prêmio da ABERST (Associação Brasileira de Escritores de romance Policial, Suspense e Terror) como autora revelação traz em seu Balé das Aves Mortas (Skript Editora, 2019), um amalgama de terror, fábula, suspense e fantasia.

Um romance breve e atraente. Nos apresenta Luzia, uma jovem, como muitas outras, com o desejo de mudar de vida e conhecer o mundo, entretanto acaba encontrando forças inconcebíveis que transformam todo o seu curso. A autora nos leva a uma trilha insana, que molda todas as crenças que sua protagonista tinha em um lamaçal de mistérios. O texto pavimenta uma estrada que conduz ao insólito – sem que percebamos para onde estamos indo realmente.  E tome plot twist para nos surpreender.

Capa de Daniella Salamão

Balé das Aves Mortas apresenta a história de uma menina bem ingênua que acaba se tornando alvo da vida que leva. Um cotidiano pesado e cruel de famílias que vivem na miséria. Uma metamorfose resultante da violência psicológica que viveu e a que sofre, além das barreiras que negaram os seus sonhos. Ela se torna o veículo pelo qual a autora joga os leitores em uma situação muito sinistra, aterradora e surpreendente.

A loucura se torna sua válvula de escape e ao longo da narrativa, como uma armadilha lhe faz feridas, mas é através dela que ocorre sua redenção. Há cenas intensas e surreais ao longo do texto, como um diálogo com animais retorcidos.

Larissa Prado seguindo o estilo do terror contemporâneo, é bem direta, com uma narrativa fácil e rápida, sem muitas descrições, nem muitos personagens, fazendo o leitor devorar e cair na sensação de ver a inocência ser esmagada pela dureza da vida e completamente destruída pelo horror sombrio.

O livro tem belíssimas ilustrações de Yuri Perkowski Domingos.

O final nos deixa perplexos, com aquela sensação de horror que nos falta ar; da mesma forma que os personagens topam com a protagonista. Surpreendente a leitura, e fazendo uma análise maior, Larissa Prado da forma que construiu essa história, garante seu lugar entre os grandes nomes da ficção contemporânea.

Recomendamos para quem gosta do terror, com aquele suspense que remete aos mistérios que a vida nos leva, como uma fábula sobre a loucura e nos faz imaginar uma coisa quando a realidade é outra. E a realidade nem sempre é bela. Sombrio, por sinal, no caso de Balé das Aves Mortas.

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