Livro traz um revisionismo humorístico da História do Brasil

Jornalista Ricardo Mioto conta o que há de mais engraçado, curioso e divertido na História do país. Em “Breve História bem-humorada do Brasil”, ele descreve passagens pouco conhecidas de fatos e de figuras históricas. Com a função de divertir, o livro também leva à reflexão, ao relacionar o que aconteceu no passado aos problemas atuais, mas de uma forma irreverente e sem os rigores da academia

Livro será lançado no dia 2 de maio na Livraria da Vila na Alameda Lorena em São Paulo

Quem nunca leu pelo menos um trecho da carta de Pero Vaz de Caminha, o primeiro relato histórico do descobrimento do Brasil? E quem também não se entediou com as datadas construções do nosso mais antigo escriba, numa época em que storytelling estava longe de se tornar moda? É exatamente por isso que figuras como Diogo Dias passaram completamente despercebidas na história do país. Navegador da esquadra de Pedro Álvares Cabral, ele foi o mais, digamos, animado entre os primeiros portugueses que passaram por aqui, cuja empolgação ao confraternizar com os índios de Porto Seguro foi tanta que ganhou menção na carta oficial ao rei. “Por que falamos tanto nesses insuportáveis Pedro Álvares Cabral e Pero Vaz e tão pouco em Diogo Dias, inventor do flerte, pai do carnaval, forrozeiro, axezeiro e chicleteiro?”, questiona Ricardo Mioto em “Breve História bem-humorada do Brasil”.

Como jornalista, Mioto é treinado em enxergar o curioso, o diferente e, muitas vezes, o engraçado naquilo que para outros é banal e corriqueiro. E foi essa habilidade que usou para escrever o livro, uma releitura anedótica da história do Brasil, cheio de referências atuais. Como, por exemplo, quando ainda no século XVI Portugal tentava consolidar o seu poder sobre a colônia e evitou por pouco que os cariocas hoje falassem fazendo biquinho francês, em vez do famoso S chiado, motivo de amor e ódio no país. “Tudo isso para no final entregarem a localidade a Sérgio Cabral, de modo que era melhor ter deixado com os franceses”, diz o livro.

Cobrindo desde os tempos da colônia aos dias atuais, “Breve História bem-humorada do Brasil” não constará na lista de material escolar da sua filha e dificilmente servirá de base para alguma questão do Enem, embora todos os principais conteúdos estejam lá. É verdade, sem se preocupar tanto com a precisão histórica. Duque de Caxias, patrono do Exército e principal líder militar da Guerra do Paraguai, nunca disse a frase “bota na conta do papa”, como registra o livro. O autor não alivia a barra de ninguém. Pedro I, herói da independência? “Espécime daquela categoria de homens definidos como ‘pinto louco’ ”. Tiradentes, revolucionário e a “alegria para viúvas saudosas de algum balanço”.

É verdade que algumas das situações da nossa história parecem mesmo piada, mas não são. Como a rivalidade entre o marechal Deodoro da Fonseca e o visconde de Ouro Preto pelo coração de uma viúva. O visconde levou a melhor e anos depois, quando era primeiro-ministro do Império, perdeu o cargo com a Proclamação da República, liderada por Deodoro. “Parece piada, mas tudo que estou contando aqui, tirando obviamente algumas frases e um comentário absurdo ou outro (não, Deodoro não tinha uma Pampa nem Floriano tinha um Corcel…), é absolutamente verdade, inclusive toda a relutância de Deodoro em proclamar a República, a parte do visconde de Ouro Preto, a história da viúva gaúcha e a decisão final de Deodoro de derrubar o governo”.

Inegavelmente, a História do Brasil, como a da maior parte dos países, é violenta, recheada de conflitos, mortes, extermínios e tortura. Além, claro, dos mais de 300 anos de escravidão e de diversos golpes, contragolpes e insurreições que aprendemos na escola. Mioto não evita os temas pesados, e nem poderia, mas busca aliviar a barra com humor. “Um dia ainda vamos rir disso tudo”, poderia ter sido dito tanto por Tiradentes, como por Pedro I ou Deodoro da Fonseca. Talvez eles mesmo não tenham chegado a rir, mas, com “Breve História bem-humorada do Brasil”, nós certamente temos esta oportunidade.

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O autor Ricardo Mioto.

 

Ricardo Mioto é jornalista, tendo trabalhado por sete anos na Folha de S. Paulo, onde foi repórter de economia, editor de ciência e editor de artigos de opinião, entre outros cargos. Atualmente é diretor da FSB, a maior agência de comunicação do país.

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