Mário Magalhães lança livro sobre 2018

Em Sobre Lutas e Lágrimas – Uma Biografia de 2018, o repórter Mário Magalhães oferece a primeira grande narrativa jornalística e literária (de não ficção) sobre 2018. O livro conta os fatos, as ideias e os sentimentos que culminaram com a eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência. Mário Magalhães é autor da biografia de Carlos Marighella, adapatada para o cinema por Wagner Moura.

As consequências de 2018 serão tantas no futuro que, na opinião do autor, o ano tão cedo não vai terminar. Daqui a meio século, é provável que a memória trate 2018 no Brasil conferindo-lhe a mesma relevância com que, 50 anos mais tarde, recordou-se de 1968. O jornalista e escritor Zuenir Ventura, autor do clássico ‘1968 – O Ano Que Não Terminou’, costuma se referir ao objeto do seu livro como um personagem, tamanha a envergadura histórica que aquele ano ganhou. Mário Magalhães afirma que 2018 também é personagem. Por isso, classifica Sobre Lutas e Lágrimas como uma biografia. Começa com o Réveillon da vereadora Marielle Franco e se encerra com a iminência da posse de Jair Bolsonaro. O terceiro protagonista é o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O assassinato de Marielle e do motorista Anderson Gomes (14 de março), a prisão de Lula (7 de abril) e a facada em Bolsonaro (6 de setembro) são momentos dramáticos dessa história.

Os relatos de Magalhães foram escritos a quente, no olho do torvelinho. O livro reconstitui a gênese do “kit gay”, a mentira que mais influenciou uma eleição presidencial no Brasil; a caçada a macacos, como se fossem transmissores da febre amarela; as iniciativas medievais contra a vacina; o fenômeno do feminicídio; a volta da censura; a Copa do Mundo em que Neymar caiu; a ascensão da extrema direita; o surto chamado “Ursal”; a intervenção militar no Rio de Janeiro; o drama do suicídio, de índios a jovens urbanos; as ações do movimento Escola Sem Partido; a paralisação dos caminhoneiros; a militância política do Doutor Bumbum; a politização da Justiça e a judicialização da política; o incêndio no Museu Nacional; a violência física no processo da eleição; as fake news como instrumento para iludir os eleitores; o WhatsApp como meio de difusão de falsidades; as estratégias e os confrontos decisivos entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad; a nostalgia pela ditadura e os ataques aos direitos humanos; o “#EleNão” e outras resistências ao obscurantismo; a ilusão do vira-voto; a história do clã Bolsonaro; os entreveros na fronteira com a Venezuela; o legado de Michel Temer; o “Ninguém solta a mão de ninguém”. Em suma, nas palavras impressas em Sobre Lutas e Lágrimas, as histórias de “um país castigado por dores e inflamado por paixões”.

Quem perdeu episódios do ano em que a polarização política conflagrou o Brasil terá a chance de conhecê-los. Que os viveu os verá/lerá passados a limpo, mês a mês, semana a semana, dia a dia. O livro alinha os fatos cronologicamente. O autor combina ensaio, reportagem, artigo e crônica. Analisa, mas se dedica muito mais a contar _e muitas vezes emocionar. “É um livro indignado, em um tempo que exige indignação”, escreveu Mário Magalhães.

Sua narrativa se opõe à “história oficial” dos vencedores da eleição. Mas é crítica também com os derrotados: “Lula e seus pares se prepararam para a eleição como o general que se arma para a próxima guerra supondo que ela mimetizará a anterior”. E compartilha, no calor dos acontecimentos, o espanto: “Talvez pesquisadores do comportamento, do poder, da mente e da alma jamais cheguem a uma conclusão sobre que mal se abateu sobre nós, para tanta gente acreditar que o prefeito Haddad distribuíra às creches mamadeiras com o bico em forma de órgão sexual. Ou que legalizaria a pedofilia”.

Sobre lutas e lágrimas é um retrato feito quando 2018 se desenrolava. É uma fonte de informação e análise para entender o ano que passou e avaliar as suas consequências, que relaciona passado e presente, de olho no futuro. É um documento para a história.

A ideia do livro nasceu quando Mário Magalhães escrevia colunas de periodicidade semanal para o site The Intercept Brasil. Muitos desses textos reaparecem, retrabalhados, no livro. Mas os capítulos mais importantes e mais longos são absolutamente inéditos, como a introdução “(“O ano que tão cedo não vai terminar”), o balanço do país no fim de dezembro (“Sequelas”) e os relatos sobre a incandescente reta final do primeiro (“Tsunami eleitoral”) e do segundo turnos (“‘Ninguém solta a mão de ninguém’”).

Sobre Lutas e Lágrimas – Uma Biografia de 2018, como o título sintetiza, é uma grande reportagem, entre o épico e o lírico, do ano que o Brasil jamais esquecerá.

Mário Magalhães é jornalista e escritor. Formou-se na Escola de Comunicação da UFRJ. Trabalhou nos jornais Tribuna da Imprensa, O Globo, O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo, diário em que foi repórter especial, colunista e ombudsman. Recebeu 25 prêmios jornalísticos e literários no Brasil e no exterior, entre eles Every Human Has Rights Media Awards, Prêmio Esso de Jornalismo e Prêmio Jabuti. É autor da biografia ‘Marighella: O guerrilheiro que incendiou o mundo’.

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