Nunca imaginei que os modders e mods fossem tão presentes em minha vida.

Quando era mais nova, achava GTA Sandreas um dos melhores jogos do mundo. Pagava R$2 em alguma Lan House para jogar durante uma hora com uma folha de cheats, – para ter uma experiência melhor na gameplay, e achava o máximo. E então, eis que surge para Playstation 2 com várias “versões” de CJ, protagonista do game: modo Sonic, Vegeta, Tropa de Elite e etc.

Versão Sonic de CJ em GTA San Andrea | imagem: divulgação

Anos depois, fui entender de que se tratava de mods feitos por modders. E isso se popularizou ainda mais anos seguintes com Minecraft com seus milhões de fãs, criando diversos formatos e tipos diferentes do jogo da Mojang.

Um toque de tecnologia em Minecraft | imagem: divulgação

Em uma das franquias mais populares da empresa Bethesda, The Elder Scrolls claramente não ficaria de fora. Na verdade, Skyrim, o quinto jogo da franquia iniciada nos 90, está sempre com modders criam e recriando seu ambiente e tudo o que está incluso nele.

Conversei com Fabrício Siqueira, 36, empresário e professor, joga Skyrim há mais de três anos e desenvolveu o mod PhoenixVivid ENB-Reshade que é um modificador gráfico para o Skyrim Special Edition, disponível em 6 versões.

É interessante ver como em pouco tempo, pôde melhorar a qualidade visual do game | imagem: divulgação/phoenixfabricio

“Resolvi começar a fazer um mod porque sempre fui fascinado por efeitos graficos em jogos. Alguns anos atrás, eu jogava Skyrim no console (PS3, onde não era possível utilizar mods) e certo dia um amigo me mostrou vídeos de Skyrim com mods gráficos. Eu fiquei estonteado”.

Siqueira contou que para fazer seu projeto, investiu (e muito) num computador que o possibilitasse jogar Skyrim e posteriormente, utilizar esses mods. Então, no final do ano passado, experimentou criar um mod gráfico com mais detalhe visual e completamente sozinho.

“As ferramentas utilizadas foram o ENBseries e o Reshade Framework, que permitem realizar diversos ajustes e customizações nos gráficos do jogo”. Quando perguntei se o que ele fazia era trabalho, respondeu que “foi feito por hobby” e que não esperava retorno financeiro, mesmo muitos modders receberem doações como agradecimento pelo trabalho.

Mais uma screenshot do projeto de Fabrício | imagem: divulgação/phoenixfabricio

Seu projeto levou menos de uma semana para ser publicado, entretanto, este mod é do tipo que evolui aos poucos, permitindo realizar novas atualizações. “Desde o lançamento inicial o maior desafio está justamente no fato de ser um trabalho que exige muita paciência, muitos testes, muitas observações”.

Conversei também com Alejandro Romanov, 39, esportista aposentado devido a uma lesão, decidiu criar mods como uma forma de manter a cabeça sempre ocupada. Conheceu The Elder Scrolls em 1994, jogando Arena, primeiro jogo da série de jogos da Bethesda.

Fez vários mods para o universo de Skyrim, um dos seus mais conhecidos é o Sulfur and Fire. Todavia, está com um projeto ainda maior, onde recriará a ilha Solstheim, que faz parte da versão original como um DLC, e trará de volta o Morrowind. Terceiro título.da franquia.

Projeto em andamento, promete trazer de volta a ambientação de Morrowind | imagem: divulgação/mihailmods

Romanov aprendeu a “moldar” sozinho e utiliza diversos programas para trazer um acabamento perfeito, usando 3D Max, Adobe Photoshop, zbrush, Cinema4D para algumas eventualidades e por fim Nifskope e Creation kit. E se demora fazer um projeto deste tamanho? Segundo o modder, depende do local: “uma ilha grande eu levo em torno de quatro meses”.

Ao contrário de Fabrício, Alejandro trabalha com quatro pessoas, no entanto, são para fazer texturas, até mesmo dublagem ou roteirização. “Eu não gosto de muita interferência na parte criativa, não acho que minhas ideias sejam necessariamente as melhores e que eles não poderiam ter ideias melhores que as minhas, mas eu interligo todo meu trabalho em uma linha de lore criada especificamente e que se funde com o lore original, se várias cabeças começarem a pensar ali, vai começar a dar furos”.

Mod de maior sucesso de Alejandro, Sulfur and Fire | imagem: divulgação/mihailmods

Como os mods são acessíveis por não terem valor algum, ou por serem relativamente baratos, muitos gamers preferem de alguma forma ajudar o modder, no caso de Alejandro, por vontade própria não aceita doações, mesmo que possivelmente daria um ótimo retorno financeiro.

Veja também: Modder recria mundo de Dark Souls em Doom

Modification ou apenas mod, são alterações de jogos eletrônicos e recriam o universo da história original, feitos geralmente por fãs que entendem de softwares sofisticados. Um mod pode mudar completamente o conceito original ou ter alterações somente nos personagens, veículos, armas, texturas ou uma história completamente inédita.

Para comprovar que um mod não é algo simples e/ou amador, dois jogos muitos queridos pela comunidade de jogadores foram criados a partir do jogo Half-Life 2: Counter Strike e Garry’ Mode. Sendo Counter Strike: Go (CS:GO) muito lucrativo e ter diversos campeonatos, como os de e-sports.

Uma das maiores febres de todos os tempos, CS:GO | imagem:divulgação
Polêmica com pirataria

Por mais que a comunidade de gamers aceitem os modders e suas versões únicas dos jogos, muito associam este tipo de desenvolvimento com pirataria. E isso se tornou muito mais popular com o já mencionado GTA San Andreas com as mais bizarras modificações. Há cerca de dois anos, a Rockstar, empresa responsável pela série de jogos, expulsou um grupo de modders da comunidade do GTA Online, Social Club, segundo a empresa, o grupo foi banido devido utilizar um código que, no caso, facilitaria a pirataria. A empresa afirmou que esse mod quebrou os termos de uso da Rockstar, o que justifica bastante o banimento. O grupo FiveM alegaram não saber que haviam quebrado esse tipo de conduta.

Quer conhecer trabalho dos modders desse artigo?

Página de Fabrício no Nexus

Página de Alejandro no Nexus