Livro de ensaios “Saudades dos cigarros que nunca fumarei”, de Gustavo Nogy é lançado

O ensaio é aquele texto breve, de opinião, onde se expõe as impressões pessoais sobre um determinado tema. Considero o mais alegre dos gêneros da literatura. E o mais simpático, por trazer o encanto e o charme do ensaísta em suas linhas. Como Alexandre Soares Silva, analisa que “o ensaio é aparentado da crônica de jornal, do qual é um primo um pouco mais estendido e variado. Ambos requerem o charme de que falei no parágrafo de cima. Vivem disso: são os dois gêneros amigáveis. A crônica é uma conversa amigável de dez minutos num bar; o ensaio é uma conversa de uma hora ou duas na casa de campo de um amigo.”

Pois bem, a editora Record, traz o Saudades dos cigarros que nunca fumarei do Gustavo Nogy, com ensaios que abusam das ilusões, daquelas que nos confortam, em especial numa época tão antagônica como a atual. E Nogy destrói esses confortos: não, não confie no Estado; não resgate a sua criança interior; não estrague o seu final de semana com viagens a praias lotadas – e aprenda a ficar em casa.

De trivialidades a febre do Pokemon, a dores de cabeças ao cruel dia-a-dia de uma grande cidade, do femismo, entre outras coisas. Como na sinopse da editora já diz, no final o autor se torna para o leitor um bom amigo. Que provoca, que diz as coisas como as coisas são, que às vezes até ultraja. Mas que nunca perde o humor nem a vontade de ouvir – e a de conversar, em boa prosa.