Review | Hibisco Roxo, de Chimamanda Ngozi Adichie

Em um romance até mesmo biográfico Chimamanda nos apresenta o relato de uma história onde personagens são escravizados em nome de uma religiosidade extrema e de uma África atual e necessitada de amor e respeito.

O livro é um retrato social, religioso e politico escrito de forma forte, direta e sincera. A escritora jovem consegue entregar personagens bem elaborados e cativantes, impossível não se identificar com a narradora Kambili uma jovem que tem tanto a viver e a conhecer.

O livro lançado pela Editora Companhia das Letras no ano de 2016 segue sendo um clássico importante. Protagonista e narradora de Hibisco roxo, a adolescente Kambili mostra como a religiosidade extrema e católica de seu pai, Eugene, famoso industrial nigeriano, consome lentamente a vida de toda a família. O pavor de Eugene às tradições primitivas do povo nigeriano é tamanho que ele chega a rejeitar o pai, contador de histórias encantador, e a irmã, professora universitária esclarecida, temendo o inferno. Mas, apesar de sua clara violência e opressão, Eugene é bem visto pelos pobres e, estranhamente, apoia o jornal mais progressista do país. Durante uma temporada na casa de sua tia, Kambili acaba se apaixonando por um padre que é obrigado a deixar a Nigéria, por falta de segurança e de perspectiva de futuro. Enquanto narra as aventuras e desventuras de Kambili e de sua família, o romance também apresenta um retrato contundente e original da Nigéria atual, mostrando os remanescentes invasivos da colonização tanto no próprio país, como, certamente, também no resto do continente.

Quando terminei a leitura do livro e pensei em escrever essa resenha minha preocupação maior era como eu ia escrever sobre um livro onde tudo se torna em volta da religião sem ofender ao leitor. A escrita ainda que leve ela se torna bastante pesada ao relatar as violências de Eugene, um fanático religioso extremo que acredita ser o porta voz de ”Deus” e que sua família tem que ser o instrumento de adoração e exemplo de fé e perseverança cristã.

Eugene é controlador e violento, em uma de suas violências ele agride a mulher com uma mesa e lhe causa um aborto. A violência também é psicológica, após o acontecido ele manda os filhos fazerem uma centena de orações para que ”Deus Tenha piedade da mãe e assim perdoe os seus ”Pecados”.

Kambili e seu irmão são jovens que tem tanto a conhecer e aprender, ao tempo que eles são entregues a toda essa prisão do pai eu me sentia inconformado. Certos momentos da leitura eu relia o mesmo trecho umas 3 vezes para acreditar naquilo que tinha sido descrito.

Os momentos na casa da tia era algo retratado como leve e de esperanças, ainda que a tia vivia em um caso de pobreza extrema a riqueza ali era de liberdade, a riqueza ali maior era o amor e a união daquela família.

Chimamanda mostra em seu livro um quadro social de miséria, desigualdade, de falta de educação e saúde básica. Tamanha coincidência com a realidade assusta, um governo totalitário e um regime de repressão capitalista.

O final do livro me deixou bastante intrigado, pois em certa parte me lembrou o final do livro Proibido de Tabitha Suzuma. Uma história como essa não poderia terminar ao todo com um final repleto de felicidade, o final aqui é cheio de marcas, de traumas e de aprendizado a cada personagem.

O livro de Chimamanda é uma leitura obrigatória por ser bem construído, por ser quase documental, por se tratar com inteligência de um assunto tão Tabu e por mais ainda nos apresentar a literatura fantástica de um país que pouco sabemos de sua cultura, força e tradição.

E no final a pergunta que fica é só uma: Os hibiscos que florescem ao sol da Nigéria são os mesmos que florescem aqui?

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