Review | Fahrenheit 451, de Ray Bradbury

Um dos avôs do gênero distopia. Leia com moderação.

Fahrenheit 451, de Ray Bradbury começou a ser escrito em 1947, e foi lançado em 1953.

No Brasil temos diversas edições deste livro, sendo que atualmente a mais fácil de ser encontrada é a da Biblioteca Azul, um dos selos editoriais da Globo Livros, cuja capa está como imagem principal neste post.

Um livro com 66 anos pode ser considerado antigo por muitos, mas hoje, ao receber mensagens no meu whatsapp e abrir a internet e ver a foto de policiais revistando estandes de livros na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, foi a primeira imagem que me veio a cabeça.

Quantos velhos Montags estavam ali naquelas fotos?

Não sabe do que eu estou falando?

Ainda não leu Fahrenheit 451?

Tem medo? Acha o livro chato? Acha que não vai gostar?

Tente!

A linguagem do livro soa um pouco datada para leitores acostumados com distopias cheias de ação como Jogos Vorazes ou Divergente, mas a mensagem embutida neste texto e o aspecto visionário da obra chegam ao leitor como tapas na cara.

Como Ray Bradbury pode prever nosso mundo atual com tanta perfeição?

Ou será que o mundo se baseou neste texto para ser construído?

Podemos dizer que Fahrenheit 451 é, junto com 1984 de George Orwell e Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley, um dos avôs das atuais distopias tão na moda.

E é incrível pensar que há 66 anos Ray Bradbury já conseguisse imaginar este mundo que criou em seu livro e que muitas vezes nos remete ao nosso mundo atual e aquilo que nos espera.

Como o triste dia de hoje.

O livro é curto, mas consegui marcar trechos enormes de um texto extremamente profundo.

Temos aqui a estória de Montag. Ele é bombeiro em uma época onde as casas não pegam mais fogo.

Nesta nova era a função dos bombeiros é queimar livros, já que livros são proibidos, pois pessoas com mais conhecimentos tendem a se considerar melhores ou superiores, o que é prejudicial à vida em sociedade. De acordo com seu chefe, o importante é nivelar a todos, enchendo a todos de informação superficial sem que eles tenham tempo de discutir.

O número 451 é a temperatura (em graus Fahrenheit) da queima do papel, equivalente a 233 graus Celsius.

“Não os levem para terrenos escorregadios como a filosofia ou a sociologia, em que tenham de confrontar a sua experiência. isso É a fonte de todos os tormentos”

Existe uma guerra iminente, mas todos estão em suas casas vendo programas de televisão em suas quatro paredes.

Estes programas “conversam” com as pessoas e as fazem se sentir parte da sociedade.

Sem discussões ou filosofias.

As pessoas preferem lidar com seus televisores ao invés de conversar com seus familiares. Muito diferente de nossas atuais famílias e nossos celulares?

Quando andam em seus carros, devem andar sempre acima se 80 km para não terem tempo de perceber a realidade ao seu redor.

“O importante para ti, Montag, é lembrares que somos alegres foliões, tu, eu e os outros. Fazemos frente à maré daqueles que querem mergulhar o mundo na desolação, suscitando o conflito entre a teoria e o pensamento. Aguentemos. Não deixemos a torrente de melancolia e da triste filosofia afogar o nosso mundo. Contamos contigo. Não creio que dês conta da tua importância, da nossa importância para proteger o otimismo do nosso mundo atual. Vivemos num tempo em que as flores se esforçam por subsistir por si mesmas, e não pela terra rica e pela chuva benfazeja”

Montag segue as ordens sem questiona-las, até o dia que conhece Clarisse, sua vizinha que pode ser descrita como uma hippie e que lhe coloca dúvidas:

Porque os livros são queimados?

O que existe de útil nas imagens e diálogos na parede?

O que existe de real nesta vida que eles vivem?

Isso desperta a curiosidade de Montag, que ao ter que realizar um “serviço”, acaba “sequestrando” um livro e se perguntando que mal existe naquilo.

A linguagem do livro é um pouco antiga, mas a discussão é extremamente atual.

Este livro já teve diversas interpretações, e hoje ao ver a tentativa de censura do governo carioca ele me veio a cabeça, por este viés de censura, mas o autor disse que ele não queria falar sobre censura, mas sim em como a novidade da televisão vinha tirando o interesse das pessoas sobre a leitura.

Mas para mim, em Fahrenheit 451, Ray Bradbury discute o emburrecimento mundial em busca de uma pseudo felicidade.

O mundo de Montag acredita que não pode haver tristeza. Mas não percebem que aquilo proposto não é uma vida, mas sim uma sobrevida.

Após seu “despertar”, Montag encontra aquilo que chamarei de os “homens livros”, que se esforçam para manter o legado dos livros de uma maneira muito especial. E é ali que o autor nos passa uma das mensagens mais bonitas do livro:

“ Conserva sempre o espanto nos olhos. Vive como se fosses morrer dentro de dez segundos. Olha o mundo. Ele é mil vezes mais extraordinário que todos os sonhos que se podem fabricar em série nas fábricas. Nem propaganda, nem garantias, nem segurança, nunca um animal com esse nome existiu. E, se tivesse existido, seria parente desse preguiçoso que fica pendurado de um ramo todo o dia, de cabeça para baixo, e consagra toda a sua vida a dormir. Ao diabo, sacode-me essa árvore e faz com que esse preguiçoso bata com o rabo no chão!”

Que a gente consiga sacudir nossas arvores e não nos deixemos levar pela preguiça do “mais do mesmo”.

Tudo o que Ray Bradbury pregava era que o homem devia ter opinião. Como será que ele se sentiria com o mar de opiniões exalando ódio em tempos de internet?

O mundo evoluiu e o homem conseguiu se auto oprimir, sem nem precisar de ajuda de governos e cães robôs.

Ou será que tudo o que existe por ai é a evolução das 4 paredes?

Livro para pensar, já que infelizmente, pelas demonstrações de hoje, a conclusão é que o homem não consegue aprender nada com seus erros.

Fahrenheit 451 - Diversas capas estrangeiras
Fahrenheit 451 – Diversas capas estrangeiras

E você, já leu este livro?

Curte distopias? Acredita que elas sejam realidades distantes ou também acha que a água já está batendo as nossas portas?

Capa da Edição em Quadrinhos
Capa da Edição em Quadrinhos

Agora em agosto de 2019 a Editora Excelsior lançou a versão autorizada do livro em forma de Quadrinhos, que parecem ser muito interessantes, pois o efeito visual com certeza ajuda na compreensão de estória

Vamos conversar nos comentários.

E não se esqueça que temos muitas outras indicações, clique aqui e conheça um pouco mais.

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