Entrevista com o game designer Lucas Melo

Olá, amigos do Mundo Hype! Trazemos para vocês uma entrevista com o game designer Lucas Melo, um jovem cearense, que lançou o Histórias de Pescador, um jogo de cartas que brinca com o tema do título.

1. Lucas, poderia se apresentar ao Mundo Hype?

Bom, vocês já sabem meu nome. Tenho 28 anos, moro em Fortaleza. Sou graduado em contabilidade e há 8 anos trabalho com atividades financeiras e administrativas e passei por diversas empresas. Hoje tô fazendo minha segunda graduação no curso de Nutrição.

2. História de Pescador é o teu primeiro projeto a ir para a esfera comercial. Como foi o processo de criação e refinamento do jogo?

Eu sempre tive um olhar crítico em relação a todos os jogos que jogo. Eu gosto de pensar, como um jogo que eu gosto ficaria mais equilibrado, melhor, mais fácil de aprender? O Histórias de Pescador é baseado em jogo de baralho conhecido como Mentira ou Desconfio. Embora eu gostasse desse jogo, ele tinha alguns “macetes” que favoreciam muito os jogadores mais experientes. Isso não é uma boa característica para um jogo festivo. Sendo assim, eu comecei a tirar algumas regras que eu achava desnecessárias. Em um jogo desse tipo, é bom observar quais são os momentos mais divertidos do jogo e buscar maximizá-los. Eu percebi que a maior diversão estava na sensação e adrenalina de mentir, e também no sentimento de pegar alguém na mentira. Nesse jogo que usei como base, o jogador que mentia recebia uma grande punição, eu mudei isso para estimularem as pessoas a mentir mais. Da mesma forma, havia uma grande punição para quem se arriscava em duvidar de outro jogador e errava, também mudei isso, estimulando as pessoas a duvidarem. Depois, adicionei uma recompensa pra quem duvidasse e acertasse, enfim… fui aprimorando o jogo conforme eu enxergava suas falhas. Depois pensamos em uma temática que combinasse com o jogo e todo mundo sabe da fama dos pescadores de inventarem histórias, né? Então casou bem.

3. Como você vê a produção e o desenvolvimento de jogos em nosso país?

O mercado cresceu muito nos últimos anos. Os autores nacionais ainda estão construindo seu legado. O ambiente é competitivo porque hoje em dia os jogos mais famosos do exterior tem grande chance de chegar ao brasil, então qualquer autor nacional vai ter seu produto competindo com os jogos dos maiores nomes do design de jogos mundial, por isso não é simples uma editora ter interesse em publicar jogos daqui.

4. Quais são suas inspirações?

Em jogos? Eu me inspiro em jogos elegantes, ou seja, que conseguem ser simples em regras, e ao mesmo tempo possuem uma profundidade de possibilidades aos jogadores. Por exemplo, qualquer pessoa pode aprender a jogar xadrez, mas pode levar anos até ficar realmente bom. Eu não gosto de xadrez, mas esse é um excelente exemplo de jogo elegante. Acho que existe uma carência desse tipo de jogo no mercado. Meu jogo é uma tentativa de fazer isso, proporcionar muita diversão com poucas regras.

5. O que você está lendo/assistindo/jogando nesse período?

Estou lendo livros de fisiologia e artigos sobre nutrição, hahaha. Bom, falando de entretenimento, estou lendo o material recém lançado do Tormenta 20 RPG, que é também o que estou jogando nesse período. Confesso que não estou assistindo nada. Não acompanho muitas séries e as poucas que eu vejo estão em pausa ou acabaram.

6 Há algum outro projeto em fase embrionária? Algo que você gostaria usar para instigar os mais ansiosos? Claro, sem muito spoiler!

Em fase embrionária eu tenho vários engavetados. Mas há outro projeto bem desenvolvido sim, será um sistema de RPG com um cenário próprio. Logo logo vocês poderão saber mais sobre isso.

7. Você tem alguma sugestão para quem queira entrar nesse mundo?

Tire as idéias da mente e coloque em um papel. O próximo passo é criar um protótipo o mais rápido possível. Não se preocupe com o visual do jogo na primera versão. Não precisa ter todas as regras definidas, somente o que for necessário para começar a jogar. Tente jogar primeiro sozinho para ver se funciona, e para que consiga criar regras das situações que você não imaginou. Depois disso pode começar a mostrar para algum amigo, colher opiniões e fazer os primeiros ajustes. Se a coisa for caminhando, pode melhorar o visual do jogo para mostrar a desconhecidos.
Eu não apostaria em jogos grandes, complexos e principalmente caros. O preço do jogo é muito importante na produção e decisão de compra. É improvável que as pessoas comprem um jogo caro de alguém desconhecido pelo mercado. As editoras normalmente levam isso em consideração. Além disso, evite gastar dinheiro com arte do jogo no começo. Pode trabalhar um pouco da arte com imagens da internet quando for mostrar para alguma editora. Se for lançar por conta própria, precisará gastar com arte, mas recomendo deixar para o final do desenvolvimento. Muita gente gasta com arte e acaba sem conseguir publicar o jogo.

8. Cara, agradeço muito a sua atenção e te desejo sucesso e criatividade para produzir cada vez mais jogos pra gente! Deixa aí sua mensagem para o nosso Mundo Hype.

Para qualquer projeto sair do papel, disciplina é fundamental. Eu gosto de fazer exercícios, me alimentar bem, manter um horário de sono… quando tudo fica organizado, eu encaixo meu horário de produção dos meus projetos e eles avançam mais rápido. É bem mais difícil fazer isso em uma vida muito desregulada. E claro, joguem e se divirtam sempre!

Mais uma vez a equipe Mundo Hype agradece a disposição do Lucas em dedicar um pouco do seu tempo a nós!

Sobre o autor

Cadorno Teles
Professor de Ciências Biológicas e Física, Historiador, idealizador do Canto do Piririguá, astrônomo amador e curte Mestrar RPG e jogar um bom boardgame/videogame.

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