Emulando | Streets of Rage 4 (2020)

As ruas estão novamente cheias de fúria. A lendária série ‘briga de rua’ (beat ’em up) Street of Rage retorna em um novo jogo que respeita toda a essência dos cartuchos dos anos 1990, mas que ganha nova roupagem para os novos tempos.

Street of Rage 4 chegou, desenvolvido pelos estúdios DotEmu (estúdio francês, retrô, que se responsabilizou pela produção e pelo game design), LizardCube (que já trouxeram o belíssimo Wonder Boy: The Dragon’s Trap, na direção de arte do novo jogo) e Guard Crush Games (criadores da homenagem ao gênero beat ’em up, Streets of Fury em 2015, responsáveis da programação). Após 3 anos de desenvolvimento e 26 anos do último lançado pela franquia e com o aval da Sega tem enfim um novo título e nós que jogamos com 11 a 15 anos, e hoje com os cabelos ficando grisalhos, vibramos.

Os desenvolvedores foram conscientes do que estavam homenageando e é por isso que foram muito fiéis a todos os ingredientes que tornaram esta série excelente. Nada de experimentos extremos com os controles ou com o desenvolvimento. Aqui temos um bom  beat ’em up, com o avanço na rolagem lateral, derrotar todos os inimigos que encontramos e alcançar o chefe no final da fase. Streets of Rage 4 é controlado da mesma forma que  recordamos e, de fato, é surpreendente como nos sentimos confortáveis ​​desde o primeiro minuto: os movimentos, os hitbox e o comportamento dos protagonistas e demais personagens (NPCs) dão a sensação de serem os mesmos dos anos 1990, embora, como analisei, várias coisas foram acrescentadas.

A narrativa nos leva a 10 anos depois dos acontecimentos de Streets of Rage 3, em Wood Oak City, com as gangues de Mister X aniquiladas… Ou será que não. Seus filhos, os gêmeos Y, tomam o poder de novo e corrompem as forças naturais. Axel Stone e Blaze Fielding, os principais heróis da série, retornam para confrontá-los acompanhados por Cherry Hunter, uma roqueira, filha de Adam e Floyd Iraia, um marombado com braços robóticos.

Axel, mais velho e o personagem mais equilibrado.

Blaze é mais ágil, mas com menos resistência

Cherry é rápida e ágil, mas causa pouco dano

Floyd tem grande alcance e dano, mas é muito lento

Mas tem mais! Ao avançar um pouco no jogo, desbloqueamos o próprio Adam Hunter, que não era controlável desde o primeiro jogo do Mega Drive.

O jogo em si

Streets of Rage 4 possui 12 fases (level), que não são particularmente longos, mas com desafios suficientes para entreter. Por padrão, como todos sabemos, jogamos com a dificuldade normal, mas também é possível jogar com os níveis Fácil, Difícil, Muito Difícil e Mania, um nível que o próprio jogo coloca sarcasticamente como “injusto”. No início, só podemos jogar o modo História, mas, superando-o, desbloqueamos todas as outras possibilidades. E é aí que o jogo melhora mais ainda.

O modo História (Story) é surpreendentemente trabalhado (especialmente se o compararmos aos jogos originais), com cenas no final de cada nível que nos falam sobre corrupção policial, o papel dos filhos de Mister X, o plano dos heróis … Logicamente, não espere um roteiro do Oscar, mas é apreciado que a narrativa do cenário é ampliada. A ambientação das fases é muito fiel ao demais Street of Rage que conhecemos, começa nas ruas e vai seguindo pela cidade.

O sistema de controle está bem familiar. A jogabilidade lembra muito o segundo Street of Rage, Um comando pra pular, outro de ataque e outro executamos o ataque especial. Obviamente, desta vez, um quarto botão é adicionado para capturar e atirar objetos, o que ajuda a não pegá-los por engano quando queremos acertar ou vice-versa, algo que geralmente acontecia com o sistema de 3 botões. Ainda assim, podemos ativar um controle mais clássico, nas opções. Cada personagem também pode usar ataques (pressionando para frente, frente e ataque), vários ataques aéreos e duas variantes de ataque especiais, dependendo de estar em pé ou em movimento.

Neste jogo de luta de rua, novos recursos foram adicionados com relação a esses ataques especiais: os personagens recuperam um pouco de vida quando usam esses ataques, mas há uma estratégia para recuperar mais, sem spoilers, é bom aprender jogando. Além disso, temos um super ataque muito mais poderoso, acionada com dois botões e que consome uma estrela do nosso medidor e, embora seja possível encontrar estrelas escondidas pelas fases, são recursos muito escassos que precisamos distribuir muito bem durante os níveis.

É claro que, além de nossos punhos, durante todo o jogo, temos todos os tipos de armas no chão. É de longe o jogo mais variado da franquia. De tubos a garrafas típicas aos sinais de trânsito, granadas de todos os tipos a esfregões. Os inimigos estão todos lá, os membros de gangues chamados Galsia, os lutadores de kickboxing, etc, mas temos novos, como motoqueiros e policiais para derrotar. A propósito, outra mudança importante no desenvolvimento é que, desta vez, não avançamos contra o relógio, podemos passar o tempo que for em cada fase,  embora, quanto mais tempo demorar, menor será nossa pontuação no final.

O jogo ainda conta com multiplayer online para dois jogadores e multiplayer local para até quatro jogadores, pela primeira vez na série, além de um Modo de Batalha competitivo,

Uma homenagem marcante ao mais famoso beat ’em up

Os estúdios Lizardcube, Dotemu e Guard Crush desenvolveram uma homenagem que não se resume somente a fazer uma continuidade da franquia, mas fazem várias referências aos títulos anteriores. E o mais relevante é que, à medida que acumulamos pontuações, podemos desbloquear, em ordem, os personagens que controlávamos nos jogos anteriores. Assim, é possível controlar a versão antiga e pixelada do Axel de Streets of Rage 1 nos novos cenários, ou em qualquer uma de suas versões posteriores, por exemplo e com todas as particularidades que os caracterizavam. Ou seja, quando conseguimos desbloquear todos, escolheremos numa lista de 17 PERSONAGENS DIFERENTES. Obvio, que temos as variantes dos protagonistas, mas jogar com Skate Hunter ou o Dr. Zan é bem legal. Só o canguru Roo, lá de Streets of Rage 3 (que desbloqueávamos) não está nesta lista, mas temos uma pequena homenagem no jogo,

Os cenárioss também estão cheios de homenagens, com pôsteres e vitrais que lembram personagens do passado e as icônicas cabines Bare Knuckle e máquinas de fliperama que podemos quebrar para encontrar itens. Os gráficos e o visual é a grande mudança desta edição, o estúdio Guard Crush Engine repete o que fez em Wonder Boy The Dragons Trap, desenhando tudo a mão em um estilo cartoon/desenho animado que confere a SoR 4 um ar moderno e atraente. É incontestável que tudo está bem vivo, sem recorrer a gráficos 3D desnecessários. Tudo é aprimorado por cenários em que encontramos pessoas comendo, dançando nos clubes ou brigando ao fundo.

Como o trailer mostra a música é um caso a parte, um dos pilares da série está espetacular neste quarto título. Mesmo que a maioria das melodias tenha sido criado pelo estúdio, gênios como Motohiro Kawashima e Yuzo Koshiro (criadores das melodias originais dos 3 primeiros jogos) , Yoko Shimomura (músicas de Street Fighter II), Keiji Yamagichi (Ninja Gaiden), Hideki Naganuma (Jet Set Radio) estão lá para marcar o lado technic do jogo. Outro aspecto positivo, podemos ativar a trilha sonora clássica do Mega Drive ou até algumas das versões de 8 bits.

No total, Streets of Rage 4 é um jogo que funciona mais do que um mérito próprio, e brilha especificamente como um monumento à nostalgia dos anos 90 e de uma das melhores franquias de todos os tempos, se não a melhor.

PRÓS A quantidade de tributos para a franquia. Sua fidelidade à essência da franquia. Seu estilo visual.

CONTRAS O modo Versus poderia ser mais completo. Os problemas no PS4 online, que devem ser corrigidos em breve.

Anunciado em agosto de 2018 e lançado em abril de 2020 para Microsoft Windows, Nintendo Switch, PlayStation 4 e Xbox One.

Sobre o autor

Cadorno Teles
Professor de Ciências Biológicas e Física, Historiador, idealizador do Canto do Piririguá, astrônomo amador e curte Mestrar RPG e jogar um bom boardgame/videogame.

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