Emulando – Death Race (Arcade)

Início dos anos 1980, acompanhando alguns primos, vi pela primeira vez aquelas caixas estranhas, onde a turma mais velha ficava em volta e eu sem entender nada. Como um garoto do interior do Ceará, não entendia o que era os arcades, como ficaram conhecidos com o tempo. Com o tempo, já inteirado do que era, comecei a jogar naquelas máquinas ao longo de toda aquela década e também nos anos 1990. Dos diversos jogos produzidos, alguns não tive contato, entre os quais esse Death Race, que joguei em emulador, um controverso e polêmico jogo.

Como o próprio nome já diz literalmente, Corrida da Morte, Death Race, antes mesmo de Grand Theft Auto ou Carmageddon, tem a violência como mote para os objetivos de sua jogabilidade. Desenvolvido e lançado pela Exidy nos Estados Unidos  em 1976, o jogo foi baseado em um filme distópico de Roger Corman e Paul Bartel (de Piranha e Fuga de Los Angeles), onde um EUA do futuro possui como esporte nacional uma corrida onde o vencedor é aquele que atropelar mais pessoas pelo caminho.

O jogo foi projetado por Howell Ivy, um prolífico desenvolvedor que usou de um outro jogo, o Destruction Derby (1975), licenciado pela Exidy para uma empresa que estava em falência. Como a não queria ficar no prejuízo, decidiu modificar o jogo para ser vendido, sem problemas. Ivy, engenheiro recém-contratado modificou o código do Destruction Derby para criar este novo produto. O jogo anterior era de uma arena de carros que batiam um no outro, o que Ivy redesenha adicionando barreiras para os jogadores e os adversários, além de modificar movimentos e oponentes. Originalmente chamado de Pedestrian enquanto em desenvolvimento, mas logo mudado para “Death Race” como um reflexo dos mortos-vivos retratados no local de trabalho da desenvolvedora, feita por Michael Cooper-Hart.

O gabinete do arcade, visto em Tubarão 2.

 A jogabilidade de Death Race é bem parecida com games como o GTA ou o Carmageddon (1997), que permite aos jogadores atropelarem figuras humanoides no cenário do jogo. Death Race controlamos um ou dois jogadores com um volante e um pedal para acelerar. O carro que “dirigimos” tem que atropelar criaturas que fogem em todas as direções. Quando os atingimos,  os “gremlins” gritam e aparecem lápides no lugar deles. O desafio aumenta quando a tela se desordena e temos que evitar de bater nos obstáculos. Os seres só podem ser atingidos quando estão no campo de jogo, e há uma barreira, tipo um meio-fio, onde os veículos não passam. Na opção para dois jogadores, o maior número de mortes é o objetivo e assim colidem um com o outro pra impedir bater nas criaturas. Assim, foi o primeiro jogo arcade a apresentar um alvo em forma humana e com as características gráficas na máquina de fliperama que mostrava um esqueleto dirigindo um carro de corrida. Isso deu ao jogo uma aparência sinistra.

Os gráficos são bem rudimentares e monocromáticos, os personagens são blocos simples, mas os “gremlins” assemelham-se a bonecos e a narrativa da violência é contextual, o que contribuiu para as críticas levantadas na época. O jogo inspirou protestos da sociedade e foi um dos primeiros momentos de preocupação para com os videogames em relação se seriam prejudiciais para as crianças da América. Mesmo com a relação com o filme violento, que escandalizaram o público nacionalmente e não conseguindo dissociar com a imagem, a Exity lucrou com a publicidade dada mesmo sendo negativa, tornando se uma das principais desenvolvedoras da época e lançando Ivy ao mercado como game design.

Teve remakes para Playstation e Sega Saturn cancelados e na época foi praticamente proibido em muitos lugares. Atualmente podemos encontrar para jogar em alguns emuladores e em outras versões, como a do NES (1990) onde ganhou um cenário urbano, mais obstáculos e um helicóptero de tiro. A raridade do console, combinada com seu papel na narrativa da violência dos videogames, faz de Death Race  uma peça valiosa da história cultural.

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