Crítica | Killing Eve

Killing Eve é uma série da BBC Americana criada por Phoebe Waller-Bridge (conhecida por dar voz ao robô L3-37 de Han Solo). Baseada no livro chamado Codename Villanelle, de Luke Jennings onde conhecemos Eve Polastri (Sandra Oh, Grey’s Anatomy) que é uma funcionária de segurança de baixo nível da MI6 (Agência Britânica de inteligência) frustrada que sonha em ser uma espiã. Enquanto isso temos Villanelle (Jodie Comer, Doctor Foster) é uma caprichosa e perigosa assassina que desfruta de uma vida de luxo proporcionada por seu trabalho violento. Quando Eve começa a conectar Villanelle a uma série de assassinatos pela a Inglaterra, ela acaba sendo encarregada de encontrar a assassina é então que as duas acabam obcecadas uma pela outra e começa assim um jogo de gato e rato que toma proporções mundiais.

Um dos maiores acertos de Killing Eve é exatamente colocar duas mulheres como protagonistas em uma série de thriller de espionagem, e temos uma inversão de papéis nos dois sentidos. Temos Eve Polastri, uma investigadora que prioriza seu trabalho e coloca seu casamento em risco por conta disso. Temos também uma serial killer mulher que pouco se viu em séries de TV. Nesses aspectos, Killing Eve já se torna uma série inovadora e imperdível.

Jodie Commer e Sandra Oh em seu primeiro encontro.

O roteiro consegue trabalhar as duas personagens principais sem que nenhuma delas seja desvalorizada e esquecida, conhecemos as duas e nos simpatizamos mesmo com o fato de uma ser uma assassina. O mais impressionante é de como o roteiro também trabalha o envolvimento de Eve e Villenelle sem elas estarem presentes pessoalmente, ambas meio que orbitam uma na vida da outra e isso é genial. E há uma sensação de perigo eminente que assombra a série a todo momento.

Apesar de todo esse clima, a série também traz muitos momentos cômicos em cenários totalmente inadequados, um humor negro que talvez não agrade a todos mas que certamente se torna uma marca da série ao longo da temporada. O uso da comédia para críticas sociais feministas está presente, seja Eve Polastri, que é subjugada o tempo todo por ser mulher e querer ser uma espiã ou pela ótica de Vilenelle em que é colocada em xeque sua eficácia quanto como assassina.

Sandra Oh, Primeira atriz com descendência asiática a ser indicada ao emmy de melhor atriz dramática.

A direção dos episódios é interessante, com close-ups que valorizam a interpretação dos atores em momentos tensos, os enquadramentos e posicionamentos de câmera são criativos e alguns takes que contemplam as paisagens, já que como qualquer thriller de espionagem, as locações são extraordinárias e vão de Londres, Paris, Berlim a cidades da Itália e Bulgária.

As atuações são um show à parte e as protagonistas chamam muita atenção, tanto de Jodie Comer e Sandra Oh (Indicada ao Emmy de melhor atriz, sendo a primeira mulher com descendência asiática na história da premiação a ser indicada e que finalmente está conseguindo sair da sombra de sua personagem Christina Yang de Grey’s Anatomy), as duas atrizes estão ótimas em seus papéis, cada uma com sua complexidade e carisma individuais e que tem uma química inegável e bem construída. Há uma tensão quase que sexual entre as duas.

Os coadjuvantes também chamam a atenção, temos Fiona Shaw a eterna Tia Petúnia de Harry Potter em um papel importante e Dúbio que também tem grande importância na trama, Kim Bodnia que faz o Konstantin com quem Villenelle tem um vínculo quase paterno e David Haig (Quatro Casamentos e Um Funeral) como Bill, grande amigo da personagem de Sandra Oh.

Killing Eve com segunda temporada confirmada

Como um todo a série é uma boa escolha pra quem quer ver algum suspiro de originalidade na TV e, apesar de uma segunda temporada confirmada pela BBC, a primeira temporada ainda não chegou no Brasil, mas seguindo a lógica da BBC (Também responsável por Orphan Black) é bem possível que a série chegue por aqui pela Netflix.

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