Crítica | X-Men: Apocalipse

Apesar do nome, X-Men: Primeira Classe termina sem a equipe de mutantes da Marvel estar formada realmente. Ainda assim, uma coisa que chamou a atenção no longa foi a habilidade que o diretor Matthew Vaughn teve para dar ao longa aquele ar de quadrinhos muito particular. Esta aura, que foi absurdamente deixada de lado em Dias de um Futuro Esquecido volta com força em X-Men: Apocalipse não só como uma forma de mostrar um fechamento de trilogia, algo cada vez mais importante em Hollywood, mas para dar ao filme uma cara própria, uma cara mais próxima de o que os mutantes da Marvel realmente são.

No filme, somos apresentados à En Sabah Nur (em uma introdução extremamente bem feita, diga-se de passagem), mutante faraó egípcio que acreditava ser um deus. Entretanto, após ser traído por alguns de seus servos, ele acaba adormecendo, só acordando em 1983. Nesse ano, charles Xavier já criou seu famoso Instituto Xavier para Jovens Superdotados, mas não os X-Men em si. É apenas quando a ameaça chega que a equipe é formado com alguns dos alunos e antigos conhecidos de filmes anteriores para fazer aquilo para o que eles nasceram: Proteger um mundo que os teme e odeia.

É nítida a evolução de Bryan Singer como diretor deste filme em relação ao anterior. O diretor soube aproveitar melhor elementos da década de 80 para ambientar o filme, e soube contar o seu ponto de vista de o que é esta equipe, mas fazendo alguns acenos (os famigerados fã-services) para manter os fãs dos quadrinhos com ele. O equilíbrio entre estes dois aspectos pode ser exemplificado na forma como Magneto e Mística são apresentados na trama, por exemplo. Enquanto Eric buscava uma vida pacífica com esposa e filha na Polônia, e em alguns momentos se separa demais de sua contraparte guerrilheira contra o preconceito contra os mutantes, está sempre com uma camisa de flanela vermelha, da cor de seu uniforme (posteriormente ele usa seu capacete sem nenhuma necessidade, mas todos queriam vê-lo de capacete mesmo…). Já a Mística continua sua jornada de anti-heroína, mas aqui tem bons momentos com Noturno… E todos nós sabemos a ligação que estes dois tem…

Mas o maior ponto forte desta nova trilogia de X-Men continua sendo seu elenco. Elogiar James McAvoy e Michael Fassbender é lugar comum. A surpresa vem com Sophie Turner (que mostra que a Sansa Stark de Game of Thrones é sabotada pelos roteiristas) e principalmente com Tye Sheridan. O garoto é bom. Ciclope tem aqui não só uma presença, mas uma importância para trama que ele nunca tinha tido e que sempre mereceu. Começando cheio de marra, e cena a cena virando um líder de maneira absolutamente natural, Ciclope mostra o porque ele é, e sempre será, meu X-Men favorito. (não. Não comecei a gostar dele só apenas de Vingadores vs X-Men…)

Mas infelizmente o filme tem erros. E ele tem nome e sobrenome: Simon Kinberg. Assim como foi em Quarteto Fantástico o roteirista dá bastante tempo de tela para desenvolver seu núcleo principal, mas os coadjuvantes… Psylocke, que está com um uniforme lindo, só tem uma cena que realmente mostra quem ela é. Teempestade aparece um pouco mais, mas tem um motivo idiota para aceitar ser uma cavaleira do Apocalipse e o Anjo só será lembrado por causa da ideia brilhante de colocar The Four Horseman, do Metallica, para tocar quando é convocado… porque de resto… Dos quatro cavaleiros só quem se sobressai é Magneto, por ser o Magneto. Apocalypse, cujas alterações vão muito além de que apenas seu visual, fraco por sinal, tem boas cenas, muito em função da presença de tela de Oscar Isaac, que embora tenha um roteiro que não de a eles frases marcantes de convencimento, tem toda a pinta de político brasileiro charlatão. (o famoso me ajuda que eu te ajudo). Tem também o lance das coincidências de personagens chave estarem por perto em momentos chaves para a trama sem uma explicação plausível… mas isso virou rotina em filmes de super-heróis, infelizmente.

Assim, X-Men: Apocalypse acaba sendo um filme divertido. E é isso que ele se propõe. As deixas para uma continuação estão lá e são bem interessantes, resta a esperança de que mudem o roteirista. (E não, não falei do Mercúrio. Evite spoilers de suas cenas).

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