Crítica | Quando as Luzes se Apagam

Apagam-se as luzes, fecham-se as cortinas e o que sobra são boas ideias.

Os filmes de terror clássicos talvez sejam aqueles mais indicados para se entender os vários conceitos técnicos que permeiam um bom longa-metragem. Erre na sua mixagem de som e você pode acabar tirando o peso de uma cena de suspense. Use a luz de maneira equivocada e ninguém terá medo do seu filme. Picote muito as cenas, ou faça elas durarem mais do que o necessário, e uma cena incrível no roteiro pode passar despercebida durante a exibição. Ainda assim é, assim como a comédia, um gênero barato. Esses fatores explicam porque existem tantos filmes de terror no mercado e porque nem todos são bons filmes, e porque volta e meia temos gratas surpresas. Quando as Luzes se Apagam consegue ficar no meio termo.

O filme conta o caso de dois irmãos, Rebecca e Martin, que são assombrados por uma misteriosa figura feminina que apenas pode ser enxergada na penumbra. Os dois devem se unir para enfrentar a ameaça e ajudar a mãe de ambos a superar o trauma da morte do marido. Descrever mais do que isso da história poderia ser considerado spoiler, ainda que o trailer entregue sem nenhum medo vários detalhes da trama…

Acontece que a figura da mulher que só se mexe nas sombras é um conceito muito interessante. Ainda que ele possa parecer com vários e vários outros filmes com esta premissa, da pessoa-sombra, é sempre algo que aquece a imaginação. Como esta criatura nasceu? Porque ela existe? Porque estes seres bizarros teimam em mostrar poderes de teletransporte, intangibilidade, super força e ainda assim não conseguem abrir uma porta? São questões que sempre fazemos para entender o desconhecido. O problema é que só tememos o que não entendemos.

O filme, baseado em um curta do mesmo diretor, o estreante em longas David S. Sandberg, parece lutar a todo tempo para fazer este conceito singelo durar 1 hora e meia. Para conseguir isso ele enche o roteiro de explicações, cenas repetidas e Jump Scare. Ainda que justificáveis na eterna batalha dos diretores pela atenção da audiência, é complicado quando o filme tenta sobreviver apenas disso. É apenas no terceiro ato, quando o diretor parece ter se encontrado com a movimentação da câmera e os efeitos sonoros, que o filme consegue mostrar a que veio. Não que seja um clímax magnífico que vai tornar este longa um novo Invocação do Mal, mas é o suficiente para fazer ele sair da mediocridade e fazer valer a pipoca.

Aliás, procure não se virar e encarar muito a criatura sombria de pé atrás de você. Ela é tímida.

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