Crítica | Pets: A Vida Secreta dos Bichos

A Illumination é um estúdio de animação que ganhou o mundo com Meu Malvado Favorito. O filme partia de uma premissa interessante e tinha como ás na manga os personagens coadjuvantes conhecidos como Minions. Os personagens cresceram tanto na cultura pop que eclipsaram o péssimo segundo longa, Meu Malvado Favorito 2, e não seguraram a barra quando ganharam um filme próprio. Eles precisavam de um novo rumo que permitisse à empresa crescer com uma nova marca, e a marca escolhida foi o longa aqui analisado.

Em primeiro lugar, é preciso reiterar que em nenhum momento Pets: A Vida Secreta dos Bichos tenta ser um bastião na forma como animações são feitas. Seu roteiro é uma colcha de retalhos de diversas fontes diferentes. Sua estrutura básica é Toy Story (Max, o protagonista, é o cachorro de Katie. Sua vida muda quando ela traz um cachorro novo para casa, Duque. Os dois se desentendem por ciúmes e em função disso se metem em altas aventuras). O ritmo é frenético como em um filme da franquia Madagascar, as sequências de humor são pensadas como esquetes de programas humorísticos, muitos delas com a insanidade digna de um desenho de Pica-Pau ou Tom & Jerry. É nesse descompromisso que reside o charme da película.

Nenhum coadjuvante é bem desenvolvido, e nem precisava. Todos ali, desde a cachorrinha (coisa mais linda) Gigi, passando pelo vilanesco coelho Bola de Neve só estão ali para serem fofos e engraçados. E isso o filme com certeza é. A comparação com os antigos cartoons reside no total nonsense das diversas cenas de ação, além do humor físico que muitas vezes toma conta da tela. E de forma geral o humor funciona, seja nestas piadas, seja no humor um pouco mais infantil (toda hora em que os animais, que no longa são seres conscientes, mas que em determinados momentos deixam seu lado “animal” aflorar), passando para as mais adultas, como as referências à Os Pássaros ou o cachorro idoso se apaixonando pela gatinha… Tudo isso só funciona porque em momento algum o objetivo é sair desta fórmula.

Aliás, de forma geral, a trama que segue Max e Duque fica extremamente abaixo da jornada dos outros animais à procura deles. É até estranho ver que há gordura na história principal (jamais entenderei o que aconteceu na sequência das salsichas ou a do passado do Duque), mas no outro lado a história anda de forma ágil e empolga, muito em conta também do excelente trabalho de dublagem.

O que sai do lugar-comum é a maravilhosa trilha-sonora de Alexndre Desplat (Vencedor do Oscar por O Grande Budapeste). O filme busca a todo momento reiterar sua “nova-yorkisse”, usando planos em diversões cartões-postais e mostrando características culturais da cidade, mas é a trilha, com uma forte pegada de jazz, com seus teclados e saxofones, que dá a pegada ao filme. Em momento nenhum o diretor ousa em sua utilização, mas a música em si é maravilhosa e empolga.

E, desta forma, Pets não vai revolucionar a animação, nem fazer o mesmo barulho que Meu Malvado Favorito, mas nem precisava. Gigi é muito mais legal que qualquer Minion (que aliás são referenciados em diversos momentos, e em todos eles arrancaram suspiros da criançada). Se você tiver filhos ou quiser apenas um filme para dar boas risadas e um sentimento de nostalgia para com seu animalzinho de animação, o filme consegue entregar e divertir.

(O filme abre com um pequeno curta dos Minions. Muito me agrada esta pequena tendência que os grandes estúdios estão de seguir os passos da Pixar e anexar estas pequenas películas em suas produções, dando a oportunidade para que novos artistas apareçam. O curta aqui tem uma qualidade de animação muito abaixo da encontrada no longa, diferentemente do que ocorre no Procurando Dory, por exemplo, mas deve arrancar umas risadas dos fãs das criaturinhas amarelas…).

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