Crítica – O Lar das Crianças Peculiares

Existem diretores com um nome tão grande que não importa seus erros, eles sempre vão ser lembrados pelos acertos. Esses caras são pessoas tão importantes para a história do cinema que eles podem partir para empreitadas mais obscuras, como Brian de Palma e Francis Ford Coppola, que ainda serão lembrados com amor e carinho pelos cinéfilos. Tim Burton também se encaixa nesta categoria. É inegável a importância para a direção de arte/design de produção, trazendo uma atmosfera gótica, além de fazer criaturas estranhas e “assustadoras” parecerem divertidas e cativantes, apenas com a forma como elas são demonstradas na tela. Essa visão de cinema vem sendo a inspiração para vários e vários novos diretores. Por isso é triste ver este cara errar.

A verdade é que O Lar das Crianças Peculiares mais parece um filme gravado por um diretor iniciante querendo emular Tim Burton. Mas a história impede que o filme seja Tim Burton 100%. Uma boa parte do primeiro ato serve apenas para apresentação dos dramas de Jake (Asa Butterfield, de A Invenção de Hugo Cabret e O Jogo do Exterminador) e seu avô Abe (Terrence Stamp). Por ser um começo em ambiente normal, Tim tem de se segurar e tentar fazer o arroz com feijão. Acontece que ele deixou o arroz queimar e não temperou o feijão porque o começo é simplesmente horrível. Cortes secos sem a menor necessidade, a trilha não ajuda, atuações fracas, planos previsíveis e diálogos terríveis. Triste.

O filme ganha sobrevida quando, após a morte de Abe, Jake resolve ir até uma ilha que fazia parte das histórias de ninar que seu avô lhe contava. Nestas histórias, ele falava sobre uma casa comandada pela senhorita Perigrine (Eva Mendes, Os Sonhadores, 007 Cassino Royale) para crianças peculiares (ou com superpoderes). É quando o menino descobre que a casa é real e vemos lampejos do diretor de Edward Mãos de Tesoura e A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça. O design de algumas crianças é perturbador, a casa em alguns momentos parece ameaçadora, mas a personagem de Eva Mendes e a criança interesse amoroso Emma (Ella Purnell) dão aquela leveza dos filmes do diretor. As duas protagonizam os melhores momentos do filme, ao lado de breves relances de umas certas criaturas…

O problema é que o roteiro sabota o filme logo depois. Algumas tentativas de roteiro de criar um drama e algumas intrigas são absolutamente vergonhosas. Diálogos ou tem que parecer naturais ou eles têm que parecer “cinema”. Quando você cria um diálogo piegas você perde a atenção do público. Crie toda uma sequência lamentável e você perde o expectador. Nessa pegada, quando o vilão do longa é finalmente apresentado, não há peso, não há drama, há apenas a vontade do epílogo, e de ver essas crianças lutarem… e ai vem outra decepção.

Muita gente disse que essas crianças peculiares eram os X-Men do Tim Burton. Até é, só é um X-Men: O Confronto Final ou Origens Wolverine. E acredite, eu estou muito triste com isso.

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