Crítica | Nerve: Um Jogo sem Regras

Lionsgate usa os ensinamentos de Jogos Vorazes, amassa e joga fora.

O cinema de adaptação de literatura para jovens vem se tornando um gênero muito importante para Hollywood de uns tempos para cá. Desde quando O Senhor dos Anéis e Harry Potter ganharam uma adaptação, todos tentaram encontrar a sua franquia. Nenhuma destas embarcou tão tresloucadamente nessa busca como a Lionsgate, ainda mais depois do sucesso comercial das franquias Crepúsculo e, principalmente, pela força cultural que se tornou Jogos Vorazes. E a caçada continua…

A premissa de Nerve é, no papel, brilhante. Criar um jogo em que as pessoas se dividem entre jogadores e expectadores, no qual os primeiros têm que realizar os desafios propostos pelo segundo grupo para ganhar dinheiro e ganhar mais expectadores. No fim, quem tem mais seguidores se enfrentam em um desafio final. Só nessa premissa você já imagina debates sobre invasão de privacidade, moral e ética, a busca desenfreada por fama e seguidores… e o filme até tenta abordar estes temas, mas tudo desaba em um roteiro previsível até dizer chega, e uma direção que tenta ser pop e teen, e criticar o pop e teen…

Pra começar com a própria protagonista. Tudo bem que a jornada do herói demonstra que na maioria destas tramas vemos um protagonista em seu canto e se sentindo fora disso, até que haja o chamado para o heroísmo, ao qual ele reluta em aceitar, mas acaba decidindo partir. Vee, interpretada pela lindíssima Emma Roberts, é justamente uma garota inteligente, mas que tem dificuldade em chamar a atenção do bonitão que claramente também gosta dela, mas a despreza por ela ser um pouco estranha (hein?). Tudo muda quando ela descobre que sua melhor amiga está fazendo parte deste jogo conhecido como Nerve. É aí que, ainda que ela seja sempre uma pessoa insegura, aceita virar jogadora. As coisas mudam de figura quando ela conhece outro bonitão, o jogador Ian (só tem gente bonita neste elenco) e juntos eles se metem em altas confusões visando o prêmio final. A partir daí vemos desafios cada vez mais perigosos, mas sem nenhum peso. Ao escolher uma estética cheia de neon, cores fortes e encher a tela de interfaces, quase emulando uma realidade aumentada, Henry Joost e Ariel Schulman, os diretores, acabam com qualquer senso de perigo. Está tudo na tela, longe de nós, afinal.

Causa incomodo também quando o filme sai de sua temática mais sombria e tenta enfiar um romance ali no meio. O expectador até compra a ideia porque a química entre o casal de protagonistas é a única coisa que realmente funciona no longa. Porém ela não ajuda a trama a seguir em frente e, pior, é posta “à prova” no terceiro ato com uma sucessão de plot twists tão bobos quanto previsíveis. É uma pena.

Talvez o que tenha faltado para o longa seja um pouco mais de coragem para explorar com força sua premissa e, neste caso, a PG-13 realmente é um problema. Não que o filme devesse se transformar num Jogos Mortais com suas bizarrices e violência, mas ter que agradar ao público alvo deixando a tela o mais clean possível me parece de uma covardia tremenda dos realizadores.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here

Você não está conectado à internet