Muito mais do que apenas um show de efeitos visuais

De vez em quando Hollywood começa alguma “moda” de produção para seus filmes. Seja adaptação de filmes fantásticos, de distopias juvenis, filmes de super-heróis, refilmagens de filmes de terror japonês… há algum tempo estamos vendo várias e várias adaptações de contos de fadas clássicos para o live action. Muitas delas erraram ao tentar dar um ar mais jovial a estas histórias, como no caso de A Garota da Capa Vermelha e Espelho, Espelho Meu, outras falhavam por tentar transformar a história em um gênero diferente, como a Branca de Neve guerreira de Branca de Neve e o Caçador… Demorou até que a Disney achou o ponto entre trazer algo novo e respeitar o material de base com Malévola. este ponto chega agora num nível altíssimo com Mogli: O Menino Lobo.

O filme adapta o livro e filme The Jungle Book para contar a História de Mogli, um menino que foi criado no meio de lobos e outros animais falantes. Sua vida muda quando o tigre Shere Khan o descobre, ameaçando a vida de todos os lupinos caso eles não entregassem à ele o garoto. A partir daí começa uma aventura clássica de descoberta de quem o personagem realmente é, um homem ou um animal da selva. A história passa por vários momentos marcantes da animação de 1976, com destaque para as cenas com o urso Baloo.

Obviamente o filme não colocaria seu ator mirim (praticamente o único humano em cena) ao lado de tigres, ursos e panteras, logo o uso de computação gráfica para dar vida a estas criaturas tornou-se uma questão de vida ou morte para o filme. E é neste quesito que Mogli encontra seu lugar como um dos filmes mais impactantes do ano até aqui. Claro que animais digitais não são novidades desde os milhares de cavalos em O Senhor dos Anéis, e que a “interpretação” de César nos dois últimos filmes da franquia Planeta dos Macacos surpreende, mas aqui os animais tem peso, não só de tela, mas como de movimentos. É como se eles estivessem realmente muito perto do ideal. Reconheço que não sou um expert em CGI e muitas vezes consigo embarcar mesmo com algumas computações mal feitas (Só reparei no quão tosco é o helicóptero destruído pelo Jason Statham em Mercenários 2 quando vi pela segunda vez), mas aqui está claro que o cuidado e atenção de detalhes que estes artistas deram para dar vida a estas criaturas valeu a pena.

Se o filme fosse simplesmente um amontoado de CGI espetacular não valeria o ingresso, no entanto Jon Favreau voltou a mostrar ser o diretor talentoso dos tempos do primeiro Homem de Ferro ao colocar cenas cheias de ação para manter a atenção e o ritmo do filme, e entre elas alguma coleção de momentos muito bem fotografados da selva. A paleta de cores que varia de cores berrantes em cenas de dia até um tom acinzentado nas cenas na chuva não são nada inovadores, mas funcionam para montar um clima e dar a emoção que a cena pede. Neste caso ainda mais importante porque, como já dito, temos apenas um ator juvenil atuando com o nada, apenas depois o peso de atuação de seus dubladores apareceria. Embora a atuação do pequeno Neel Sethi esteja longe de ser ruim. A dublagem brasileira possui diversos nomes de novelas globais e foi muito bem dirigida, talvez se você estiver familiarizado com o trabalho deles o peso de suas vozes sejam maiores. Outro ponto interessante é a trilha sonora, que em diversos momentos, e para as mais diversas emoções, usam da melodia da música Somente o Necessário, o que causa sempre um bom sentimento de nostalgia.

Assim, Mogli: O Menino Lobo mostra ter qualidades suficientes para que o legado do Livro da Selva permaneça por mais algumas gerações. Embora seja verdade que o que realmente marcará neste filme seja sua computação gráfica, Jon Favreau consegue mostrar que um lobo sozinho é fraco, a força do lobo é a alcateia, a força da alcateia é o lobo.

REVER GERAL
Roteiro
8
Efeitos Visuais
10
Fotografia
10
Atuação
9
Direção
9.5
Trilha Sonora
10
Fundador - CEO - Designer - Desenvolvedor Web, Designer e Fotógrafo nas horas vagas. Apaixonado por cinema, viciado em séries e colecionador de HQs.

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