Crítica | Meu Amigo, o Dragão

O Dragão está na garagem, basta acreditar

Dragões são criaturas místicas que conseguem representar tudo o que há de charmoso e emocionante em contos de fadas. Volta e meia aparecem histórias em que eles servem como as mais diferentes metáforas para as vidas dos humanos, podem representar a ganância como o Smaug de O Hobbit, pode representar o desconhecido que tememos sem entender como o Banguela de Como Treinar o seu Dragão, podem até mesmo ser uma mãe amorosa como em Shrek. Em Meu Amigo, o Dragão ele funciona como uma parte da infância que perdemos em determinada época da vida, a inocência.

Muitos filmes já trataram deste mesmo assunto. O Labirinto do Fauno talvez seja o que conseguiu executar esta ideia com maior maestria graças à sua qualidade técnica e carinho do diretor Guillermo del Toro. David Lowery, que dirige e escreve o filme alisado, apela para outra esfera, a da sensibilidade. Cada take, cada transição, cada cena parece ter sido cuidadosamente pensada para emocionar. Desde a cena onde o pequeno Pete fica órfão e se perde em uma floresta até a última tomada aérea do longa, tudo é plasticamente lindo e tocante (ainda que o 3D atrapalhe um pouco escurecendo as cenas). O filme não tem medo de, embora ser destinado a um público cada vez mais acostumado com mirabolantes e incessantes cenas de ação, parar bons minutos para explorar amizades, confianças e amor.

Essa ideia, a tentativa de ser um filme mais emocional do que uma grande aventura moderna, é exemplificada pelo próprio design do dragão Elliot. Muitos destas criaturas sempre mostram a sua veia reptiliana quando aparecem nas telas, mas aqui ele tem pelos e parece um tigre, e age como um cachorro. É muito fácil se afeiçoar e se importar com ele, mesmo se o CGI não for exatamente perfeito.

Outro ponto de destaque é a trilha sonora, repleta de canções country que casam perfeitamente tanto com o clima do filme quanto com o ambiente Redneck em que a história se passa. As atuações das crianças podem não ser brilhantes, mas passam longe de serem ruins, enquanto os adultos, principalmente o imponente Robert Redford, conseguem se impor um pouco mais. Quem talvez esteja um pouco mais abaixo tenha sido Karl Urban, que tem que se equilibrar para que seu personagem nem seja o cineasta de King Kong, nem o Clayton em Tarzan.

Meu Amigo, o Dragão pode não vir a ser o filme do ano. Pode aborrecer as crianças que querem ver um Como Treinar seu Dragão em Live Action, mas se você é um fã de contos de fadas, e mais ainda um fã de filmes que se preocupam em como contar uma história emocionante, aí meu amigo é só você olhar para o canto certo, talvez uma criança te mostre o caminho.

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