Crítica | Logan

Finalmente um filme digno do Wolverine que muitos acreditavam que era impossível acontecer.

Pela primeira vez no Universo Cinematográfico dos X-Men, vemos um filme como o próprio Hugh Jackman disse “focado em um personagem e não em uma história“. Logan nos apresenta muitas premissas sobre como é a vida por trás de matanças, como é ser quase imortal e o que estas duas coisas podem pesar na consciência e espírito de um ser que só procura paz no fim dos seus dias.

Tendo leves inspirações em “Velho Logan, o filme conta mais com o mundo pós-apocalíptico mesmo, onde mutantes já não nascem mais e os que sobraram são da velha-guarda. E bota velha guarda nisso! Um dos ensinamentos mais claros do filme é que não importa se você consegue levitar prédios, ter um corpo indestrutível ou o cérebro mais brilhante e evoluído do mundo, quando a idade chegar pra você e ela vai chegar, tudo isso não bastará para manter sua integridade e isso é algo explicito e muito bem retratado. Vemos Logan cansado fisicamente e psicologicamente, num ponto onde sua própria vida se tornou sua própria prisão. Hugh Jackman fez um trabalho incrível nos mostrando um Carcaju que muitos acreditam que era impossível existir. Além dele, temos o ilustre Patrick Stewart fazendo de longe sua melhor interpretação de Professor X, onde sentimos o sofrimento e a dor que os anos lhe causaram. Esta decadência em ambos os personagens foram o que moldaram a história e a personalidade deles para o filme, é ela que nos apresenta personagens que não são só garras de adamantium ou super poderosos, mas sim humanos, que sentem a auto-perda, que sentem a reação de suas atitudes como todos nós.

Neste mundo de 2029, apesar de não ter mais mutantes naturais como o próprio vilão diz, o governo começou a investir pesado nos projetos de criação e clonagem de mutantes (já vimos isto antes não?) e é aí que a pequena estrela, Dafne Keen (X-23/Laura), entra em ação. Dafne com seus 11 anos mostra muita garra (literalmente) no papel e por mais que ela seja muda em quase todo o filme, a pequenina encarna o espírito feroz da coisa. Você consegue sentir no olhar dela a raiva, a dor, a besta dentro dela e isto lembra muito Wolverine nos seus primeiros momentos como Arma-X, incontrolável, fazendo uma chacina sem ter um pingo de remorso. Ela consegue transmitir muito bem em simples momentos que ela é uma criança, que tenta ser apenas uma criança, mas que no fundo ela sabe que nunca poderá ser uma.

Logan aprofundou muito bem em seus personagens, nos mostrando um psicológico imerso nas consequências de ser o que eles são e apesar de isso ser magnífico, o filme peca em apresentar um roteiro simples, sem muitos mistérios ou detalhes na trama para confundir os telespectadores. A única coisa que não fica evidente é sobre o passado dos X-Men, o que exatamente aconteceu, já que o que nos é contado apenas serve para tirarmos nossas próprias conclusões. O vilão não é lá grande coisa também, mas dá a entender o tamanho de sua ameaça e ambição.

Filme da Marvel não pode faltar humor“? Esta frase é um pouco exagerada, mas claro que Logan tem seus momentos de humor, o que na verdade são perfeitos, pois não servem como alivio cômico ou pra mudar o foco da trama, mas sim para mostrar a amizade, a união que aqueles personagens tem entre eles, o quanto eles são uma família e uma fortaleza contra aqueles que tentam prejudicá-los e isto é outra coisa que Professor Xavier tenta passar para a pequena Laura. Tudo o que está acontecendo, tudo o que eles passaram, no fim é um ensinamento para a vida e que aceitar e viver com isso, muitas vezes não pode ser a melhor solução.

Logan é um ótimo drama de ação com heróis decadentes que deixa mais do que claro que uma nova geração virá com muito potencial para substituí-lo.

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