Em uma determinada cena deste remake, Erin Gilbert (Kristen Wiig) conversa com Abigail (Melissa McCarthy) e Holtzmann (Kate Mckinnon) após uma bem sucedida filmagem feita pelo trio de um fantasma. Abigail cita que o vídeo já tem 100 comentários no youtube e nem todos são mimimi, o primeiro que Erin lê, entretanto, dizia “Vadias, vocês não servem para caça-fantasmas!”. A piada, óbvia referencia a todo o rage que o filme recebeu desde quando descobrimos que teríamos um remake e não Caça-Fantasmas 3, e que ganhou contornos patéticos com os comentários machistas quando foi acertado que seriam mulheres a protagonistas serve bem para ilustrar o que é o filme. Um barco no meio de uma tempestade de intolerância tentando mostrar um pouco de amor. Acontece que a qualidade do barco nem de longe é a caravela que foi o filme original.

A pior parte é que estes machistas que criticaram o filme depois do (péssimo) primeiro trailer só por causa das mulheres não receberam o cala-boca merecido. O roteiro entrega sim alguns bons momentos que justifiquem sua existência neste contexto, mas ele falha miseravelmente ao encaixar o plano de fundo ao filme em si. E acredito que boa parte disso veio de que os produtores saíram na contramão de filmes como Mad Max – Estrada da Fúria ou de Star Wars – O Despertar da Força de aceitar que o que vimos antes realmente existiu e apresentar novos elementos ao universo. Ao invés disso usaram um reboot total, que foi absurdamente engessado na tentativa de referenciar o Caça-Fantasmas original, é legal ver o monstro de Marshmellow, o fantasma gárgula e o Geléia, mas não fazer disso a força motriz do produto…

A trilha sonora também merece um paragrafo. se no original ela nasceu clássica, aqui ela só empolga quando os acordes originais tocam. A versão da música tema tocada pelo Fall Out Boys é estranha, pra não dizer ruim. E olha que eu curto Fall Out Boys.

Uma coisa também que deve chamar a atenção está na escolha do diretor Paul Feig de misturar efeitos em computação gráfica e efeitos práticos para criar as criaturas. Escolhas como estas geralmente são aplaudidas por aqueles que já não se impressionam com qualquer monstro de CGI que aparece por ai, e o uso do gelo seco e da meleca nas cenas de “terror” ajudam a dar um pouco mais de peso para as criaturas, porém diferentemente de um Christopher Nolan, Joss Whedon ou J. J. Abrams, Feig não é um diretor de filmes cheios de efeitos, e fica claro o peso da mão do diretor nestas cenas, ficando fácil perceber o que é e o que não é real. Ajudaria também se ele tivesse algum talento para criar suspense, e não ficasse apenas nos famigerados Jump Scaries…

O filme é então a pior porcaria já criada? Não exatamente. Como disse há algumas piadas interessantes no filme, quase todas por referenciar filmes de terror clássicos, como O Exorcista, aos papéis anteriores de alguns personagens, como o Chris Hemsworth ou mesmo ao filme original (todas as outras são quando dão tempo de tela pra Kate Mckinnon). Há porém uma pequenina chama de esperança quando aparece o ator mais carismático já nascido. Bill Murray. Ele tem pouquíssimo tempo de tela, mas é o suficiente para mostrar o óbvio: Seria muito melhor terem colocado e o resto do elenco original como parte forte no filme, não um breve e melancólico aceno para o saudosismo…

PS: Se no primeiro filme conseguiram fazer comédia com a ciência sem mostrar os cientistas como boçais, porque aqui eles apelaram pra isso?

REVER GERAL
Roteiro
6.5
Efeitos Visuais
7
Fotografia
7
Atuação
6.8
Direção
7
Trilha Sonora
5
Fundador - CEO - Designer - Desenvolvedor Web, Designer e Fotógrafo nas horas vagas. Apaixonado por cinema, viciado em séries e colecionador de HQs.

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