Crítica | WiFi Ralph: Quebrando a Internet

Ralph (John C. Reilly) e Vanellope (Sarah Silverman) retornam em WiFi Ralph: Quebrando a Internet  seis anos depois do primeiro Detona Ralph (2012), se no primeiro filme a idéia era uma metáfora para a nossa sociedade e de como ela nos limita, a idéia agora é ir além. Após uma um incidente dentro do Corrida Doce eles embarcam na internet para comprar o volante do jogo e acabam descobrindo o maravilhoso mundo online, suas possibilidades e também sua crueldade.

Phil Johnston e Rich Moore retornam na direção, o filme trabalha muito bem toda a ideia da internet de uma forma metalinguística e muito criativa, a personificação dela gera infinitas possibilidades e o roteiro brinca com isso o filme inteiro, seja como eles usam o ícones da cultura virtual, o jeito que interagem com esse mundo também geram boas piadas, e ainda de forma humorada nos mostra como a rede nos faz procrastinar e inclusive um exemplo de fama na internet e toxicidade presentes nos comentários.

Yesss (Taraji P. Henson) apresenta a Internet para Ralph (John C. Reilly) e Vanellope (Sarah Silverman).

Mas nada supera o momento em que Vanellope chega em Oh My Disney, e principalmente sua interação com as princesas,  a cena abusa de diálogos carregados de deboche e referências tornando-se o melhor momento do filme, tudo feito de um jeito delicado e questionador sobre o papel das princesas em suas histórias e na cultura pop, e que não se torna gratuita, ajudando no arco dramático da personagem.

Em meio a tantas coisas geniais e assuntos relevantes, o roteiro trabalha de forma natural certos conflitos até quando opta por dividir os protagonistas o que acaba ajudando na evolução da Vanellope e prejudicando o Ralph, tornando-o um personagem chato. Enquanto Vanellope tem um dilema quase que existencial, tendo momentos inspiradores e esclarecedores, Ralph tenta a todo custo monopolizar a amiga. Entre muitas possibilidades o caminho escolhido é forçar uma dinâmica entre eles  durante todo o filme, se a intenção era de dar uma carga dramática sobre amizade e carência acaba sendo desenvolvida de forma muito infantil e até mesmo literal,  que rende até referências ao King Kong.

Ralph se torna youtuber.

Várias personagens novos são apresentados como o Shank (Gal Gadot), Yesss (Taraji P. Henson), KnowsMore (Alan Tudyk) mas nenhum deles devidamente explorado os tornando unidimensionais, e personagens queridos do primeiro longa como Felix (Jack McBrayer) e Calhoun (Jane Lynch) acabam literalmente deixados de lado em plots rasos sem relação nenhuma com a história principal.

WiFi Ralph: Quebrando a Internet chega em um momento em que o estúdio vinha de ótimas animações com grandes mensagens, como: Frozen: Uma Aventura Congelante (2013), Zootopia: Essa Cidade é o Bicho (2016), Moana: Um Mar de Aventuras (2017) e entrega um filme que é recheado de boas ideias, boas intenções mas que não faz jus a qualidade que estamos acostumados, mas que ainda assim nos deixa uma bonita mensagem.

 

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