Crítica | Westworld (2º Temporada)

ESTE TEXTO CONTÉM SPOILERS DAS DUAS TEMPORADAS DE WESTWORLD

Westworld é, de longe, uma das séries mais bem orquestradas da TV. Uma obra de Lisa Joy e Johnatan Nolan com os dedos de midas de J.J Abrams, Westworld trouxe, de fato, o elemento surpresa de volta para os amantes de série.

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Lost trouxe, anos atrás, a loucura por teorizar finais e destinos dentro de uma série. Westworld deixou esse sentimento mais latente e ao contrário do que acontece em outras obras, nesse caso, só deixa a série ainda mais intrigante e apaixonante a cada episódio.

Depois do grande evento orquestrado por Ford, o seu pequeno apocalipse para concluir os planos de Arnold, Dolores parte para sua guerra, querendo levar a liberdade para os anfitriões, mesmo que por meios duvidosos e por decisões catastróficas da personagem, o que mostra o peso de cada escolha que se faz dentro daquela narrativa perigosa.

A série possui várias ramificações. Dolores conta uma história para nós enquanto outros personagens vão preenchendo lacunas. Maeve e Bernard são grande parte disso. Bernard, na verdade, é uma chave importante para o Vale do Além, lugar onde Dolores deseja chegar, acreditando que é a salvação de “seu povo” e Maeve tem uma jornada mais independente da trama principal que, na verdade, é uma jornada particular onde ficamos cientes de que o caminho dela, foi de fato, escolhido por ela.

Maeve contendo a horda de anfitriões descontrolados em Westworld.

Os 3 personagens crescem de maneira expoente e atingem suas formas máximas, episódio pós episódios, existe um cuidado narrativo muito pontual nesse aspecto. Quando você olha a jornada dos três, cada um deles evoluiu, individualmente e gradualmente.

Maeve recebe “poderes divinos” providenciados por Ford e mesmo ela recebendo essa característica que a coloca em status de invulnerável, Maeve não se torna um Deus Ex Machina e suas habilidades não tornam a história previsível, muito pelo contrário. O quinto episódio dessa temporada é, basicamente, dedicado ao desenvolvimento das habilidades de Maeve, mesmo sendo um episódio destacado (assim como o oitavo episódio), ele é importante para a compreensão do plot da Maeve e de como a personagem está bem alinhada com o propósito da série. Além do mérito total de Thandie Newton que, diferentemente da primeira temporada, tem um destaque merecidíssimo e faz valer cada minuto de Maeve em tela.

Um outro personagem que merece destaque é o Homem de Preto. Ed Harris entrega uma de suas maiores atuações e mostra a capacidade dele de se transformar em um homem fora de controle e cheio de raiva, para um homem submisso e acuado pela sociedade em que vive. Conhecemos, finalmente, a história dele fora do parque. No episódio nove temos uma série de ligações fraternais e uma delas é do MiB com a filha, Emily (que apareceu, misteriosamente, confundindo os espectadores – não diga que você não achou que ela fosse a Theresa). Vemos a ligação de Dolores e o MiB no momento em que seus amados percebem que ambos se tornaram monstros e abriram mão de viver ao lado de alguém que não condizia com a pessoa pela qual se apaixonaram.

Dolores com sede de sangue em Westworld.

A segunda temporada mantém vários aspectos importantes da primeira temporada, o maior deles é o elemento surpresa somado aos diálogos inteligentes cheios de analogias e citações filosóficas. A série não se resume a isso, claro. Todos os passos dados por Dolores, Maeve, Bernard e O Homem de Preto, levam a série para um nível muito difícil de manter e era o que achávamos ao fim da primeira temporada, mas Westworld continua sendo surpreendente em vários aspectos. Os pequenos problemas da série não anulam sua grandiosidade.

Bernard e Dolores, no universo de Westworld, funcionam como Professor Xavier e Magneto. Ambos querem coisas parecidas, mas tem meios diferentes para chegar aos seus resultados e um serve como equilíbrio para os anseios do outro. Jeffrey Wright que dá vida ao Bernard/Arnold, assim como Ed Harris, nos dá uma atuação incrível e nos deixa divididos quando paramos para imaginar um mundo onde androids querem dominar nosso mundo: vamos ficar do lado de quem? Bernard, sendo um anfitrião complacente ou do nosso próprio lado contra Dolores?

Os pequenos problemas são mais ligados à edição/montagem que deixou de ser sutil e ser muito mais expositivo do que na primeira temporada, em alguns momentos soa como uma dúvida diante da capacidade intelectual do público, até mesmo alguns episódios que são cheios de momentos expositivos e baixam um pouco o nível da série.

Em resumo, Westworld segue com o status de grande ficção científica do século 21 com uma das narrativas mais completa da atualidade.

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