Crítica | Vikings (5ª Temporada)

Decisões equivocadas com batalhas mornas e personagens perdendo a essência.

Quando Vikings estreou em 2013 pelas mãos do History, muito foi dito sobre o canal não ter “habilidade” em produzir algo grandioso, roteirizado e que funcionasse. Pois bem, Vikings mudou isso (abriu o precedente para canal produzir coisas no mesmo nicho, inclusive). O visual incrível e personagens de personalidades marcantes. E cresceu. Virou o orgulho da casa, se tornou grande com seus painéis nas Comic Cons da vida. Tudo que sobe, desce. É um fato e esse fato é a história de Vikings.

ZONA DE SPOILERS

A quinta temporada de Vikings prometeu uma expansão de universo. Aumentar o território conquistado e isso aconteceu na teoria. Bjorn viajou com Halfdan e desbravou 1% do Oriente Médio e 0,5% da África (ou seja…). Seus irmãos tomaram um território na Inglaterra (a cidade de York). Floki constatou que a Islândia era a casa dos Deuses e assim, encheu os ouvidos de alguns moradores de Kattegat que o seguiram nessa aventura sem pé e sem cabeça.

Ivar ainda tem sede de vingança. Quer vingar a mãe (lembra que ela foi morta pela Lagertha? Pelas costas? Depois de ter passagem livre prometida? Então). Com muito esforço da parte do garoto, ele conseguiu unir muita gente contra a primeira esposa de seu pai. Porém, as ambições de Ivar não apeteciam ao irmão mais velho #2, Ubbe. Que em vários momentos tenta, até que consegue ir embora e deixar seu irmão para trás, sendo deixando também por Hvitserk que prefere ficar com o irmão mais novo e vingar sua mãe. Nesse processo, Ivar também perde Floki (que foi pra Islândia e blablabla).

Bispo Heahmund interpretado por Jonathan Rhys Meyers

Astrid é sequestrada por Harald. Halfdan prefere ficar com Bjorn ao irmão. Sinta aí as duas buchas. Antes mesmo, somos introduzidos ao Bispo Heahmund que é interpretado pelo maior pé frio das séries: Jonathan Rhys Meyers. Aparentemente, mais um personagem para deixar a temporada ainda mais cheia de personagens com potencial perdido e mais uma bucha mal aproveitada. Fica extremamente difícil decifrar o propósito do personagem e isso não é um mérito. Além disso, o argumento dele pouco convence. Começa como um Saxão fiel aos preceitos da Igreja (que dá uma escapa vez ou outra) e leal ao Rei, depois é sequestrado por Ivar e depois é sequestrado por Lagertha, a quem jura sua espada para todo o sempre e protagoniza uma das cenas mais sem noção da temporada toda (com a Lagertha mesmo, no episódio 10).

Muito foi discutido sobre a ausência de Ragnar, de como isso poderia afetar o desenrolar dos fatos. Muita gente acreditava no potencial dos herdeiros do ex-fazendeiro que se tornou rei. Bom, nenhum dos filhos tem esse carisma e, principalmente, Ubbe e Bjorn que passam a temporada toda emulando trejeitos do pai (não parece algo herdado, beira o caricato). Ragnar era a cola desses pedaços, as ambições dele eram muito mais aceitáveis e justificáveis do que as dos filhos, principalmente Ivar.

Hvitserk recorre ao tio Rollo. Ele vai para França pedir soldados francos ao tio e volta, com a garantia de ajuda e pedido de piedade para Bjorn, em nome do tio. Em vários fóruns foi especulado que como ele era apaixonado por Lagertha e sempre teve muito carinho por Bjorn, em algum momento, para não perder o costume de ser duas caras, Rollo se viraria contra Ivar e Hvitserk, apoiando seu grande amor e seu sobrinho favorito. Bem, não aconteceu isso. Ao fim do episódio 10, Rollo surge, já castigado pelo tempo e rumo a Kattegat. Rollo surpreende por, pela primeira vez, cumprir uma promessa e não passar a perna em ninguém (até agora). Talvez ele tenha ido para Kattegat para galgar seu lugar em Valhalla ou, sei lá, catequizar seus conterrâneos.

Personagens descartados de maneira patética também é um ponto fraco aqui. Aethelwulf, Rei de Wessex e da Mercia, filho do falecido Rei Ecbert é tirado da série por uma abelha. Certo, pode acontecer, mas era um dos personagens mais bem construídos, com as motivações mais genuínas, lutou e matou pelos seus ideais, mas perdeu pra abelha. Deixando em aberto se foi ela mesmo ou se foi Judith, sua esposa, para colocar seu filho com Athelstan no trono, seguindo os planos de seu sogro e amante. Sendo assim, temos Alfred como o novo rei e novo maior inimigo dos herdeiros de Ragnar. Tanto Astrid quanto Halfdan foram usados como escada dramática para seus algozes, a pessoa amada e irmão, respectivamente.

No geral, a série subiu o nível da produção. Vemos grandes campos de batalhas, grandes paisagens e locações dignas de produção de primeira linha. Mas encher os olhos não basta. Não adianta jogar algo na cara do espectador e esperar que as pessoas simplesmente aceitem. Alguns desses fatos é Ivar andando ao final da temporada e a Lagertha envelhecer subitamente. Também não vale transformar personagens bons que, convenhamos, ajudaram a erguer a série, em personagens covardes (isso vale tanto pra Lagertha, quanto Bjorn, quanto Ivar). A primeira metade tem mais coragem do que os últimos cinco episódios que transformam a série numa novela mexicana cheia de momentos onde reviramos os olhos. Eis aqui, até agora, a temporada mais morna de Vikings. Muita promessa e pouco feito.

Flávia Viana
Amazona, Rebelde, Jedi e Dúnedain disfarçada de Diretora de Arte durante a semana.

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