Crítica | Vidro

Vidro, de M. Night Shyamalan, estreou com grande sucesso na ultima semana, causando uma grande divisão de opiniões entre público e até entre a crítica. E para entender as expectativas sobre este filme, convém retornar um pouco no tempo.

A História de Shyamalan

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Vidro – Shyamalan, o diretor e alguns de seus filmes

Em 2019,  faz 20 anos que M. Night Shyamalan surpreendeu Hollywood e o mundo com o sensacional O Sexto Sentido.  O filme tinha todo um clima de drama permeado de terror, mas a reviravolta final era o que tornava o filme sensacional, e nos obrigava a rever todo o filme com outros olhos.

Na sequência ele criou Corpo Fechado (Unbreakable , 2000), um filme que parecia menor do que o anterior. Contava a estória de David Dunn (Bruce Willis) , que era o único sobrevivente de um acidente de trem e passava a ser tratado como um super herói por seu filho, ao mesmo tempo que conhecia Elijah (Samuel L. Jackson), um homem com uma doença rara que se auto intitulava Homem Vidro, pois qualquer coisa fazia seus ossos quebrarem. Assim como o anterior, o final nos reservava um grande plot twist.

O público passou a esperar isto dos filmes do diretor,  mas ele não conseguiu manter a mesma criatividade, tendo bons momentos, como A VilaA Visita, e outros massacrados pela critica, como A Dama da Água, Fim dos Tempos e Depois da Terra.

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Fragmentado e Corpo Fechado

Mas em 2016 ele retornou com mais uma de suas obras viscerais, Fragmentado, que nos trouxe  Kevin Wendell Crumb e suas 23 personalidades representadas esplendidamente por James McAvoy.

Mais uma vez o público foi pego de surpresa, principalmente por assistir a todo o filme como um filme de suspense e terror, e perceber que no fim, ele fazia parte de um universo especifico criado pelo diretor, pois ligava-se a Corpo Fechado de uma maneira inesperada.

E desde então muito se comentou sobre o novo filme que viria para fechar a trilogia, iniciada por Corpo Fechado e seguida por Fragmentado.

E então, finalmente, temos agora em 2019, Vidro.

 

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Vidro, tecnicamente é um bom filme, principalmente com relação a fotografia, mas desta  vez o roteiro é inferior aos anteriores.

Passaram-se 19 anos e David Dunn (Bruce Willis), que se descobriu invencível em Corpo Fechado, é um justiceiro que trabalha nas sombras com a ajuda de seu filho. Ele está a procura do Horda, um Serial Killer que vem matando jovens mulheres próximo ao Zoológico da cidade, o próprio McAvoy voltando em seu personagem de Fragmentado.

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Vidro – Dunn, o Vigilante

Logo no inicio eles se encontram, e numa ótima sequência,  vemos Shyamalan em sua boa forma, onde consegue fazer a plateia sentir o terror e o medo dos personagens.

Porém este encontro não acaba bem para ambos, que são presos e levados para uma clinica psiquiátrica, onde começam os principais problemas da produção, já que esta segunda parte do filme é extremamente arrastada.

Destruindo a mitologia?

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Vidro – A Psicologa

A psicóloga vivida pela sempre boa Sarah Paulson é especialista em pessoas que acreditam ser super heróis (?) e busca provar a todo custo e muito blá blá blá psicologuês que nenhum deles ali tem super poderes, mas somente um complexo de grandeza. Junta-se ao grupo Elijah Samuel L. Jackson Mister Vidro, que possui uma inteligência absurda e também se encontra internado na mesma clinica há 10 anos.

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Vidro e o psicologues

As cenas onde os quatro participam são plasticamente perfeitas. As paletas de cores diferentes para cada personagem e a maneira como muitas cenas são filmadas, remetem diretamente as quadrinhos, mas o texto desta parte é extremamente enfadonho.

A psicóloga fala e fala e fala diversas vezes a mesma coisa, tentando provar algo que o publico já sabe que não é verdade, pois nós vimos os outros filmes e sabemos do que aqueles personagens são capazes.  Eu achei esta uma escolha muito errada do diretor. Para que desfazer algo que já fez tão bem feito nos filmes anteriores?

Outra coisa que desta vez também não me convenceu foi a atuação de James McAvoy. Ok, ele é incrível, mas deixou de ser novidade. E aqui o diretor ainda criou mais personalidades para ele e as mostra em diversas cenas sem corte, mas que não acrescentam nada a estória, e parece que estão ali somente para o ator se apresentar como num show de calouros ou stand-up.

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Vidro – A Fera

Para completar a fraqueza desta segunda parte do filme e corroborar com a psicóloga, existem situações que só colam nas paginas de um gibi. Como aceitar que aqueles enfermeiros fiquem tão à vontade nas celas com pessoas tão perigosas? Será que nunca assistiram nem um filme de suspense básico na sessão da tarde? E a maneira encontrada para manter a Fera presa? Sandra Bullock poderia ajuda-lo a sair dali facilmente.

A Recompensa… ou não

Mas vamos relevando estas soluções e chegamos à terceira parte do filme onde encontramos aquilo que já nos acostumamos a esperar de Shyamalan: Os plot twists. E desta vez ele não se contenta somente com um plot. E dá-lhe reviravoltas e novos finais.

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Vidro – Mr. Glass

Mas infelizmente, em Vidro, os plot twists não estão inseridos na trama de maneira tão orgânica.

Estão longe se ser aquela revelação que te faz cair da cadeira ou querer ver o filme de novo, pois diferente de O Sexto Sentido, onde todas as dicas sempre estiveram lá, aqui o diretor começa a tirar alguns segredos da cartola.

É legal? Sim. Mas…

Por fim, eu acho que Shyamalan se arriscou bastante com o final que trouxe para seu filme, pois ele nos guia o filme inteiro para um final espetacular, mas o que nos entrega é algo bem mais básico e humano,onde para mim o mais interessante foram os cortes que me remeteram novamente aos quadrinhos, escolhendo focalizar a câmera tortas e bem próxima aos rostos dos atores, ao invés de grandes planos abertos. Às vezes até parece que faltou orçamento, mas é ai que mora a ironia do diretor e traz alguns pontos para o filme.

Se você quer grandes lutas, espere Vingadores. O que temos aqui é Shyalaman, e o objetivo dele é outro. E isso, em si, é um plot twist.

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