Crítica | Tom Clancy’s Jack Ryan

O texto a seguir pode conter spoilers da trama.

Jack Ryan é o agente da CIA com melhor desempenho nas telonas e nos livros: de nerd burocrático, agente de campo até se tornar presidente dos Estados Unidos.

Dessa vez a adaptação não é para os cinemas e sim para a TV. Projeto da Amazon Prime Video, Tom Clancy’s Jack Ryan conta em oito episódios, mais uma vez, a origem do personagem e seu crescimento dentro da CIA. Idealizado por Carlton Cuse (cabeça importante na criação de Maquina Mortífera) e produzido por John Krasinski e Michael Bay (e outros nomes) a série reanima o gênero de ação e política para a TV, lugar deixado por 24 horas.

John Krasinski com seu carisma indiscutível dá vida ao personagem que dá nome ao seriado e leva com maestria a ideia proposta: nerd, deslocado, um pouco moderno (quase um hipster) que pensa no bem maior antes dele mesmo. Um dos méritos de Tom Clancy’s Jack Ryan é justamente a escolha dele como protagonista. Mesmo com sua cara de bobo em vários momentos ele consegue fazer você acreditar que uma pessoa comum e de ideologia contrária à do seu empregador, pode fazer a diferença sem mudar sua essência.

James Greer, o chefe de Jack Ryan.

De maneira geral as atuações são convincentes. Principalmente o Wendell Pierce que interpreta James Greer, o chefe cabeça dura e super paizão de Jack Ryan. Ele consegue fazer com que nosso sentimento por ele varie entre amor e ódio com frequência.

A série leva apenas um episódio para fazer com que você acredite naquela trama, ainda que apele para um caos meio sem freio (ameaça terrorista, ameaça de bomba nuclear, ameaça de arma química, ataque ao presidente). A partir do segundo episódio você começa a se envolver e esperar pelas soluções aos problemas que Jack Ryan tem que enfrentar. Esses problemas variam de modo que dá para ter dó do personagem: ele precisa provar o ponto de vista ao novo superior, precisa mostrar aos que o rodeiam que ele tem algo importante nas mãos, precisa ter cautela no seu novo relacionamento e ainda esconder de sua amada o que ele realmente faz. Jack Ryan precisa se provar o tempo todo.

John Krasinski como Jack Ryan.

Alguns flashbacks são inseridos no decorrer da série e eles são essenciais para entender a postura de Jack Ryan diante dos acontecimentos, além disso nos ajudam a ter mais simpatia por ele e conhecer melhor a história dele até ali. Ryan é um cara legal, mas é cheio de magoa e arrependimento, e isso o consome.

Tom Clancy’s Jack Ryan é um prato cheio para quem gosta de ação. Cenas bem filmadas e dignas de cinema dão um ar extremamente caótico quando o assunto é guerra (cada episódio custou pelo menos 8 milhões de dólares). Se inspirando mais no filme recente, protagonizado por Chris Pine, o filme usa a guerra contra o Oriente Médio de background, deixando aventuras na Europa (como nos filmes mais antigos) para uma próxima (assista com atenção os últimos minutos do último episódio).

A série peca no quesito risco. Tom Clancy sempre foi conhecido pelo esmero de sua obra e riqueza de detalhes, as intrigas políticas trocam de plano com frequência com as cenas caóticas de ação e a série acaba preferindo mais a ação e menos a política (tocar nesse assunto, no momento atual, seria até perigoso – principalmente envolvendo terrorismo). Além disso, falha na tentativa de não vilanizar completamente o povo do Oriente Médio. Ainda que tente, com certa insegurança, a Tom Clancy’s Jack Ryan segue o padrão de produções norte-americanas e não abandona a intenção de ser tendencioso.

Hanin e sua família são parte essencial da trama em Jack Ryan.

Ainda que tenha essa questão “negativa”, a série é um exemplo de produção. Toda a montagem, assim como a ligação entre um episódio e outro, fotografia e a trilha sonora são feitos na medida certa para esse combo de ação e entretenimento. A trilha sonora é responsabilidade de Ramin Djawadi de Game of Thrones e Westworld. Tom Clancy’s Jack Ryan nada mais é do que um trabalho bem feito.

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