Crítica | Titans (Primeira Temporada)

Titans trouxe novos ares para a DC na TV.

Não é por que em seu elenco temos adolescentes que, necessariamente, Titans tenha essa pegada teen que as séries da DC costumam ter (vide Flash, Arrow e Supergirl).

Dick Grayson, depois de se ‘desiludir’ com os métodos e ações de seu mentor (Batman), decide recomeçar em Los Angeles, como detetive. Dessa maneira, Dick Grayson pode ajudar aos outros sem precisar se esconder atrás de uma máscara e tão pouco agir fora da lei, colocando para si mesmo um limite. Além de Dick, o Robin, a série nos apresenta a poderosa Kori Anders (Estelar) que perde sua memória e precisa reencontrar o norte de sua missão na terra.

Dick Grayson em Titans.

Os dois acabam cruzando o caminho de Rachel Roth (Ravena) que está descobrindo seus poderes e aprendendo a lidar com os problemas que esse ‘dom’ pode trazer. Mais tarde somos apresentados ao Garfield (Mutano) que ganha uma limitação. Nas histórias originais, Mutano consegue se transformar em uma porção de animais, mas aqui ele se limita ao tigre.

A aventura começa quando Dick precisa proteger Rachel e Kori se une a ele, assim como Mutano para enfrentar os perigos que os poderes de Ravena podem causar para a humanidade e escapar da ambição dos seguidores do pai dela.

Rachel Roth em Titans.

O que tem de bom em Titans?

Relembrar o clássico de olho no futuro

A série, de maneira geral, não tem defeitos gritantes. Sendo assim fica até fácil dizer o que a série tem de bom para quem é ligado em quadrinhos e para quem é totalmente desligado do assunto.

Mesmo que o elenco não seja um exemplo de atuação, os quatro protagonistas entregam o necessário para contar a história e entreter o espectador. A variação de idade e o combo de carisma vs. inexperiência, poderia gerar uma insegurança no publico, mas todos se viram muito bem na responsabilidade de trazer aos fãs esse live action de algo tão aclamado e cheio de seguidores.

Garfield em Titans

Além dos protagonistas ajudarem bastante, temos várias citações aos momentos clássicos das HQs (Piada Mortal, Morte em Família, dentre outros) e a aparição, mesmo que só para dar um gostinho de quero mais (Pinguim, Coringa, Charada, Duas-Caras e o próprio Batman, além de dois outros personagens numa cena pós-credito no fim da temporada) e, além disso, citações aos personagens conhecidos das histórias de Batman, como Gordon, Alfred e Barbara Gordon

Deixando de lado essas citações e aparições relâmpago, duas participações especiais como a de Donna Troy e Jason Todd marcaram a temporada. Principalmente a de Donna Troy que dá um show em duas aparições, tendo um episódio inteiro para ela (Jason Todd também tem). Sem deixar de lado Hawk e Dawn que são de extrema importância para a trama.

Lutas, sangue e muita ação

Uma qualidade surpreendente nessa primeira temporada, é a coragem em deixar tudo extremamente explicito e violento, sanguinário. Sequências de luta e ação bem marcantes, beirando o caricato, mas repletas de jatos de sangue e dinâmica- e atores bem preparados para encarar a porradaria. Somado ao fator das lutas serem interessantíssimas de assistir, o trabalho de fotografia da série inteira é baseado numa paleta de cores frias, mesmo quando Estelar está presente, os tons de laranja e roxo se mantém apagados, mas não totalmente, para não destoar do resto do padrão escolhido para a série.

Os personagens e suas relações

Kori Anders em Titans

Sabemos que muitos personagens em tela pode dar confusão, no minimo, pode dar um Homem Aranha 3. Aqui, em Titans, os quatro personagens conseguem construir uma relação de amizade e fraternidade tangíveis. Mesmo tendo que interagir com mais uma porção de outros personagens, os quatro principais não perdem o foco e o ritmo de suas próprias histórias. Cada um deles tem uma história, separadamente, para contar e isso mantem a série caminhando em um ritmo gostoso de assistir. Cada um deles ganha um episódio de destaque para sua própria história e nos mostram como seus elementos se cruzam e se completam durante a temporada inteira.

Onde Titans cansa?

Alguns episódios onde a história puxa o freio de mão para abrir um parentese e contar uma nova história, causam na trama um cansaço. É como se estivéssemos em uma bolha e de repente, de sobressalto, fossemos tirados daquele momento onde estamos imersos na narrativa. Isso acontece pelo menos três vezes durante os 11 episódios.

Mesmo que seja um mérito ter uma história costurada por quatro (às vezes até mais) personagens, sem enrolar o meio de campo, em alguns momentos você se vê perdido em tanta coisa acontecendo. Para algumas série é um memorável quando isso acontece (uma dúzia de situações graves acontecendo ao mesmo tempo), mas em Titans, quando existe muita coisa por acontecer, a história acaba dando um nó de uma maneira que se você abaixa a cabeça por um segundo, perde algo e fica sem entender boa parte do episódio. Acontecimentos frenéticos precisam ser bem administrado e a série falha nisso em alguns momentos.

A DC acertou, mas precisou do seu próprio streaming.

A primeira temporada de Titans é um acerto, mesmo que tenha seus momentos enfadonhos. Vale a pena dedicar algumas horas para acompanhar essa aventura repleta de momentos que fazem carinho no coração do fã da DC. Principalmente se você é um fã carente de referências e reverencias aos momentos icônicos da DC em suas versões impressas.

Personagens divertidos, atores que abraçaram o projeto, uma história que mistura linhas temporais, lutas incríveis e visual bem elaborado. Titans é tudo isso e ainda é divertida. Um belo exemplar de entretenimento.

A série finaliza seu primeiro ano com um gancho gigantesco para o segundo ano. A DC já confirmou que haverá uma segunda temporada. Agora só nos resta esperar ansiosos.

Em breve poderemos ver ou rever a primeira temporada que entrará no catalogo da Netflix no Brasil.

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