Crítica | The Titan

A Netflix encontrou um nicho e a ele tem se dedicado desde então. O nicho e a ficção científica e The Titan é a nova investida do serviço de streaming.

The Titan conta a história de Nick e a Abigail, um casal que tem sua vida mudada pela missão The Titan. Nick é soldado sobrevivente e foi escolhido com um grupo de homens e mulheres para ter seu organismo adaptado a uma nova vida. A extração de matéria prima, as guerras e a ganância fizeram a terra sucumbir aos desejos do ser humano e a OTAN, o Pentágono, o exército e a NASA criaram um programa de exploração de um novo lugar para nós, humanos, sobreviver – O Titã, uma lua de Saturno. A questão é que esse planeta é nocivo aos humanos comuns e esse grupo será transformado numa espécie avançada, adaptada para sobreviver ao ambiente hostil.

A premissa do estreante Lennart Ruff não é das mais originais e acaba na esparrela da evacuação da terra, com o adicional da degradação do planeta pelas nossas próprias mãos – acho que já vimos isso em demasia. O diferencial aqui é o ponto de vista. Afinal, estamos acostumados com as pessoas comuns vendo isso de fora e dessa vez vemos do lado da criação e dos sacrifícios dos voluntários e suas famílias.

Um filme que entrega muito menos do que promete e olha, ele promete quase nada. A história é contada de uma maneira tão preguiçosa que se torna enfadonha. The Titan abusa de recursos narrativos pobres durante toda a sua jornada. Uma família cercada de outras famílias que estão no projeto e você mal se aprofunda na história dos personagens ao redor – e quando se dá conta, alguém do grupo morreu e você sequer lembra que aquela pessoa estava ali –. Personagens que, à primeira vista, parecem se destacar com uma personalidade forte – questionando o protagonista e o criador do projeto –, são descartados a bel-prazer. Além disso, os diálogos são expositivos de uma maneira que testa a capacidade de compreensão do espectador, não é complementar, é repetitivo, além de pobre. Uma porção de frases de efeito, cheias de clichê são jogadas aleatoriamente na sua tela e isso vai fazendo aquele filme do David Duchovny com a Julianne Moore (EVOLUTION), uma obra prima . Os pontos fortes do longa são poucos, além do ponto de vista diferente do que estamos acostumados, a atuação de Taylor Schilling (Orange is the New Black) é um destaque positivo; dá para sofrer com ela a cada mudança drástica do marido e dá para compreender suas atitudes. A dinâmica entre os protagonistas também é aceitável, mas não beira o destaque.

Não é só de frases clichês que The Titan vive. Tem cenas clichês também. Daquelas que você consegue prever cada movimento e intenção dos personagens. O maior dono desse mérito é o vilão do filme que faz as vezes de médico malvado. Sam Worthington (Avatar), como sempre, apático em sua atuação nos dá um personagem inesquecível, mesmo sendo ele o portador da missão mais importante do filme, do cerne do filme.

O final do filme sugere uma continuidade, talvez não real – um novo filme –, mas sugere que tudo aquilo que aconteceu deu certo, mesmo com as trapalhadas e viradas clichê, mostrando que o protagonista alcançou seu objetivo, concluindo a missão iniciada pelo vilão que simplesmente some. Quando o filme acaba, a sensação é de tempo perdido.

Flávia Viana
Amazona, Rebelde, Jedi e Dúnedain disfarçada de Diretora de Arte durante a semana.

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