Crítica | The Man in the High Castle (3ª Temporada)

O texto a seguir contém spoilers da terceira e segunda temporada

A terceira temporada de The Man in the High Castle vem grandiosa, com mais tramas envolventes e mais destruição.

Himmler, o novo Führer em The Man in the High Castle

Depois da morte de Hitler, outro Führer assume com mais sede de dominação. John Smith ascende ao poder de forma meteórica, tornando-se o homem mais importante do Grade Reich e uma série de novos personagens ganham espaço para costurar a trama quase confusa de The Man in the High Castle.

The Man in the High Castle continua sendo uma série extremamente envolvente e inteligente.

Alexa Davalos como Juliana Crain em The Man in the High Castle

A terceira temporada se mostra corajosa. A trama ganha um viés quase cruel quando Juliana Crain se torna o que ela mais temia:  a pessoa que não teme nada e ninguém. Essa temporada é mais de Juliana Crain do que nunca. Agora ela é por ela e enfrenta quem entra em seu caminho, isso significa matar pessoas com quem ela se importa, em legitima defesa.

Nesse momento a série consegue quase imitar a narrativa do livro, onde os protagonistas não interagem, tamanha a distância entre eles e aqui, todos eles estão quase que independentes, vivendo histórias a parte. Os filmes que mostram um mundo melhor, agora são meros coadjuvantes e a ligação entre as realidades está prestes a ser rompida pelas forças armadas nazista.

A trama principal da nova temporada é pautada pelos planos dos nazista: O Jahr Null que pretende acabar com toda a história americana conhecida. O Die Nebenwelt que é, basicamente, a criação de um portal entre as realidades e a exploração/monopólio do petróleo. Todos os três planos colocam o Reich em confronto com um determinado grupo e isso, instantaneamente, causa um caos sem precedentes.

Bella Heathcote como Nicole Dörmer em The Man in the High Castle

Essas três frentes nos trazem histórias fascinantes e destacam personagens de maneira coerente e interessante. Joe reaparece completamente mudado e inclinado ao lado nazista, Nicole vai para os Estados Unidos e se envolve com uma jornalista, o que destrói a carreira de ambas, Ed decide viver sua vida sem as amarras do Estado Japonês e personagens mortos reaparecem para cumprir seu destino. Todos os personagens recebem uma atenção especial, seus problemas são apresentados e soluções são dadas, mesmo que tristes.

Ruffus Sewell como John Smith em The Man in the High Castle

Outro personagem que merece destaque, como nas outras temporadas, é John Smith. Depois do sacrifício de seu filho, o garoto se torna uma lenda pela coragem e pelo ato, mas as coisas na família não ficam normais. Ele lida com o luto de sua maneira e Helen, esposa de John, passa a frequentar o psicologo por não conseguir ir adiante depois de perder o filho e mal conseguir cuidar das outras crianças.

Na segunda temporada, John foi promovido a Obergruppenführer e agora, depois de uma manobra muito perspicaz, ele tira o Reichsmarschall do poder e assume seu lugar, tornando-se o homem mais importante do Reich nas Américas. E a partir desse momento sua vida passa a ser valiosa demais, sem poder “perder tempo” com outros pormenores naquele momento, John acaba se envolvendo demais nas investigações e Helen passa a ser uma ameaça ao seu cargo. Ruffus Sewell continua dando um show de atuação. Chega a ser redundante elogiar o talento desse homem.

A série ganhou um upgrade no que diz respeito ao visual. Nas temporadas anteriores a série já era muito bonita, visualmente falando, e agora consegue nos mostrar planos abertos de destruição em massa e grandes construções sem parecer artificial. Além disso, o tom acinzentado da fotografia consegue trazer mais peso para os dilemas do povo naquele momento, o que dá uma atmosfera quase apocalíptica para a trama.

A mensagem dessa temporada fica ainda mais clara, um episódio depois do outro. A mensagem é sobre a luta pela paz e pela liberdade. É a luta contra a opressão e pelos direitos do povo. The Man in the High Castle mostra bem o resultado do extremismo pautado em ganancia e supremacia. Com episódios carregados de tensão, drama e visual ainda mais bem elaborado do que nas outras temporadas, a série mostra que a Amazon Prime Video sabe o que está fazendo com suas séries.

O único ponto negativo é que agora, com a descoberta do portal entre dimensões, vai ficar muito fácil para um personagem ser morto e sua outra versão aparecer. No fim das contas, as mortes podem ser apenas um recurso para reforçar o fato de haver esse tipo de interação entre passado, futuro e presente.

Quarto episódio de The Man in the High Castle

Reverendo: – O que seria isso? Os Kempeitai? Para mim, parece o Kido.
Frank Frink: – Não. Os fascistas, de forma geral. A polícia secreta em todo canto. A autodepreciação das pessoas subjugadas em todo mundo. Qualquer semelhança é mera coincidência. O sol nascente representa esperança. A promessa e a possibilidade de um novo dia, de um renascer. Mas este homem é o próximo passo necessário, um símbolo das forças sombrias prontas para impedir este renascer.

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