O sucesso do Hulu, ganhador de vários prêmios em 2017, The Handmaid’s Tale volta em 2018 ainda mais intenso, mais pesado e quase difícil de engolir.

June Osborne voltou para a segunda temporada de The Handmaid’s Tale para sofrer mais. É possível? É sim. Algo que muitas pessoas reclamaram nessa temporada, foi justamente a onda de pessimismo que tomou a série.

Não existe momento de paz ou momento onde as coisas possam dar certo sem uma virada inesperada, onde a série é levada, mais uma vez, para uma trama extremamente violenta e envolta em sofrimento. Isso, inclusive, foi motivo para muitos dos espectadores abandonarem a série.

Direto o que interessa, The Handmaid’s Tale continua em um nível muito alto de história. Margareth Atwood teve um trabalho tão completo e conciso em seu livro que mesmo sem esses referencial, a série se mantém linear e extremamente coerente com o universo criado pela autora. A crueldade de Gilead ganha proporções gigantescas nessa temporada e conseguimos ver um pouco mais do mundo além daquela célula alienada.

Acompanhamos June em uma fuga frustrante, logo de início e os primeiros episódios da segunda temporada são extremamente emocionantes. A série começa a ampliar aos nossos olhos tudo o que aquele movimento fanático e alienado destruiu. Não só famílias, não só instituições, almas foram quebradas. A série decidiu também nos dar mais do background de personagens importantes como Moira e Emily, o que nos faz ter ainda mais apego ao que as duas passam (embora Moira esteja melhor que Emily).

Falando de Emily, essa temporada deu mais espaço para Alexis Bledel. Se na temporada passada ela já recebeu muito destaque, nessa ela tem episódios completos para ela. Emily nos mostra as Colônias, ambiente inóspito para onde Aias (e esposas, surpreendentemente) são enviadas para um punição lenta e dolorosa. Emily é, ao lado de June, a personagem que mais tem sede de vingança e isso ela vai mostrando ao longo da temporada, ela quer por Gilead em seu devido lugar.

Por falar em Gilead no chão, esse momento é um momento crítico para essa célula. As pessoas do lado de fora a rejeitam, as pessoas de dentro conspiram e atentam contra ela e nem a mulher do homem responsável por isso, a suporta mais. Serena dá indícios de fadiga daquele sistema opressor e tem lampejos que a empurram para o lado de June durante toda a temporada, mas ela sucumbe ao poder de seu marido e ao medo de perder o que tem. Yvonne Strahovski mostra todo seu potencial e merece total reconhecimento para o que tem feito por Serena; entrega a segurança de uma mulher intelectual, mas também mostra a fragilidade de uma mente alienada e aprisionada pela sua própria criação.

Uma nova personagem foi adiciona ao vasto leque alicerces importantes para o desenrolar da trama. Eden é uma garota de 15 anos, tirada de sua família e entregue para um dos rituais mais absurdos da série: casamento compulsório com homens mais velhos. Eden se casa com Nick e são obrigados a reproduzir, mas como uma menina de 15 anos, Eden acaba saindo dos trilhos e protagoniza uma das cenas mais impactantes dessa temporada inteira. Ela é uma personagem importante para entendermos como aquele sistema pode destruir alguém de maneiras diferentes.

Os aspectos técnicos da série são indiscutíveis, não existe um momento em que algo esteja fora de lugar (só intencionalmente), as cenas nas Colônias dão um show de cinematografia, assim como as músicas escolhidas para o fim de cada episódio (tem até Rihanna!). Não existem altos e baixos em The Handmaid’s Tale. Cada episódio acrescenta um peso e uma importância muito grande para o desenrolar da história, até o momento final do último episódio. Como na primeira temporada, o final não só é aberto, como é chocante. O que será de June agora?

A série é torturante e mesmo com os exageros apontados por um grande número de espectadores, continua mantendo o nível muito alto em todos os aspectos.

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