Crítica | Star Trek: Sem Fronteiras

Star trek é o rock e a orquestra, o preto e o branco, o homo e o hétero. Star Trek não tem fronteiras.

O espaço é a fronteira final. Durante os anos vários e vários pensadores imaginam o que existe além das estrelas, bem como de que forma chegaremos lá. A ficção científica espacial se desenvolveu muito a partir das missões espaciais em que a Rússia e os Estados Unidos realizavam em sua corrida espacial. É inegável que ambas as partes desenvolveram muito conhecimento nesta época, cada uma acumulando feitos e heróis separadamente. Onde eles teriam chegado se trabalhassem juntos? Foi isso que Gene Roddenberry imaginou em Star Trek, a série clássica.

50 anos se passaram desde que a série, em que a humanidade deixou de lado suas diferenças em prol de um bem comum, estreou. Infelizmente, a metáfora de colocar um americano, um russo, um japonês, uma mulher negra e um extraterrestre em uma cabine de comando trabalhando juntos e em harmonia continua importante. Aliás, talvez ainda mais importante, já que conseguimos criar novas formas de preconceito e intolerância. É nesse cenário que Star Trek: Sem Fronteiras estreia. E ao mesmo tempo que ele sabe divertir ele sabe levantar essas bandeiras clássicas para um novo público.

Para começo de conversa é preciso aplaudir o trabalho do roteirista (e também o intérprete do Scott) Simon Pegg. Nerd que é ele soube entender o que fez a série se tornar uma das marcas mais poderosas do mundo e criou um texto que mesmo cheio de ação e momentos grandiloquentes consegue ter seus respiros para analisar a sociedade em que vivemos e compará-la com a Federação de Planetas Livres. Tudo ali é pensado para desenvolver estes termos em cima de diversas metáforas, a mais poderosa delas sobre o vilão Krall. Sem entrar muito em spoilers, mas é magnífica a ideia de como o personagem pensa e de onde obteve seus poderes. Com seu pensamento belicoso e a forma como ele sobrevive e é modificado por isso. Krall é todos aqueles que visam a separação entre etnias, credos, opções sexuais e afins. E a cada vez que ele conquista um grupo, ele vai se distorcendo. A Federação pelo contrário prega uma sociedade sem preconceitos. A união faz a força, diz um personagem em um determinado momento.

Krall alias recebe uma interpretação monstruosa de Idris Elba. Irreconhecível debaixo de sua maquiagem (a maquiagem do filme se mostra as vezes um pouco falsa, uma homenagem para as maquiagens e fantasias da série clássica presentes em toda esta nova trilogia) ele dá um porte, e uma linguagem corporal tão ameaçadora que eleva o vilão para um patamar que apenas ele, como Shere Khan em Mogli, alcançou. Um vilão realmente ameaçador.

Justin Lin, que estreia na direção, é outro que trouxe muitas novidades para a franquia. Saem os flares e câmera na mão de J. J. Abrams e entra em cena close e uma câmera nervosa nas cenas de ação. Porém quando é para gravar a Enterprise ele grava de forma lenta, de vários ângulos, quase como uma criança vendo um brinquedo novo ou um amante vendo o namorado/namorada. Isso faz com que a própria estrutura da nave tenha uma importância ímpar. E quando ela é atacada… mais que uma nave, a Enterprise é uma personagem viva atacada pela intolerância.

E é assim que Star Trek finalmente passa de onde a série parou. Sem nunca esquecer de onde veio (tem 4 homenagens ao Leonard Nimoy no filme e eu chorei nas quatro) e também sem esquecer de olhar além, o longa consegue demonstrar como esta é uma marca importantíssima para a raça humana. O que vai vir a seguir? Não sei, mas com certeza vai ser divertido. E alguém entregue logo o Oscar pro Michael Giacchino. Que trilha sonora maravilhosa!

Ps. Como é característico desta trilogia o filme termina com a introdução da série. Desta vez entretanto eles fizeram de uma forma tão singela e emocionante… Genial é a palavra.

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