Crítica | Procurando Dory

Continue a nadar, continue a nadar…

Acho seguro dizer que durante a primeira década dos anos 2000 a Pixar foi responsável por alguns dos filmes mais marcantes produzidos por Hollywood. Entretanto, após o excelente Toy Story 3 a produtora começou a realizar produtos que decepcionaram os fãs, como Valente, Carros 2 e Universidade Monstros. Um ano sem produzir filmes possibilitou para que Divertida Mente tivesse tempo de produção para se tornar um dos mais legais longas do ano passado. A Pixar parece estar se reerguendo e Procurando Dory mostra que eles estão no caminho certo.

Antes de me adentrar em Procurando Dory, gostaria de tecer um rápido comentário sobre Piper: Descobrindo o mundo. O curta é apresentado antes de começar o longa, como é de praxe para as animações da Disney/Pixar, e ele sozinho já vale o ingresso. Com um visual arrebatador e uma história belíssima, acompanhamos um pequeno pássaro dando seus primeiros passos sozinho para aprender a sobreviver. Simplesmente magnífico.

Quanto ao filme em si, há uma ressalva quanto à sua produção. O diretor Andrew Stanton, que assinou Procurando Nemo, havia comandado o injustiçado John Carter, que embora seja um filme divertidíssimo sofreu com uma campanha de marketing lamentável, resultando em um fracasso de bilheteria. A continuação de Nemo apareceu nos planos logo depois meio que como um pedido de desculpas pelo vacilo. Essa obrigação de ter um bom resultado financeiro justifica o porque de Procurando Dory ser um filme que encontra muitos ecos em seu antecessor, de modo semelhante à Star Wars: O despertar da Força ou Jurassic World por exemplo. Mas é na competência da direção que o filme encontra a sua razão de existir.

O filme narra as aventuras de Dory, peixe com perda de memórias recentes que roubou a cena no primeiro filme. ela, após viver um ano ao lado de Marlin e Nemo, lembra-se que antes de sua jornada para procurar Nemo ela estava em uma jornada para reencontrar seus pais. Após uma discussão, ela acaba se separando da dupla e capturada por humanos, sendo levada para um local de reabilitação para animais marinhos. O filme então se divide nas aventuras de Dory tentando encontrar seus familiares enquanto Marlin e Nemo tentam libertá-la.

De fato a trama é muito parecida com Procurando Nemo, inclusive relembrando diversos momentos clássicos, como o surfe com as tartarugas pelas correntes marítimas, ou a cena em que Marlin pula na parte de cima de Águas-Vivas, aqui adaptada com ele pulando por entre esguichos de água. Ainda assim, Andrew Stanton consegue criar cenas inesquecíveis não com piadas ou ação, mas criando algumas cenas de diálogos pesados, gravados com a cara de um filme indie. Câmera estática gravando os dois personagens conversando, zooms em olhos emocionados ou mesmo uma cena em que há um desfoque geral, mostrando a confusão mental em que estamos presenciando dão o peso necessário para que Dory deixe de ser apenas um alivio cômico para virar uma personagem densa, com problemas e dilemas sérios. Isso torna o filme sombrio e realista? Longe disso. Procurando Dory é divertido e colorido, mas com estas pitadas que apenas os expectadores mais crescidos irão apreciar e se importar. Este é o modus operandis da Pixar, afinal.

No fim, tenho certeza de que muito se falará de uma possível falta de criatividade e repetição da fórmula utilizada no primeiro longa. Bobagem, Stanton é um diretor que, assim como seus colegas de estúdio Pete Docter e Brad Bird, sabem explorar o lado humano de seus personagens. A trama é uma desculpa, o importante é sempre continuar a nadar…

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