Em “A Origem” (2011), primeiro longa dessa nova trilogia que antecede cronologicamente os clássicos dos anos 60 e 70, é explicado como se deu o evento que trouxe a gripe símia que dizimou a raça humana e como a mesma deu alta inteligência e raciocínio (bem como a fala) aos macacos. Já em “O Confronto” (2014), se passaram 10 anos desde a pandemia e tivemos o primeiro embate entre as duas raças, onde cairia bem o subtítulo dado ao novo filme, que por sua vez deixa o evento bélico em segundo plano, focando mais em temas como a busca pela humanidade interior e a falta de esperança.

PLANETA DOS MACACOS: GUERRA

Diferente do que maioria das pessoas poderiam esperar, a busca pela humanidade em questão vêm dos símios, algo que deveria ser particular aos humanos, mas não é devido a sua prepotência e arrogância, fortalecidas pela plena falta de esperança oriunda do que sobrou dos humanos após a devastação. Devastação essa que foi criada por eles mesmo.

Na história vemos o “Coronel”, personagem vivido por Woody Harrelson, – que lembra bem o louco coronel Kurtz de Apocalipse Now (1979) – liderando um grupo de soldados remanescentes do exercito americano em sua caçada aos macacos, em quem ele coloca toda a culpa desses eventos. Por trás do ódio direcionado aos símios, o militar também tem o receio de que a raça humana deixe de ser a raça predominante no planeta… Do outro lado vemos Cesar (Andy Serkis), o símio criado em laboratório e grande líder dos macacos, procurando por um lugar pra viver com sua família e tribo, enquanto tenta construir uma relação pacífica (porém distante) com os humanos sobreviventes.


PLANETA DOS MACACOS: GUERRA

É lindo ver como o diretor Matt Reeves (Planeta dos Macacos: O Confronto e Deixe-me entrar) nos apresentar essa história, que devo admitir que eu estava com receio em assistir, seja pela sua sinopse cheia de clichês ou pelo que foi revelado nos trailers, onde eu ficava me perguntando de onde teriam saído tantos humanos e macacos depois do que foi contato no segundo filme.

De fato fui assistir sem expectativas e me surpreendi de maneira altamente positiva! Realmente a direção de Reeves colocou alma no filme, sejam pelos momentos dramáticos, pela fotografia impecável,  ou simplesmente pelo lindos cenários mostrados em diversas cenas… Mas nada disso se compara à cereja do bolo, que é a interpretação de Andy Serkis (o Gollum de O Senhor dos Anéis). Mesmo que Cesar seja completamente feito por captura de movimentos, o ator merecia o tão alardeado reconhecimento da Academia e receber ao menos uma indicação ao Oscar como Melhor Ator. Sua atuação é simplesmente magistral! Cada gesto, palavra, olhar ou expressão do seu Cesar nos faz crer que um macaco pode mesmo ser mais humano do que muitos de nós… E pode mesmo.

PLANETA DOS MACACOS: GUERRA

Alem do grande protagonista, se destacam também temos os companheiros de Cesar, Maurice (Karin Konoval), Luca (Michael Adamthwaite) e Rocket (Terry Notary), que ajudam a humanizar ainda mais o elenco símio com suas interpretações sensíveis. Mas, nem só de drama vive o longa, temos também o alívio cômico preciso com o “macaco mau” de Steven Zahn e a silenciosa presença da menina humana interpretada pela bela Amiah Miller.

No meio disso tudo, os fãs dos clássicos são presenteados com algumas referências bem notórias, porém eu achei que elas foram reveladas de uma maneira um tanto quanto precipitada, podendo ficar pra outro filme mais pra frente. Mas, não é nada que atrapalhe a experiência.
Vá assistir sem medo, mas não espere por um blockbuster cheio de ação e explosões digno das grandes super produções como promete o trailer. O “timing” do filme é mais lento, mas com um enredo “redondinho” e uma trilha sonora bem encaixada nas cenas. “Planeta dos Macacos: A Guerra” é um filme que mistura drama e conflitos interiores, é político e ao mesmo tempo emotivo… Um filme recomendado para todos os gostos.

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