Crítica | Pantera Negra

Facilmente Pantera Negra é um dos melhores filmes do MCU.

Spoiler Free: pode ler em segurança

Quando o Pantera Negra foi anunciado como um dos personagens de Capitão America: Guerra Civil, não houve muito rebuliço. Era apenas mais um personagem integrando aquele elenco repleto de super heróis.

O anuncio do filme solo teve o mesmo efeito. O elenco foi revelado aos poucos e as expectativa aumentaram em relação a qualidade do projeto, principalmente com tantos atores excelentes e alguns ganhadores de Oscar integrando o time.

Ryan Coogler, o diretor do projeto, alguns anos antes havia recebido o reconhecimento devido por Creed, filme que lhe conferiu alguns prêmios, respeito e visibilidade. Graças aos seus trabalhos de qualidade antes disso, a Marvel ofereceu a ele o projeto, com uma possibilidade de fazer diferente, de trazer algo novo para o grande publico e com uma carta QUASE branca para fazer o que lhe desse vontade em relação ao roteiro, direção e todo o resto. Essa confiança deu a chance necessária para o filme se tornar esse sucesso que podemos conferir em números, crítica, aceitação e atenção.

Pantera Negra começa com uma das cenas de apoio narrativo mais bonito já feitas para os heróis (a cena de Mulher Maravilha, onde é contada a criação das Amazonas era uma até então). T’Chaka conta ao seu herdeiro, T’Challa, todas a criação de Wakanda e de como o Vibranium está cravado em seu solo e no sangue dos Wakandanos.

A partir do momento que temos uma breve explicação do universo de Wakanda, vemos tudo o que aconteceu pós Guerra Civil. T’Challa sendo conduzido para sua ascenção ao trono e em todo esse processo somos agraciados com o visual espetacular criado para representar Wakanda. O visual vai desde tudo que há de mais moderno até os rituais Wakandanos, toda a cor e personalidade daquele universo tão único e incrível.

A sala do trono de Wakanda em Pantera Negra

T’Challa tem que lidar com algumas intempéries até que a maior delas chega, Ulysses Klaw mostra seu interesse por Wakanda e o Vibranium não diminuíram. O encontro com Ultron o deixou ainda mais perturbado e agora ele possui a “Garra Sônica” que contribui e muito para uma das sequencias mais incríveis do filme. Depois de Klaw, eis que Killmonger mostra suas garras e não é apenas um rapaz ajudando um maluco em sua busca insana por mais Vibranium. Killmonger e o Pantera Negra se enfrentam e o Rei de Wakanda perde seu posto. Assim, Wakanda passa por um período de problemas com um governante que tem motivações que oscilam entre um suposto BEM MAIOR e motivações pessoais.
Pantera Negra tem uma gama de personagens extremamente bem desenvolvidos e é muito fácil querer saber mais sobre cada um deles.

As Dora Milaje reunidas para defender Wakanda em Pantera Negra

As Dora Milaje, guardas do Rei, são incríveis. Danai Gurira mostra que nem só de Michonne vive uma atriz extremamente maleável e entregue a um projeto. Sua personagem é um dos destaques. Personalidade forte com um vies sensível e bom humor pontual, ela é a melhor General que as Dora Milaje poderiam ter. Nakia (Lupita Nyong’o) é o interesse amoroso de T’Challa e geralmente, com muito experiência por conta dos nossos heróis anteriores, sabemos que interesses amorosos tendem a dar uma freada na trama, mas a ela age justamente de maneira oposta, participando diretamente do problema principal e ajudando sem soar como uma Mary Sue. Shuri (Letitia Wright), irmã de T’Challa é uma personagem incrível também. Menina prodígio de Wakanda, tendo em suas mãos a responsabilidade de deixar o clima mais leve, ela ajuda a trama ser construída com um toque suave e jovial. Mestre da Tecnologia Wakandana, ela mostra ter um futuro intrigante dentro do MCU. Ramonda (Angela Bassett) é mãezona mesmo, assim como todos os personagens, tem sua importância para a trama. No começo parece ser apenas mais uma matriarca, mas é uma mãe Pantera (para não dizer leoa), protege sua cria com unhas e dentes, como toda boa mãe que quer um futuro para suas crias; ela sofre e sofremos junto.

Killmonger é o melhor vilão do MCU?

Michael B. Jordan como Killmonger em Pantera Negra

Não. E não por qualidade inferior aos outros que já conhecemos; principalmente Loki. O que acontece para ele não ser esse vilão maravilhoso? Pouco tempo de tela. Além disso, as motivações dele oscilam; ora parece uma coisa, mas na verdade é outra e o contrário também. Em alguns momentos ele soa como algo que deu errado e o próprio T’Challa pensa assim “ele poderia ser diferente” e isso torna Killmonger o resultado das escolhas alheias e não é exatamente o que ele deveria ser. Poderia ser diferente. Talvez se, de repente, tivéssemos mais de Killmonger, ele se tornaria algo tão grande quanto Loki, mas não foi dessa vez. Michael B. Jordan entrega uma atuação acima da média e dá pra esquecer, por completo o Quarteto Fantástico.

Chadwick Boseman consegue entregar um herói genuíno. O sotaque, o modo de tratar cada personagem com quem interage, a maneira como defende Wakanda e os interesses de sua pátria; tudo é tão crível que você começa a se questionar sobre os motivos de Pantera Negra não ter vindo antes. O que o personagem sofre, desde a perda do pai, até a nova responsabilidade, sua relação com a mãe e a irmã, com a garota que ele gosta e aos seus servos em geral, tudo é tão brilhantemente lapidado que a vontade de que Wakanda seja o centro do futuro MCU só aumenta.

Pantera Negra tem algum defeito? Ah, tem sim.

Muita gente costuma não ligar para a veracidade das cenas de luta, afinal: são heróis. Porém, infelizmente, ainda não se pode reproduzir algo que realmente não soe como uma cutscene de XBOX 360 quando você só usa fundo verde e azul para construir uma nação. Algumas cenas de lutas são de tirar o fôlego, entretanto, outras parecem, de fato, coisa vinda de videogame e o 3D só torna isso mais evidente. Algumas cenas são bem escuras por conta do ambiente e deixa tudo ainda mais artificial, mas não se preocupe que isso não diminui a qualidade do filme.

O que torna o filme ainda mais incrível é o esmero de Ryan Coogler para tratar uma cultura, uma raça, uma nação e um personagem tão distante para o grande publico do cinema e ainda sim, tão real fora do cinema. A discussão política do filme é importante, principalmente quando vivemos tempos de intolerância, injustiça e descaso com as minorias. Precisamos pensar no próximo e não deveríamos pensar nisso por causa de um filme, deveríamos não precisar de um filme, isso deveria vir naturalmente, mas existem coisas que empurram algo para a frente e filmes como Pantera Negra é um desses.

O filme não foge daquela velha fórmula, mas ele a desconstrói em alguns momentos e a remonta da maneira mais justa para que Pantera Negra funcione dentro do MCU como uma vírgula cheia de adornos, representatividade e escolhas coerentes.

BÔNUS: Trilha sonora

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