Crítica | Os Incríveis 2

Quando Os Incríveis estreou há 14 anos atrás, a Pixar revolucionou a forma de fazer animação a colocar pela primeira vez uma família de humanos em sua animação, já que até então ela baseava seus filmes em um universo antropomorfizado e imaginário.​ E foi um sucesso, arrecadando mais de 600 milhões de dólares e concorrendo a quatro Oscar (vencendo duas categorias de melhor animação e edição de som) rendendo a continuação: Os Incríveis 2.

O maior trunfo do primeiro filme é exatamente dividir o filme entre duas vertentes onde por um lado existia um drama familiar e outra que era a ação em si, e que certo momento essas duas vertentes se comunicavam o que justificava a ação e tornava a história divertida e tão fácil de se identificar com Os Incríveis 2 e o 1.

família combatendo o escavador.

A sequência que começa exatamente onde o primeiro nos deixou e o que vemos aqui é uma espécie de releitura do primeiro filme, agora é a Mulher Elástica que tem que trabalhar fora e sustentar a família e isso gera uma grande desestabilizada na família, principalmente com o Senhor Incrível. O assunto que chega em um ótimo momento onde existe uma discussão muito grande do novo papel da mulher na instituição da família. O filme se enriquece muito nesse sentido. Mas a trama é muito mais simples nessa continuação talvez para abranger um público infantil ainda maior já que o primeiro filme teve censura de 13 anos.

Escrito e dirigido por Brad Bird (Ratatouille e The iron Giant) o longa é tecnicamente impecável, seja na textura dos personagens, o uso da luz traz certo realismo às cenas, cada personagem tem suas nuances e peculiaridades, percebemos aqui até a linguagem corporal e o jeito que os personagens se movem e interagem é muito bem feito. O tom meio sessentista mas ao mesmo tempo tecnológico dá um tom único no filme que compõe muito bem toda a história.

Mulher Elástico agora trabalha, enquanto o Senhor Incrível cuida das crianças.

As cenas de ação são muito boas e bem criativas, o jeito que a família usa seus poderes (principalmente a Mulher Elastica) e como esses poderes os representam é uma das maiores sacadas desde o primeiro filme. Outro ponto positivo é a dublagem e adaptação brasileira, as vozes do primeiro filme estão lá, o que gera um vínculo emocional quase que instantâneo quando o filme começa. Em contrapartida temos a Disney introduzindo repórteres, apresentadores para a dublagem em seus filmes, o que acaba prejudicando a experiência do espectador. Temos também a descoberta dos poderes do Zezé que nos rende as melhores cenas do filme, e as participações maravilhosas de Edna Moda e do Gelado (que na sequência tem muito mais  a fazer).

Um dos maiores problemas do roteiro é aquela fórmula que já foi usada tantas vezes em tantos outros filmes de manipulação da mente e é exatamente o que temos aqui com o novo vilão, “O Hipnotizador’, que não tem uma motivação convincente e em alguns momentos sem sentido. Aliás o roteiro é bem previsível no primeiro ato, você já consegue saber exatamente que rumo o filme vai seguir.

Os Incríveis 2

Os Incríveis 2 ainda aborda temas como satisfação pessoal e acima de tudo um retrato honesto da dinâmica de uma família e ainda rende uma crítica ao discurso retrógrado e machista ao colocar a Mulher Elástica como protagonista e deixar o Senhor Incrível cuidando da casa. Todos esses motivos fazem de Os Incríveis 2 se tornar quase que imediatamente mais um dos clássicos das animações modernas e todos esses pequenos tropeços não interferem em nada a diversão e a relevância que esse filme tem no cenário da cultura pop mundial.

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Mauricio Tavares
Um dia acordei e decidi ser EU ! Fim da estória. *Cinema *Séries *Livros

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