Crítica | O Mundo Sombrio de Sabrina

Texto livre de spoliers!

O mundo Sombrio de Sabrina é baseado em uma série de quadrinhos da Archie Comics (mesmo universo de Riverdale) que conta a história de Sabrina, uma adolescente metade bruxa e metade mortal que se vê obrigada a escolher entre um dos dois mundos. A História de Sabrina já havia virado uma sitcom lá em 1996 e durou sete temporadas, com um tom mais leve, quase que infantil.

Pois bem eis que em 2018 chega no catálogo da Netflix a versão mais sombria e fiel aos quadrinhos de Sabrina, quando o primeiro trailer foi lançado a mudança de tom assustou alguns fãs saudosos da série dos anos 90, e O Mundo Sombrio de Sabrina reforça essa proposta ao longo de seus 10 episódios.

O Mundo Sombrio de Sabrina.

Prestes a completar seus 16 anos Sabrina (Kiernan Shipka) tem um ritual de passagem chamado “Batismo das trevas” e ela reluta em abdicar da vida que leva como mortal e tenta a todo custo balancear o convívio entre os dois mundos. Essa nova roupagem também nos trouxe uma Sabrina muito mais questionadora e feminista o que faz com que sem dúvidas torne uma personagem ainda mais interessante.

Todo o elenco feminino merece destaque, suas tias Hilda (Lucy Davis) e Zelda (Miranda Otto) são um contraponto uma da outra o que faz com que a relação de amor e mágoa reprimida entre elas seja interessante de se ver. Temos Prudence (Tati Gabrielle) também é uma personagem interessante que antagoniza a Sabrina em alguns momentos, mas que mostra certa vulnerabilidade em certas ocasiões, e é claro que não podemos deixar de citar aqui Mary Wardwell / Madame Satã (Michelle Gomez) e sua relação com Sabrina, que a manipula para fazer as vontades do Senhor da Trevas, tornando-se uma espécie de conselheira.

O Mundo Sombrio de Sabrina.

O roteiro da série é escrito de forma bem dinâmica, principalmente os dois primeiros episódio que nos dão muito o tom da série, os personagens principais são bem escritos assim como toda a mitologia que envolve o mundo sombrio; seja a Escola de Arte das Trevas, e como  a história de Greendale é diretamente ligada ao mundo das bruxas o que ajuda a criar um universo que nos deixa curioso. A abordagem sobre a fé é muito bem desenvolvida, mesmo que a religião mostrada seja o satanismo, a série consegue em alguns momentos transcender isso e dar um sentido mais amplo nesse conceito. Os elementos de suspense e terror estão presentes na série e a medida que os episódios se desenrolam a história vai tomando um tom cada vez mais denso com algumas pitadas até de terror gore.

A ambientação da série é muito bem acertada e similar à de Riverdale (que tem os mesmos produtores) o desing de produção chama atenção, e a paleta de cores da série ajudam a diferenciar os dois mundos; que vão de cores quente e saturadas (mundo mortal), a cores frias (mundo sombrio) e usando contraste com o vermelho, a protagonista sempre tem alguma peça nessa cor. É interessante ver como a fotografia é usada para nos situar entre o mundo sombrio e o mundo mortal, quando vemos ângulos inusitados e uma certa distorção na imagem, já a maquiagem é algo problemático na série já que te tira um pouco do clima e da seriedade da produção pois fica muito claro o uso de próteses.

O Mundo Sombrio de Sabrina.

O Mundo Sombrio de Sabrina entrega uma primeira parte cheia de discussões atuais, tais como feminismo, assédio, religião e livre arbítrio e pode gerar alguns desconfortos exatamente por isso, ha ligações explícitas ao satanismo e algumas falas que talvez desagrade alguns devotos de certas religiões, mas se tratando de uma série de fantasia e suspense é uma ótima empreitada da Netflix, que claramente tem um vasto universo para se desenvolver, lembrando que a segunda temporada já foi confirmada e está em produção.

ANÚNCIO

3 COMENTÁRIOS

DEIXE UM COMENTÁRIO

Please enter your comment!
Please enter your name here

Você não está conectado à internet