Crítica | O Doutrinador

Criado em 2008 por Luciano Cunha, O Doutrinador  uma HQ sobre um anti herói brasileiro que decide acabar com a corrupção no Brasil matando seus políticos, mas foi somente em 2013 quando Luciano decidiu publicá-las em uma fan page e devido a onda de manifestações daquele ano, a HQ se popularizou e hoje já se tem uma edição encadernada lançada pela Redbox Editora,  além de ter atingido países como Estados Unidos, Inglaterra e Argentina.

Criação de Luciano Cunha.

Apesar da criação de Luciano nas HQs nunca ter sua identidade revelada, o filme de Gustavo Bonafé toma certas escolhas criativas que se encaixa mais na narrativa cinematográfica, então agora temos um rosto e um nome para o Anti Herói e assim conhecemos Miguel (Kiko Pissolato) um agente federal altamente treinado que mora na fictícia metrópolis de Santa Cruz, que após uma tragédia pessoal acaba transferindo toda a sua energia em perseguir e matar políticos corruptos, assim o caminho de Miguel acaba se cruzando com o de Nina (Tainá Medina) uma hacker que o ajuda em sua chamada busca por justiça.

Kiko Pissolato e Tainá Medina.

Tudo que acerca a produção de O Doutrinador é muito bem executada, seja o design de produção que constrói uma metrópole e cenários críveis dentro do universo, temos a fotografia que também surpreende em planos amplos e verticais que não ficam devendo nada às produções norte americanas (há uma cena gravada no teatro municipal de São Paulo que é muito bem realizada), e é claro lugares conhecidos pelos brasileiros ganham novos olhares.

O roteiro peca um pouco no primeiro ato, quando passa muito tempo na introdução do personagem do Miguel e talvez isso o torne um pouco arrastado, a partir do primeiro ponto de virada o filme se torna mais interessante e dinamico e a idéia de que o Doutrinador é uma figura onipresente na trama é muito bem construida. Alguns fãs de quadrinhos eventualmente podem comparar o Doutrinador com o Justiceiro  da Marvel, mesmo que  as motivações do Miguel ao longo do filme se modifiquem, a montagem também em certos momentos é confusa o que prejudica um pouco a narrativa.

O Doutrinador em ação.

O elenco ainda conta com Marília Gabriela, Helena Ranaldi, Natália Lage, Tuca Andrada, Eduardo Moscovis e Samuel de Assis. Contudo, Kiko Pissolato e Tainá Medina são os que sem dúvidas se sobressaem em suas interpretações. Kiko consegue transitar entre um pai carinhoso e sensível à um torturador, juiz e carrasco sem que a empatia do público se perca, já Tainá entrega uma personagem forte e decidida que não se dobra há um sistema corrupto e desigual.

Samuel de Assis, Eduardo Moscovis e Kiko Passolato.

Apesar do filme deixar clara que a sua intenção é entreter é difícil não ver retratada ali uma parte do mecanismo político em que vivemos; o politico que mesmo com todas as provas acaba saindo livre, o candidato que se apoia na igreja, e outro que insiste em passar a vocação política para o herdeiro. E mesmo que indiretamente pode ser visto como uma grande representação do cenário político atual. 

O Doutrinador surpreende e é sem dúvidas um filme que eleva o cinema brasileiro em um outro nível, seja pela estética, cenas de ação e a retratação do primeiro anti herói brasileiro nos cinemas e na TV já que a série está programada para estrear no ano que vem no canal pago SPACE.

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