Crítica | Mogli: Entre Dois Mundos

Esse texto é livre de spoilers.

Mogli: Entre Dois Mundos vem para desvirtuar a imagem que temos da história.

Calma, isso não é um defeito. Muito pelo contrário. Aqui, Andy Serkis mostra que toda história pode ser contada de formas diferentes sem perder sua essência e sua moral no final.

Mogli: Entre Dois Mundos conta a história de um garotinho levado para uma alcateia depois de ser encontrado (abandonado) na floresta logo após a morte de sua família. Criado em meio aos lobos e em uma luta constante para ser aceito no meio dos animais, Mogli tem que sobreviver ao paladar sanguinário e a sede de vingança desenfreada de Shere-Khan (Benedict Cumberbatch).

Protegido pela alcateia, por Bagheera (Christian Bale) e Baloo (Andy Serkis), Mogli tem a garra e instinto de sobrevivência de um lobo, mesmo não sendo um e sendo rejeitado por ser ‘filhote de homem’ que pode trazer o perigo para a selva.

O menino Lobo e sua ‘mãe’ em Mogli: Entre Dois Mundos.

Depois do filme de Jon Favreau em 2016, possivelmente, muita gente não imaginaria Mogli ganhando uma versão ainda tão mais ‘real’, distanciando ainda mais a lembrança da animação clássica, por exemplo. A direção de Andy Serkis nos traz um filme violento, que se não fosse pelos efeitos especiais precários e um meio de campo confuso, seria tão digno de aclamação quanto o filme de 2016.

Rohan Chand, o ator que dá vida ao personagem-título, é o maior destaque disparado. O garotinho entrega a emoção necessária nas cenas em que isso é exigido dele e a todo momento ele parece se divertir, como se tivesse nascido para aquilo. As cenas onde o garoto precisava interagir com os animais de computação gráfica são os momentos mais fracos, visualmente falando. E esse é o ponto mais baixo do filme. A resolução é tão precária que te tira do filme nesses momentos e aí você pode dispersar.

Rohan Chand em Mogli: Entre Dois Mundos.

O filho de Andy Serkis, Louis Serkis, também está no filme dando voz ao amigo lobo-albino de Mogli e em um determinado momento, Bhoot é importante para a trama – protagonizando um momento difícil de não se emocionar. Além dos nomes citados, Cate Blanchett aparece dando voz a Kaa, a cobra que habita a selva e causa temor em seus habitantes.

O filme tem uma intenção boa, que é mostrar a crueldade humana vs. a crueldade da selva e como as duas se chocam quando os interesses são diferentes. Além disso, há uma mensagem sobre inclusão e preconceito muito pertinente. Se ignorarmos a qualidade ruim dos efeitos especiais e pequenos momentos onde o filme parece perder folego, Mogli: Enre Dois Mundos, é um ótimo filme.

Há muita divergência entre as pessoas que assistiram o filme, causando estranheza por conta da linguagem utilizada e também pelo fato de ‘desvirtuar’ a imagem consolidada de um personagem. O filme merece uma chance se você quer ver algo diferente e prestigiar a habilidade de Andy Serkis em contar uma história extremamente emocionante.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Muito legal a resenha. Este filme realmente me criou uma estranheza. Gostei bastante. Acho que tem cenas incriveis. A prova dos lobos é sensacional. Mas o filme como um todo não era o que eu esperava. Fui assistir com meus filhos, por já conhecer a estória, mas acabei me assustando com certos momentos do filme que não existem na versão Disney. Algumas partes achei completamente desnecessárias (A parte dos macacos assassinos. Macacos foram feitos para serem bonzinhos!!). Já o confronto final de Mogli com o Tigre é violento e não sei se concordo muito com o conceito de vingança Olho por Olho, Dente por Dente, mas como impacto visual foi muito legal. Depois que fui ver que a censura era 12 anos. Acho que vale a pena seguir esta indicação para o filme ter seu publico correto. Não faça como eu que achei que era mais um filme de Natal para ver com a molecada.

    • Realmente não é um filme amigável, principalmente pra crianças. Com criança é melhor ver o de 2016, do Jon Fraveou que é muito mais amistoso, tanto visualmente quanto em história. Esse é muito mais a versão ‘nua e crua’ de uma história ‘mentirosa’. kkkk. A versão -3 na escala Disney. Acho que a intenção do Andy Serkis era mostrar o que ‘realmente aconteceria se um garoto fosse criado na selva.’ kkk Ainda sim é um bom filme.

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