Crítica | Millenium: A Garota na Teia de Aranha

Millenium: A Garota na Teia de Aranha (“The Girl In The Spider’s Web”) estreou na última quinta, 8, nos cinemas brasileiros e a gente conta o que você pode esperar. A crítica não contém spoilers.

Sendo o quinto filme baseado nas histórias de Lisbeth Salander e tendo a terceira atriz a interpretar a personagem, é quase impossível não comparar tanto as novas atuações quanto o novo rumo tomado pela saga Millenium. A primeira trilogia, em sueco, foi estrelada por Noomi Rapace e baseada nos livros “Os Homens que Não Amavam as Mulheres”, “A Menina que Brincava com Fogo” e “A Rainha do Castelo de Ar”, de Stieg Larsson.

A versão hollywoodiana estrelada por Rooney Mara foi lançada em 2011, dois anos após a primeira, e contou com David Fincher (“O Clube da Luta” e “Zodíaco”) na direção. O sucesso do filme foi tão grande que garantiu algumas indicações ao Oscar daquele ano, incluindo o de melhor atriz para Mara.

Então, o que podemos esperar de “Millenium: A Garota na Teia de Aranha”?

A cobrança em cima de Claire Foy, que encarna a anti-heroína nesta sequência é, sem dúvidas, enorme. Foy, ao contrário de Lisbeth, tem um semblante doce; mas se engana quem pensou que isso seria um problema para a atriz.

Claro, neste capítulo da saga, Lisbeth é tratada de forma muito mais sentimental e humana, talvez por demanda do próprio enredo que, além de suas tradicionais vinganças, traz também confrontos com seu passado e tenta explicar o porquê de a personagem ter se tornado quem é.

Entretanto, a atriz ganhadora do Globo de Ouro por “The Crown” conseguiu captar a seriedade e até mesmo a fúria da personagem principal.

Em “A Garota na Teia de Aranha”, Jay Basu, Steven Knight e Fede Alvarez readaptaram a história do livro escrito por David Lagercrantz após a morte de Stieg Larsson (leia a crítica aqui) e muitas mudanças acerca da história original podem ser observadas na telona.

Alvarez (“O Homem nas Trevas”) ficou responsável também pela direção do longa e, na combinação de roteiro e direção, podemos observar em muitas cenas a tentativa de dar sequência ao trabalho deixado por Fincher – para não dizer copiar.

A cena de abertura da adaptação tentou manter o padrão feito em “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” e a cena inicial trouxe quase que as mesmas ameaças feitas por Lisbeth para o homem de quem estava se vingando.

A fotografia é outro ponto que parece ter sido uma tentativa forçada para ambientar e relacionar à história na versão de David Fincher. Daí em diante tudo o que é feito no filme é completamente diferente de todos os outros feitos anteriormente.

Claire Foy em cena de “Millenium: A Garota Na Teia de Aranha”

“A Garota na Teia de Aranha” não chega perto de ser um thriller psicológico, como deveria pedir o roteiro e é muito mais um filme de ação para gerar dinheiro e entreter o público que não assistiu aos filmes anteriores. O longa pode inclusive ser assistido por uma nova audiência sem problema algum; não há nada que exija conhecimento prévio sobre a história de Salander.

A trilha sonora chega a ser enjoativa de tão presente em todo o longa. Parece que Fede Alvarez se agarrou nisso para poder construir as emoções que gostaria de passar e acabou exagerando.

Mikael Blomkvist, interpretado por Sverrir Gudnason no novo longa, foi deixado de lado. Enquanto em “Os Homens que Não Amavam as Mulheres” Blomkvist (Daniel Craig, de “007 – Operação Skyfall”) era protagonista ao lado de Salander, agora o personagem não passa de um mero coadjuvante. Vale ressaltar ainda que no livro Mikael tem grande importância, o que mostra mais uma falha enorme no roteiro.

Desde suas tentativas exageradas de não se perder como sequência ou medo de criar uma nova identidade dentro do universo hollywoodiano da saga, “A Garota Na Teia de Aranha” apresenta inúmeras falhas para os que são fãs da história e provavelmente não irá agradar. O que salva é a atuação de Foy.

Deixando as comparações de lado ou assistindo sem conhecimento dos filmes anteriores, Alvarez e seus companheiros de roteiro fizeram um trabalho aceitável. O que não deveria ser o caso, já que o filme é, sim, parte de uma sequência de Millenium.

Assista ao trailer:

Claire Foy também está em cartaz em “O Primeiro Homem”.

Fotos: Sony Pictures/Divulgação

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