A direção sensível de Haifaa Al Mansour é o que transforma Mary Shelley em um filme um pouco mais que agradável de assistir.

Mary Goldwin, o nome de solteira de uma londrina apaixonada por livros e que foi criada em meio às paginas amarelas de seus melhores amigos, tem como mentores os seus próprios pais. Essa garota apaixonada pela literatura, se apaixonou por um poeta e de forma doce e obstinada, correu atrás do seu maior sonho. E esse sonho, anos mais tarde, nos deu a obra precursora da ficção científica: Frankenstein.

Elle Fanning, com toda sua doçura natural, consegue dar um ar bem romantizado para a vida da autora que, durante sua vida, passou por tantos apertos. Mesmo em momentos que o roteiro de Emma Jensen deixa a desejar, Elle mantém seu nível e entrega uma Mary Shelley doce e cheia de vida, sonhadora e perspicaz. Douglas Booth como o poeta e marido de Mary, Percy Shelly, é quem não tem muita chance de se destacar. Percy Shelley é uma figura multifacetada e Douglas Booth segue linear demais para o que o personagem exige.

Douglas Booth como Percy Shelley em Mary Shelley.
Douglas Booth como Percy Shelley em Mary Shelley.

Uma surpresa é Owen Richards como pai de Mary Shelley. Com um ar sutil e compreensivo, ele entrega uma figura paternal e protetora. Completamente tangível para um homem tão letrado como foi William Goldwin. Vemos Stannis Baratheon sendo um bom pai, veja só.

Owen Richards como William Goldwin em Mary Shelley.
Owen Richards como William Goldwin em Mary Shelley.

Até hoje o cinema e televisão não conseguiram sintetizar com louvor as ideias de Mary Shelley e de sua obra, Frankenstein. O foco aqui não é o ser revivido por galvanismo, é a própria escritora. E como não poderia deixar de ser, a história de Mary Shelley, assim como a sua obra, não é retratada com o peso e merecimento necessário. O filme tem um ar novelístico.

Temos uma Londres de 1850 muito bem reproduzida, embora pequena aos olhos para um filme. Há momentos em que o cenário parece de teatro. Em outros momentos onde o cenário é grandioso e muito bem desenhado, ainda que menos vezes. O cenário é auxiliado por uma fotografia bonita, mas sem peso cinematográfico. Alguns momentos do filme são escuros demais e não ajudam os cenários.

Elle Fanning como Mary Shelley.
Elle Fanning como Mary Shelley.

A parte cenográfica grandiosa fica para a parte interior das mansões. E também para o momento da vida da autora em que ela se muda para Escócia. A direção pontua em excesso os pequenos sons que guiaram as inspirações de Mary Shelley durante a vida; farfalhar de folhas, chuva, o rabiscar do lápis, dentre outros pontos. É agradável até certo momento, antes de se tornar exagerado. Assim como a música crescente e decrescente em vários momentos, parecendo episódio de série.

O filme é um bom informativo sobre a vida angustiante de Mary Shelley, mas ainda sim é pequeno perto do peso histórico que a autora tem na literatura.

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