Crítica | Marvin (Marvin ou La Belle Éducation)

Quem matou Marvin Bijou? Em certa altura do filme nos deparamos com essa pergunta (que também dá nome a peça do filme). Em Marvin ou la belle éducation, dirigido por Anne Fontaine (Coco antes de Chanel) o longa metragem conta a história de Marvin (Finnegan Oldfield/Jules Porier), um jovem nascido no interior de Paris, e por sua delicadeza aparente sofre bullying na escola e consequentemente é negligenciado pelos pais.

O longa metragem é uma grande jornada em busca de autoconhecimento e descoberta da sexualidade, feito de forma muito cruel às vezes e acima de tudo muito delicada. Durante a infância de Marvin, vemos uma criança quieta, que apenas reage aos abusos na escola e se sente deslocado quando está com a família. Fica claro a falta de tato que os pais têm com Marvin e apesar do pai (Grégory Gadebois) claramente não querer cometer os erros do próprio pai, vemos também uma ignorância perpetuada pelas gerações naquela família.

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O filme alterna sempre entre flashbacks da infância de Marvin e a sua vida adulta, onde ele encontra refúgio no teatro, um lugar pra se encaixar e quando finalmente ele se vê livre de sua família, em certa altura do filme, acontece a cena de Marvin de costas para seu pai, que está esperando um adeus que simplesmente não acontece e nos mostra o quanto o amor é um sentimento diferente para cada um de nós, aliás, todos momentos entre Marvin e seu pai rendem grandes momentos durante o filme, seja na infância ou na fase adulta.

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Quando vemos Marvin adulto e vivendo em Paris, ainda há resquícios de seus traumas na infância, na forma introspectiva que ele se relaciona com os amigos e nas relações amorosas. Durante esse tempo ele começa a transcrever sua vida como uma forma de ter controle sobre a mesma, e é como ator o único jeito que ele se sente à vontade.

Vale é claro citar a participação de Isabelle Huppert, que interpreta a si mesma e tem papel decisivo na vida de Marvin. A atuação dela é algo que dá uma impulsionada na trama e ela acaba se tornando uma espécie de madrinha, subindo aos palcos com ele.

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A direção de Anne Fontaine é acertiva em mostrar uma história inspiradora de forma não linear e exaltando sempre os detalhes, seja em um olhar, um diálogo e cenas que são sempre bem colocadas e nunca jogadas na edição. O filme peca um pouco em romantizar o abuso sofrido por Marvin na infância, que só serviria para nos atentarmos ao fato de sua homossexualidade, o que poderia ter sido cortado. O segundo ato do filme se torna meio cansativo pois na infância tínhamos Jules Proier (que está muito bem no papel) na sua interação com os seus colegas de classe ou com sua família, o que rende boas cenas também, mas Finnegan Oldfield nos oferece uma parcela apática que só se torna interessante com a entrada de Isabelle Huppert.

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Em uma época em que se fala tanto em tolerância e aceitação, Marvin infelizmente chega em poucos cinemas com uma trama sensível e de grande impacto e que qualquer pessoa possa se enxergar nela. As frases fortes surgem a todo momento no filme, como:

“O sofrimento é como um farol sobre você à noite. Faz desaparecer tudo”

“Ser gay é uma experiência radical de exílio, quando alguém sofre por racismo, por exemplo, e enfrenta o preconceito na rua ou na escola, costuma voltar para o ambiente familiar, onde normalmente isso não acontece. Uma criança gay, entanto, muitas vezes continua em um ambiente que as reprime e ataca: e que ainda está oculto em uma parte em si que ela ainda não compreende”.

O filme tem distribuição pela A2 Filmes e Mares Filmes chega aos cinemas de São Paulo, Santos, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília, Belo Horizonte, Florianópolis, Salvador e Vitória, além de pré-estreias pagas em João Pessoa.

Confira o trailer:

Mauricio Tavares
Um dia acordei e decidi ser EU ! Fim da estória. *Cinema *Séries *Livros

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