Crítica | Maniac

Maniac, a minissérie misteriosa da netflix chegou no serviço de streaming  mostrando certo amadurecimento em questão de material original, mostrando um ótimo trabalho de roteiro e tudo o que cerca a concepção da série, seja no clima dos anos 70/80 e na tecnologia retrô que também é apresentada.

A minissérie conta a história de Jonah Hill e Emma Stone que sofrem de transtornos psicológicos e que passaram por grandes traumas, os dois acabam participando de um teste farmacêutico que promete criar uma cura para esses grandes traumas através de algumas pílulas e apesar de vidas totalmentes distintas eles acabam criando um vínculo muito forte. A premissa de Maniac não é algo inédito, não há como não lembrar de similaridades com “Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças” filme de 2004 dirigido por  Michel Gondry, e estrelado por Jim Carrey e Kate Winslet e como em ambos os casos há o uso de surrealismo como ferramenta narrativa.

Maniac acima de tudo é um estudo sobre seres humanos e suas conexões, logo no primeiro episódio temos uma contextualização em uma voz em off que nos diz que “todas as almas estão em uma jornada para se conectar”, e que ao mesmo tempo nossa mente não tem consciência dessa busca, conhecemos também esse universo onde as pessoas simplesmente não se relacionam o que torna a empreitada da Neberdine Pharmaceutical & Biotech (que é a empresa farmacêutica por trás dos testes) mais plausível dentro daquela realidade.

Maniac.

Um dos maiores acertos da série é com toda certeza seu elenco encabeçado por Stone e Hill, que fazem um trabalho sensacional com seus personagens e talvez pelo ótimo desempenho e carisma que os dois primeiros episódios funcionem, pois ambos são bem introdutórios e pode gerar certo desconforto pela estética peculiar da série, Hill é um homem esquizofrênico e com paranóia, e apresenta um trabalho corporal e também cheio de detalhes que consegue passar todo o desconforto que seu personagem sente vivendo em sociedade, e principalmente em família que nunca o tratou com dignidade, já Stone se destaca ainda mais e mostra o porque é uma das melhores atrizes da nova geração, constrói uma personagem com claro transtorno de personalidade e viciada por conta de uma culpa que a faz odiar estar viva, em uma atuação quase que visceral e sensível na medida certa que com toda a certeza será lembrada nas premiações em 2019.

Stone e Hill em foto de divulgação de Maniac.

O elenco ainda tem nomes como o de Julia Garner (Ozark), irmã de Stone que também entrega uma personagem sensível e tocante, temos Justin Theroux (The Leftovers) que é uma representação caricata de um dos cientistas que tem sérios problemas com sua mãe, interpretada por Sally Field (Brothers and Sisters), vale destacar o excelente trabalho de Sonoya Mizuno interesse amoroso de Theroux e uma das cientistas.

Dirigida e criada  por Cary Joji Fukunaga mais conhecido pelo seu trabalho na primeira e excepcional temporada de True Detective, Maniac é recheada de referências passando de Kubrick, Tarantino e Senhor dos Anéis, existe também um conceito cyberpunk que remete muito ao clima de Blade Runner onde existe uma tecnologia retro, inteligências artificiais, tudo em um design dos anos 70 e 80 mesmo a série teoricamente se passando em um “presente distópico”, Fukunaga opta por cenas longas e com grande foco nos personagens, a cenas são sempre bem enquadradas lembrando até mesmo filmes do Wes Anderson, inclusive em um dos episódios Fukunaga dirige um belo plano sequência de um tiroteio, que é sensacional. A fotografia também chama atenção por ser bem saturada e apesar de uma forte predominância da cor branca quase que apática temos também a todo momento cores neons e primárias trazendo um grande contraste, o que funciona muito bem pra contar a história.

Justin Theroux e Sonoya Mizuno em Maniac.

A genialidade de Maniac talvez está em acreditar na inteligência do espectador em decifrar aquele universo e isso sem o uso diálogos expositivos ou cenas explicativas, tudo o que você precisa saber sobre aquele universo está lá nas minúcias, e para os amantes de cinema se torna quase que um exercício prazeroso desvendar o universo da minissérie. E vai além, é um exercício sobre a sociedade de hoje, e de como mesmo com a população mundial cada vez maior, o uso das tecnologias acaba nos afastando emocionalmente cada vez mais, e justamente por essa dificuldade do Ser Humano em se conectar, comece a gerar cada vez mais transtornos mentais.

Maniac chega para encabeçar uma aposta mais madura para a Netflix, visando talvez uma competição quando se fala em qualidade, já que a Hulu que tem a cultuada Handmaid’s Tale em seu catálogo e a HBO, com Sharp Objects e Big Little Lies. Por toda via Maniac talvez não seja uma série fácil para se maratonar, pois traz muitas reflexões sobre assuntos difíceis como o luto, convivência em sociedade e psique humana, mas ao final vale cada minuto.

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