Crítica | Jessica Jones (2ª Temporada)

A primeira temporada da heroína mais controversa da Marvel na TV, cansou uma excelente impressão do universo criado na Netflix. Jessica Jones trouxe para a luz uma série de discussões importantes, deixando aquela ‘baboseira heroica’ de lado e transformando alguém superpoderoso em alguém mais humano.

A segunda temporada de Jessica Jones tenta repetir o sucesso de seu discurso central, usando o passado de Jessica, principalmente, para nos contar uma história pesada, cheia de surpresas e episódios carregados de drama. Essa temporada mantém a proposta da personagem no universo de TV: afastar o glamour dos heróis e provar que até alguém com super força tem problemas familiares.

A partir daqui você lerá spoilers da segunda temporada e da primeira também.

Jessica Jones, no segundo ano de sua série, depois de matar seu grande problema na primeira temporada, Kilgrave, começa a investigar sua origem e a descobre que por trás de seus poderes havia um médico e por consequência, uma organização criminosa, criando pessoas com poderes, usando o avanço médico como desculpa. Nesse processo, Jessica é surpreendida por um presente desagradável, se não fossem as circunstancias: sua mãe. Alisa Jones foi dada como morta no acidente que fez com que Jessica “adquirisse” seus poderes 17 anos antes.

Karl, o médico responsável por salvar a vida de Jessica, também foi responsável por manter sua mãe viva durante 17 anos. O processo usado para salvar ambas, gerou um efeito colateral: os poderes. Não só em Jessica. Alisa acaba sendo mais forte que Jessica, muito mais forte e Jessica descobre, da pior maneira, que nem ela é capaz de parar sua própria mãe.

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No desenrolar da temporada, as trajetórias das outras personagens também sofrem um declínio inimaginável. Trish Walker entra de cabeça na investigação sobre os experimentos feitos em Jessica e em outros. Essa investigação leva ela de volta ao vício, jogar um noivado promissor por escada abaixo e nesse processo fica evidente que tudo o que Trish sempre quis era poder como Jessica tinha e que tudo o que ela queria era ser invulnerável como a amiga e poder alcançar suas metas pessoais e profissionais. Essa ambição a coloca cara-a-cara com a morte em centenas de momentos durante a temporada.

Jeri descobre que tem ELA, buscando por tratamento desesperadamente, indo atrás remédio não autorizado em outros países. Ela se vê caindo em um golpe de um curandeiro fajuto, indicado por Inês, ex-funcionária do hospital que tratou Jessica. Ambos roubam o apartamento da advogada, deixando-a furiosa e aí ela entra num processo de vingança e recuperação. Todas as jornadas são de queda, ambas as personagens buscam por algo que as cure ou as torne melhor, mas o caminho é tórrido e quase sem volta.

Nessa temporada conhecemos a origem do nome ALIAS e até onde Jessica conseguiu sua conhecida jaqueta de couro. Somos bombardeados por uma série de flashbacks que costuram a trama principal, justificando atitudes e comportamentos. Os flashbacks ajudam também a entender melhor ainda a relação de Trish e Jessica. Como antes era Jessica quem vivia preocupada com a amiga viciada e não o contrário e como isso foi mudando conforme uma ascendia e outra decaía. Como uma é sol e a outra lua, dependendo da época de suas vidas.

Jessica Jones – Segunda temporada.

As relações entre mães e filhas são uma das bases dessa temporada. Tanto a família Jones quanto a família Walker são postas a prova nessa temporada. Jessica e sua mãe tenta construir uma relação que se torna cada vez mais difícil, à medida que a mãe de Jessica vai deixando um rastro de corpos por onde passa e Jessica, vez ou outra, leva a culpa pelos crimes da mãe (ainda sem saber que são mãe e filha). Quando Jessica fica sabendo, mesmo entregando a mãe para as autoridades, tenta ajuda-la salvando o Dr. Karl, que a essa altura é seu padrasto, para manter ela sob controle. Nesse momento a missão falha e Alisa se descontrola, indo atrás de Trish, acreditando que ela é a real responsável (pela sua investigação e pelo fato de Trish ter chantageado Karl para transforma-la em alguém superpoderoso).

Um parêntese pode ser feito aqui para falar de Malcolm. O vizinho e amigo de Jessica deixa de ser aquele personagem transeunte e inútil, tornando-se o principal parceiro de Jessica em suas investigações, tomando a rédea da situação em vários momentos e se mostrando mais inteligente do que imaginamos. Além disso podemos ver um pouco de sua origem, de aluno exemplar até se tornar o que conhecemos.

Além de lidar com a mãe super assassina, uma amiga ambiciosa, a polícia em seus calcanhares, um novo interesse amoroso, o amigo viciado em sexo causando problemas, Jessica ainda tem que lidar com o fantasma de Kilgrave atormentando seus pensamentos nos momentos menos oportunos, causando reações explosivas nela e quase levando-a cometer crimes em seu nome mais uma vez.

Obs: o décimo terceiro episódio é fortíssimo e emocionante. Jessica recebe uma missão, indiretamente e descobre que o certo a se fazer, é o mais errado possível. Além disso vemos, finalmente, Trish se transformando em Felina.

Jessica Jones e sua mãe em Jessica Jones.

Com uma temporada de 13 episódios, todos dirigidos por mulheres e lançada no dia internacional da mulher, Jessica Jones oferece total protagonismo para suas personagens. Todas elas têm uma história para contar, um trauma para expor e todas buscam soluções ‘fora do comum’ para seus problemas. Todos os episódios são densos, carregadíssimos de dramas e ótimos ganchos ao final de cada um deles. Demora a engatar, tendo um começo arrastadíssimo e cansativo. Do quinto episódio em diante, Jessica Jones, pega força e engata numa aventura que nos deixa aflito, acreditando na derrota da nossa heroína torta. A excelência da primeira temporada se perde, principalmente nesse ritmo até chegarmos ao ponto onde a série, realmente, fica interessante.

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