Crítica | IT – A Coisa

Derry, Maine. 1988. O pequeno George (Jackson Robert Scott) sai para brincar pelas ruas da cidade com um barquinho de papel num dia chuvoso. Após o brinquedo cair dentro de um bueiro, o garoto se depara com o assustador Pennywise, um palhaço “que foi levado pela tempestade para dentro do esgoto”… E assim temos o inquietante início da história de “IT: A Coisa“, refilmagem baseada na obra homônima de Stephen King.

Ao assistir a conclusão da cena em questão, o público pode achar que este seria um dos filmes mais assustadores do gênero, mas o que se vê nas 2h15min de duração é nada mais do que um esboço daquilo que foi visto e alardeado no trailer. Nada mais que isso.

Não há um terror verdadeiro no longa, e tampouco há uma história com começo, meio e fim. E esse talvez seja o grande pecado desta nova adaptação. A ideia de tentar emplacar uma nova franquia nos cinemas, onde um segundo filme já foi anunciado antes mesmo da estreia do primeiro, fez com que muitas pontas fossem deixadas soltas por todos os lados. O roteiro vai jogando informações e possibilidades até promissoras, porém nenhuma delas é realmente desenvolvida, e acabam por serem deixadas de lado de maneira displicente… Nos deixando com muitas perguntas e poquíssimas respostas.

Além das muitas informações, que chegam a ser desnecessárias, o roteiro também é cheio de erros e furos, o que nos da a sensação de que a direção de Andrés Muschietti realmente não se importa com coerências, e tampouco se importa com os acontecimentos sinistros e sequestros das crianças da pequena cidade, ficando apenas noticiadas e alguns cartazes nos postes, parecendo que apenas as crianças se importam sobre os fatos.

E na esperança de me assustar, apenas consegui rir muito, graças ao alívio cômico proveniente das frases de Richie, personagem de Finn Walfhard, o Mike de “Stranger Things“. O garoto se destaca no filme de maneira brilhante. E quando um coadjuvante se torna notório num filme de suspense e terror por suas piadas, você pode ter certeza que algo de errado está acontecendo. Certo?

Contudo, contraditoriamente, é Richie e as outras seis crianças que formam o Clube dos Perdedores que deixam o filme interessante por assim dizer, apesar do ótimo trabalho de Bill Skarsgård na pele do palhaço demoníaco em seu pouco tempo de tela. A amizade nutrida entre eles, assim como as situações que eles enfrentam ao sofrerem bulling dos garotos mais velhos da escola, ou nos problemas caseiros como a super proteção da mãe ou de abusos sexuais, é o que faz o longa não sair completamente do eixo, e te mantém assistindo até o final. Ponto para o talentoso elenco de atores mirins, onde alguns já demonstram que terão um futuro promissor em suas carreiras, principalmente a bela Sophia Lillis, que interpreta Beverly Marsh, a única garota do grupo, e protagoniza com excelência algumas das poucas cenas mais perturbadoras do filme.

Um outro ponto a favor do filme está na maneira como os medos de cada uma das crianças são apresentados de forma realista na tela, além das referências culturais do fim dos anos 80 que são mostradas aqui e ali como easter-eggs a serem descobertos… o que deve agradar aqueles que com seus trinta e poucos anos e além deles.

No fim, “IT: A Coisa – Capítulo Um” me deixou com a sensação de que paguei por um todo, mas só recebi a metade do que devia… ou queria. E isso com certeza me deu mais medo que o próprio Pennywise!

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