Crítica | Hereditário

Quando nascemos trazemos uma bagagem para o mundo, em uma mala muito pequena chamada célula, características hereditárias nos acompanham em cada traço de DNA, mas o que acontece quando trazemos algo mais além do genótipos e fenótipos? Hoje o mundo Hype leva você a desvendar os mistérios de um filme que vem dividindo opiniões, então vamos conferir o nosso parecer sobre: Hereditário!

Provavelmente o filme de terror mais aguardado do ano a obra de Ari Aster traz grandes nomes como, Toni Collette(O sexto sentido), Gabriel Byrne(Stigmata), Alex Wolffv(Jumanji: Bem vindo a selva), Ann Dowd(The Handmaid’s tale) e a estreante Milly Shapiro no elenco, o filme foi lançado em Junho de 2018 com um orçamento de apenas 10 milhões e teve uma arrecadação de 79,3 milhões, mas o que faz dessa obra diferente das demais do mesmo gênero?

Quando a matriarca da família Graham vem a óbito a família se vê em volta de uma trama sobre sua própria origem, o filme parte justamente do funeral da reclusa avó e nos leva a refletir sobre do que somos capazes para superar a dor da perda de um familiar, a culpa do que deixamos de falar ou fazer nos leva a negligenciar um pouco nossa própria vida, e como somos facilmente manipulados nesse frágil momento de luto.

Logo de início o que nos chama a atenção é a personagem vivida por Milly Shapiro, a garota é realmente sinistra levando a nossa curiosidade a se perguntar qual o grande mistério que ela traz, porém o filme exige uma certa paciência do espectador, já que o inicio se mostra arrastado e cansativo, por alguns momentos pensei em desistir de ver, porém aproximadamente aos 33 min de filme a trama dá uma quinada fantástica, com um evento inesperado, o que volta a prender nossa atenção e a sentir a adrenalina da trama.

O filme traz muitos momentos de terror e suspense, principalmente mexendo com o psicológico do público, sem aquele clichê de sustos repentinos, inclusive traz uma sequência das mais chocantes vistas em filmes até hoje, tendo em vista que ele mascara bem o protagonista, nos pegando de surpresa em determinado momento que é crucial para o desenvolvimento e ascensão da trama.

O principal diferencial que Hereditário nos traz é a mudança brusca de protagonista, pois como todo filme que traz uma criança sinistra nele apostamos nossas fichas ali, o que faz o público ser surpreendido com o desenvolvimento dos papeis coadjuvantes que vão aos poucos se transformando em principais e mostrando que cada trama separadamente será importante como um todo ao final. Os sutis detalhes nas mudanças de personalidades, e a percepção de hábitos que os personagens adquirem de um para o outro no decorrer da trama, como por exemplo a falta de ar, são extremamente necessários para sua compreensão do desfecho.

O filme também nos presenteia com um terror psicológico incrível, além daquela sensação que nos impede de definir se aquele momento vivido pelo personagem é real ou não, deixando o espectador realmente preso a trama, que por sinal também é recheada de cenas bizarras e assustadoras.

Porém o filme não é composto só de flores, além de seu começo falho, ele também deixa a desejar quanto ao “Vilão” da trama, já que desde o momento da apresentação da personagem de Ann Down, notamos que existe um interesse maior da mesma pela família Graham, mesmo assim isso não atrapalha o filme.

Ao final entendemos a relação do título com a obra, mostrando como é importante conhecermos e entendermos a família a qual pertencemos, e que os laços sanguíneos e doenças genéticas não são a única coisa que devemos nos preocupar, pois hereditário acima de tudo é toda a carga que trazemos conosco quando embarcamos em uma família, seus costumes, suas crenças e os grupos a quais pertencem!

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