Crítica | Godless

Quando pensamos em Western e tentamos puxar uma referencia recente, logo em nossa mente, emerge Westworld. Sua linha temporal mista, com futuro, passado, presente circundados por um solo arenoso, clima quente, chapéus e botas sujas de terra. Não dá pra negar que, muito provavelmente, Westworld abriu essa porta, assim como Black Flag (Assassin’s Creed) abriu uma janela aos interessados na era de ouro da pirataria em meados de 2014, trazendo em seu brigue séries como Crossbones e Black Sails.
Voltando ao assunto principal, Godless, a série do mesmo roteirista de Logan (Scott Frank) amargou 15 anos de respostas negativas dos maiores e dos nem tão grandes diretores assim e como uma grande mãe, Netflix abraçou o projeto, levando-o a vida com os rostos de Jeff Daniels (sim, você conhece ele de Deb&Loyd), Jack O’Connell (o Cook de Skins), Michelle Dockery (a Lady Mary Crawley de Downton Abby) e um elenco incrível. Vou ocultar, deliberadamente, um personagem para você que gosta de Game of Thrones.

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A pequena cidade de La Belle, no Novo México, é a maior protagonista aqui. Uma cidadezinha mineradora, com uma população tão pequena quanto sua fama, repleta de todo tipo de pessoa em sua vizinhança, até então, pacata. Um misterioso acidente na principal mina da região quase extermina todos os homens, sendo assim, a cidade agora fica repleta de viúvas confusas, sedentas por um novo rumo. Todas as mulheres acabam herdando as funções de seus falecidos maridos, basicamente. Toda a harmonia da cidade é abalada pela presença de um famoso criminoso e seu mestre que, além dali, travaram uma briga sangrenta e com um rastro enorme de corpos.

O criminoso em questão acaba se hospedando na casa de uma das viúvas da cidade, a única que não vive no centro da cidadezinha, a temida e vitima de boatos, Alice Fletcher. Alice mora com sua sogra e seu filho, ambos índios, assim como seu falecido marido. Roy Goode, o tal criminoso que, na verdade, acaba se mostrando um herói multifacetado, conquista a confiança da viúva destemida que, em dado momento da trama, enfrenta tudo e todos para tirar o cowboy da cadeia. Enquanto isso, Frank Griffin, o grande vilão da trama, persegue Roy Goode por todas as cidades do Novo México até o momento em que ele, por meio de um jornalista parasita, fica ciente da localização de seu pupilo traidor.

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Em meio a essa caçada, somos apresentados ao contingente feminino de La Belle. Prostitutas, professoras, mulheres de maridos bem sucedidos em novos negócios e todo tipo que você puder imaginar (inclusive uma artista alemã que gosta de andar pelada e é muito boa com a carabina). Todos as mulheres as quais somos apresentados se tornam importantes e é muito fácil se importar com cada uma delas. Mesmo que suas tramas não sejam tão desenvolvidas visualmente falando, cada uma nos dá um motivo para o qual torcer que, no embate final, elas não levem um tiro. Cada dialogo é importante para isso ao decorrer da história e são nesses momentos que a série se mostra rica. Alguns flashbacks entram para explicar coisas mais difíceis, como por exemplo, a relação de Roy e Frank e tudo que levou a história ao momento em que os dois se enfrentam.

Como toda série de uma história totalmente nova, é difícil confiar na trama antes do terceiro episódio. Dali em diante a história começa a ficar clara e você se pega torcendo pelo vilão que, na verdade, não é tão mal assim quando você descobre o que ele faz com a grana que rouba do vilão mór.

Além das mulheres de La Belle, dos 30 homens de Frank Griffin, temos uma série de personagens excelentes. O Sheriff de La Belle, um pistoleiro semi-cego e apaixonado por Alice Fletcher que parte em busca dos rastros de Frank Griffin e, no fim das contas, é parte do alivio cômico e também é parte da salvação da cidade. Existem os poucos homens que ainda moram ali, que mesmo não tendo alguma utilidade prática, acabam dando suporte ao desfecho da série.

Godless

Os sete episódios de Godless provam que nem sempre de 13 episódios vive uma boa série. O show foi confirmado como mini-serie e até agora não existe notícias de uma segunda temporada, o que justifica a história ser extremamente correta no que diz respeito ao que entendemos ao enredo “redondo” e só deixa uma questão em aberto: o que será do futuro de La Belle depois do conflito final onde metade da cidade foi colocada abaixo com fogo? O Mentor de vilania teve seu fim dramático, o aprendiz de vilão teve sua redenção e partiu rumo ao seu novo começo e as mulheres ficaram para reerguer uma cidade em ruínas.

Quando Godless acaba, fica aquele sentimento de vazio e não é por uma razão ruim; muito pelo contrário, é justamente porque não existe muita margem para mais. O Western, um gênero dominado por homens, ganha sua versão com mulheres em posição de protagonismo e não de vitimas, esperando seus heróis. Mulheres fortes de todos os estilos, sem estereótipos físicos ou filosóficos acima de um ideal. Sendo assim, Godless se torna uma das melhores produções da Netflix, tendo todos os quesitos bem desenvolvidos; sem lacunas, sem pontas soltas. Com início, meio e fim.

Bônus1: a abertura

Bônus 2: Fotografia

Bônus 3: Trilha Sonora

Se não vai sair de casa nesses feriados de fim de ano, é recomendadissimo uma maratona de Godless.

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