Crítica | GLOW (2ª Temporada)

Quando GLOW chegou à Netflix em 2017, ela veio em um bom momento, tratando sobre personagens femininas tipicamente estereotipadas nos anos 80 mas que não estão tão longe assim do atual cenário da indústria cinematográfica, – que vem a passos lentos melhorando nesse aspecto – e tem um foco dramático por trás do show. A série baseia-se em um programa dos anos 80 que também se chamava GLOW (Gorgeous Ladies of Wrestling), onde exibiam esquetes das personagens entre uma luta e outra.

O primeiro ano trabalha muito bem isso, nos apresentando personagens que são extremamente caricatas e ao longo da temporada vai desconstruindo essa visão, já a segunda temporada de Glow consegue ir além disso, onde ainda temos Ruth (Alison Brie, que tem a incrível facilidade de transitar entre a comédia e o drama sem parecer forçada) com uma relação complicadíssima com a Debbie (Betty Gilpin), em uma tensão que é crescente tanto na vida pessoal quanto nos ringues, já que uma representa a Rússia e a outra a América, e essa tensão é levada aos extremos o que deixa a série ainda mais interessante.

Desconforto fora e dentro dos ringues.

No segundo ano ainda acompanhamos Ruth acreditando ainda mais em GLOW e aprofundamos mais nos dramas dos coadjuvantes e que são o ponto alto da temporada. O jeito que o roteiro trabalha suas individualidades e como isso contribui pra história é muito gostoso de se ver, desde um romance homossexual, o relacionamento do personagem de Marc Maron (Sam Sylvia) que é sem duvidas o personagem que mais cresce na temporada, aprendendo a ser pai de Justine (Britt Baron), e vemos também a relação dele com a Ruth se aprofundando com um certo clima entre eles, tudo construído aos poucos e da maneira certa. Acompanhamos Debbie em sua difícil jornada em ser uma mulher divorciada e agora também produtora do programa, vendo-se obrigada a lidar com o machismo dos personagens a todo momento. Além disso poucos vemos GLOW se tornar um programa Cult e com fãs igualmente caricatos, rendendo algumas cenas bem engraçadas.

Sam, conhecemos mais do personagem nessa temporada.

GLOW, em sua essência é divertida e consegue fazer uma critica de forma eficiente aos machistas e misóginos do passado nos lembrando que ainda os vemos na atualidade, como por exemplo personagens como “Junk Chain”, “Machu Picchu” ou alguma fala citando as relações entre México e Estados Unidos, do racismo que a personagem Kia Stevens e o filho (um dos primeiros negros em sua faculdade) vivenciam. Não se pode deixar de lado um dos momentos mais desconfortantes da temporada que é o assédio sofrido pela personagem da Ruth que vem em um momento muito importante para reforçar essa cultura do assédio em Hollywood.

A direção de arte e os figurinos são um show a parte, tudo bem colocado e bem situado. A trilha sonora é um apanhado do que de melhor essa época nos ofereceu. Há um episódio dentro da série onde se resgata toda a vibe dos programas dos anos 80 e que de longe é o episódio mais divertido e despretensioso da temporada. GLOW é uma série gostosa de maratonar e que está se tornando um clássico com esse humor característico e afiado. O final desse segundo ano deixa várias possibilidades, tanto pro Show de luta livre quanto pra essas lindas lutadoras do dia a dia. Lembrando que a série está concorrendo ao Emmy de melhor série de comédia.

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